A Storm of Swords, Capítulo por Capítulo

E agora, minhas anotações da leitura de A Storm of Swords. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones e A Clash of Kings se aplicam. O próximo post desta série vai demorar para sair, pois lerei AFFC e ADWD simultaneamente.

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Diversos

  • Eu sempre soube que o fandom tinha nascido de verdade com Sherlock Holmes e os leitores obsessivos da época, que compilaram biografias de Holmes e criaram um clube que ainda existe. Relendo Boys’ Weeklies, um ensaio do Orwell sobre ficção infanto-juvenil, vejo que os fan boys já estavam cristalizados na década de 1930: leitores mais velhos do que o público-alvo, colecionadores fanáticos, sempre escrevendo com perguntas sobre minúcias e continuidade. Billy Bunter está quase esquecido, mas seu público segue vivo em espírito.
  • Na edição de 7/7/2014 de Econtalk, Mike Munger e Russ Roberts falam sobre a economia do compartilhamento. A parte mais interessante, mas também a menos completa, é o debate sobre MonkeyParking, o aplicativo que permite a venda de vagas de estacionamento gratuitas. São dois fãs de Hayek que sabem muito sobre a ideia de ordem emergente, mas eles parecem não reconhecer, ou não acham necessário mencionar, que esse é um exemplo perverso de direitos de propriedade emergentes, transformando a tragédia dos comuns em uma paródia da solução libertária tradicional para esse problema. Obviamente, o problema desapareceria (assim como o app) se as vagas de estacionamento tivessem direitos de propriedade reais e tradicionais, mas poucas áreas das políticas públicas são menos propícias a mudanças para melhor do que o trânsito e a escassez de estacionamento.
  • Reassistindo The Wire depois de alguns anos, um dos elementos que mais me chama a atenção é a importância da inteligência em todas as organizações apresentadas, incluindo acertos e erros. Por exemplo:
    1. A gangue de Marlo Stanfield ascende em parte por usar táticas de reconhecimento e ocultação mais sofisticadas. Os cadáveres escondidos dentro das casas abandonadas são o exemplo mais óbvio, mas não é só isso. Marlo e seus tenentes usam vigias disfarçados para proteger seus postos e identificam ativos em potencial entre a população civil.
    2. A polícia não sabe nada sobre os traficantes, mas os traficantes também não entendem a polícia. Proposition Joe é um dos criminosos mais bem informados, sabendo usar documentos públicos e perguntas inocentes para desenvolver seus planos, mas na quarta temporada ele fica genuinamente preocupado com a presença de um membro da Divisão de Crimes Graves, sem saber que a unidade foi estripada pelo alto comando da BPD.
    3. Diversas jogadas políticas ocorrem porque um ou outro participante — Burrell, Royce, Carcetti — tira conclusões precipitadas sobre as motivações dos adversários, apesar de terem todos os fatos em mãos. A análise não é menos problemática do que a coleta de inteligência.
    4. Kima tem uma relação incrível com Bubbs, sugerindo que ela sabe como ninguém avaliar o talento de uma fonte. E, ainda assim, ela coloca esse ativo valioso nas mãos do Sargento Hauk, provavelmente o policial mais incompetente de toda a série. Entender um lado da equação não significa entender o outro.
    5. Vários e vários personagens sabem sobre os cadáveres dentro das casas abandonadas, mas Lester e Bunk, os dois melhores detetives da série, não ouvem a informação de ninguém durante vários dias de busca. Pertencer a uma instituição ergue barreiras informacionais insuperáveis, por mais que os dois tenham contatos e raízes na comunidade local.
    Não devem faltar outros exemplos, mas eu não tomei notas. Da próxima vez que for reassistir a série inteira, faço como minha atual releitura de A Song of Ice and Fire e escrevo um parágrafo sobre cada capítulo. É o mínimo que merece o Grande Romance Americano dos últimos quinze anos.

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A Clash of Kings, Capítulo por Capítulo

E agora, minhas anotações da leitura de A Clash of Kings. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones se aplicam.

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O fracasso das greves em fast foods

Segundo o USA Today, centenas de funcionários de restaurantes de fast food aderiram a uma greve de um dia hoje. Centenas. Vamos ser generosos e dizer que foram mil. Isso significa que a greve foi um fracasso retumbante.

Só o McDonald’s tem cerca de 1.700.000 funcionários, e a greve também teria envolvido KFC, Wendy’s e Burger King, entre outras. Se todos os grevistas estivessem no Brasil e trabalhassem no McD (onde a empresa tem 50.000 funcionários), seria menos de 2% de ausência da mão de obra. Nesse ramo, o efeito seria praticamente impossível de distinguir do absenteísmo normal. E melhor nem entrar na questão dos ativistas políticos que fingem ser funcionários em greve e figurantes mal-pagos que costumam ser os principais participantes desse tipo de evento, transformando algo que pretende ser Realismo Socialista em Teatro do Absurdo.

A história toda me lembra a tentativa de fazer greves em Walmarts nos Estados Unidos, como descrito por Megan McArdle no ano retrasado, e do post de Jessica Flanigan sobre o preconceito de classe inerente a essas greves. Ideias a manter em mente da próxima vez que uma manifestação desse tipo for anunciada e elogiada nas redes sociais por gente que nunca come em restaurantes de fast food.

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Por Fora da Copa

Todo mundo deveria comprar Por Fora da Copa: Um guia sobre o que realmente importa no mundial, inclusive futebol (Kindle BR, Kindle US), do Eduardo Menezes.

Ou pelo menos todo mundo com QI acima de 115. É como ter 32 conversas com um amigo inteligente que entende a relação do esporte com o resto da vida e a sociedade, com a vantagem da transcrição estar arquivada para consultas futuras. São ensaios espirituosos e perspicazes, exatamente na medida certa para querer ler um segundo sempre que se termina o primeiro. Meus favoritos, aliás: Colômbia, Nigéria, México, Austrália, Chile.

Na dedicatória, o Menezes escreveu “Cisco, Por favor encontre todos os erros. Obrigado”. Não posso negligenciar a responsabilidade:

  • México, p. 19: Está escrito “a rede de que controlar um time” em vez de “a rede que controlar um time”.
  • Colômbia, p. 48: Está escrito “Robin Wood” em vez de “Robin Hood”.
  • Uruguai, p. 72: Menezes escreve que “não registramos tensões de fronteira durante toda nossa história”. A Guerra da Cisplatina discorda.
  • Estados Unidos, p. 138: O contraste entre “os cristãos do Celtic” e “os protestantes do Rangers” sugere que protestantes não são cristãos. Conheço quem talvez até concordasse, mas acho que o Menezes não é um deles.

Pronto, missão cumprida. Não tenho do que mais reclamar. Agora comprem, presenteiem, distribuam.

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Uma Breve Explicação Econômica de Por Que a Prata da Casa Vale Mais que o Jogador Trazido de Fora

Qualquer fã de esporte coletivo conhece o fenômeno: os jogadores trazidos de outros clubes parecem ganhar um salário desproporcional a seu rendimento em campo, na quadra ou, no caso do polo aquático, imagino, na piscina. Como a maioria dos torcedores conhecem melhor a folha de pagamento do seu time do coração, não o da liga em geral, parece que é apenas o seu time que é incompetente e não sabe avaliar o talento alheio, ou que dado a maracutaias nas quais porcentagens de salários inflados são devolvidos por baixo dos panos. Na verdade, o problema é universal.

A explicação é simples e tem nome: A Maldição do Vencedor.
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Machado de Assis em Edição Bilíngue

A New London Librarium, uma editora cooperativa americana, vai publicar uma edição bilíngue de contos do Machado de Assis chamada Ex Cathedra, em parceria com a editora brasileira Fogão de Lenda. Por ora, está disponível apenas em edição física (Amazon US), mas um dos editores me informa que o ebook deve estar disponível em algumas semanas (Atualização: Kindle BR, Kindle US).

E, não, eu não estou envolvido com essa publicação. Os contos do Machado que ajudei a traduzir, publicados apenas para Kindle, estão disponíveis aqui.

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A Game of Thrones, Capítulo por Capítulo

Começando no dia 1º de janeiro, comecei minha a reler todo A Song of Ice and Fire, um capítulo por dia, como fiz da última vez. A diferença é que decidi fazer alguma pequena observação sobre cada capítulo, umas maiores, outras menores. Uns capítulos li no Kindle, outros ouvi na versão lida por Roy Dotrice. Alguns comentários serão sobre os personagens, outros sobre a adaptação da HBO. Uns serão observações triviais e irrelevantes, outros eu mentirei para mim mesmo que são investigações profundas e penetrantes sobre temas centrais do texto.

Naturalmente, Spoilers.

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Uma carta minha na última mailbag de Bill Simmons

Q: I live three miles from where a few World Cup games will be held in a few months. The street next to the stadium is such a hot mess, Joe Dumars is trying to trade for it.
—Francisco, Porto Alegre, Brazil

SG: And he’s doing it with two phones!

E depois, uma foto de Joe Dumars falando em dois telefones. Ainda não sei qual é mais terrível, as obras da Copa perto do Beira-Rio ou o contrato do Josh Smith. Ou qual vai sair mais caro, aliás.

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A Genética do Esporte e uma ideia de site

A Genética do Esporte: Como a biologia determina a alta performance esportiva¹, de David Epstein, é excelente. Uma história interessante e uma ideia instigante em cada página, uma longa reportagem que mistura ciência e esporte na medida certa. Recomendo o livro, sem reservas, para qualquer jornalista esportivo, fã de esportes com QI acima de 120 pontos, diretor de recursos humanos, leitor de Malcolm Gladwell, professor de educação física, corredor frustrado, atleta ocasional, pessoa com opiniões fortes sobre doping, leitor de Tyler Cowen e/ou indivíduo inteligente em geral. Para quem fala inglês e quer uma palhinha, o episódio de Econtalk com Epstein é excelente.

E o livro também me deu uma ideia para um site.

Resumidamente, o usuário do site informaria suas medidas e o serviço informaria qual esporte melhor se adapta ao seu corpo. As medidas não seriam simplesmente altura e peso, mas detalhes como cintura, envergadura, circunferência do tornozelo, comprimento do antebraço, altura do umbigo, largura dos ombros e assim por diante. O sistema analisaria as informações fornecidas para determinar quais atividades melhor se adaptam ao corpo do usuário. Assim, por exemplo, um homem de pernas curtas seria informado de que deveria nadar e não correr, alguém com braços compridos descobriria que nasceu para o tênis e assim por diante.

A utilidade desse serviço seria que muita gente sedentária não pratica atividades físicas porque simplesmente nunca entrou em contato com os esportes certos. A história é prosaica: o indivíduo experimenta uma ou duas atividades inadequadas para si quando é jovem, conclui que não é bom em esportes e nunca se interessa pelo assunto de novo. Um pouco de orientação desinteressada, sem julgamento ou reprovação social, faria a diferença para muita gente. Não que qualquer um possa ser um atleta, mas, por definição, alguma atividade sempre é comparativamente melhor para cada indivíduo do que as outras. Eu consigo imaginar o RH de uma grande empresa contratando o serviço antes de construir uma academia no campus ou montar um grupo de corrida, por exemplo.

Um serviço como esse também poderia ser complementado por consultorias individuais. O problema de descobrir qual o melhor esporte para cada um é o bom e velho Problema do Principal-Agente. Em poucas palavras, quem faz a avaliação sempre tem algum conflito de interesse ou viés inconsciente. Todo professor de academia acha que você precisa fazer musculação. Líderes de grupos de corrida acham que qualquer um pode ser maratonista. Natação é o esporte mais completo. Et cetera. Uma empresa que prestasse essa consultoria uma vez, sem interesse em uma relação contínua com o cliente, estaria gerando valor incrível para ele. A empresa também poderia oferecer serviços mais avançados, desde a medição do VO2 Max até biópsias do tecido muscular. Nesse momento, começo a pensar em expressões como “identificação precoce”, “cauda longa” e “massa crítica”, mas as consequências me parecem óbvias o suficiente que não preciso entrar em detalhes.

Ou talvez só pareçam óbvias porque li A Genética do Esporte, e você também deveria.

¹ Eu li o livro no original e até começar este post, nem sabia que havia sido traduzido. Parabéns para a Campus pela escolha, espero esteja vendendo bem.

(Talvez o serviço já exista e eu apenas não saiba, claro. Não seria a primeira vez.)

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Um Tumblr Vagamente Útil

Cada vez que eu leio um artigo e gosto dele, aperto o botão Like & Archive do Instapaper e mando o link para Ciscocosta.tumblr.com. Se a curadoria ainda serve para alguma coisa na web, aí está o link.

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A Vinda do Kaiser de Graça na Amazon

O ebook de A Vinda do Kaiser está de graça na Amazon até sexta-feira.

Não consegui determinar a data exata em que o livro foi publicado em 1913, mas as resenhas e cartas começaram a aparecer mais ou menos nesta época. Além disso, semana passada foi o aniversário de 97 anos da morte do autor (últimas palavras: “Apague esse maldito cigarro!”). Gostaria de dizer que a promoção se deve a esses dois fatores, mas a verdade é que acabei de descobrir como oferecê-lo de graça, ainda que apenas por tempo limitado. Vamos ver se funciona.

(Para quem usa a Amazon americana, o link é este.)

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Por que Cuba está mandando médicos para o Brasil?

Fazendo buscas na pobre e minúscula Internet brasileira, parece que a imprensa não está muito interessada em por que Cuba está exportando médicos para o Brasil pelo programa Mais Médicos, considerando a notória aversão da ilha em deixar seus habitantes-prisioneiros viajarem. A impressão que tenho, assistindo o debate, é que a esquerda imagina que a ditadura cubana é motivada pelo humanitarismo e fraternidade sul-americana, enquanto a direita enxerga apenas espionagem e eventual apoio a um golpe de estado petista. A inocência da coisa toda chega a ser tocante.

A Economist, no entanto, sabe a resposta certa:

For Cuba, the deal represents a handy source of hard currency. It overproduces doctors and nurses, and has long sent them abroad, for humanitarian or propaganda reasons. Increasingly, it is charging for them. Venezuela provides Cuba with a massive subsidy under the guise of paying for the services of 30,000 doctors and other professional staff. Brazil insists no subsidy is involved. But the size of the planned contract, worth around $150m a year, makes it valuable for Cuba, whose government keeps about two-thirds of the salaries of its doctors working abroad.

Para quem não lê inglês: dólares. Dólares, dólares, dólares. O fracasso retumbante do comunismo significa que o país precisa desesperadamente de moeda forte estrangeira. Para Cuba, qualquer outra consideração é secundária.

Em outras palavras, Cuba precisa do dinheiro do Mais Médicos muito mais do que o Brasil precisa desses serviços. Logo, o Brasil poderia usar essa relação para influenciar o governo cubano a fazer concessões: liberalizar a economia, libertar prisioneiros, conceder direitos econômicos adicionais, uso de bases militares, transferências de tecnologia, compartilhamento de inteligência ou sabe-se lá o quê. Com exceção das teorias da conspiração esperadas, ainda não encontrei nenhuma referência ao que o Brasil estaria ganhando nessa relação além dos serviços médicos, ou mesmo o que o PT está ganhando.

Obviamente, o Brasil já tem uma relação política e econômica com a ilha-prisão, mas o Mais Médicos me parece qualitativamente diferente dos acordos anteriores. Se alguma boa alma tiver uma explicação alternativa, ficaria grato pela indicação de um link ou dois. Mas duvido que haja muito o que dizer. Exercer influência, afinal, exigiria do Brasil um Ministério das Relações Exteriores relevante, um governo capaz de trabalhar em equipe e uma elite política com interesses internacionais além de ganhar status no clubinho ideológico.

(Para constar, manifestei minha posição favorável à vinda de médicos estrangeiros em posts no Facebook, como este e este, além de comentários diversos. Isso não significa, é claro, que acredito que o governo brasileiro está se cobrindo de glórias com a coisa toda.)

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Lançamento para Kindle: A Vinda do Kaiser

H. H. Munro (Saki): A Vinda do Kaiser

Três anos atrás, jurei que quando tivesse “tempo, saúde e paciência”, terminaria minha tradução de When William Came, o romance de história alternativa de H. H. Munro, o famigerado Saki. Pois chegou o dia. A Vinda do Kaiser: Uma História de Londres sob a Casa de Hohenzollern:

Neste romance de 1913, a Grã-Bretanha e a Alemanha entram em guerra, e os alemães se saem vitoriosos. Com o país invadido, a alta sociedade londrina tenta se adaptar aos novos conquistadores. Murrey e Cicely Yeovil, unidos pelo casamento e separados por suas convicções, descobrem suas novas vidas sob o jugo da Casa de Hohenzollern.

A Vinda do Kaiser é o segundo romance de H. H. “Saki” Munro, mais conhecido por seus contos satíricos e macabros. A história investiga as consequências sociais de uma derrota militar e ilustra a ansiedade britânica com um conflito que um ano antes já parecia inevitável.

Estou publicando exclusivamente na plataforma Kindle. Os motivos são os seguintes:

  • É barato para o leitor. Por ora, coloquei o preço em R$1,99. No futuro, caso decida experimentar com royalties maiores (70% em vez dos atuais 35%), as regras do programa me forçariam a aumentar o preço para R$5,99. Ainda é uma pechincha.
  • Pode ser lido em múltiplos aparelhos. Se você está lendo este post, então pode comprar o livro. A Amazon disponibiliza aplicativos de Kindle for iPhone, Kindle for iPad, Kindle for Android e Kindle for PC, entre outros. Para quem não quiser instalar um aplicativo, o Kindle Cloud Reader permite a leitura no navegador.
  • Nada de DRM. O sistema Kindle Direct Publishing me permite escolher se o autor quer usar DRM ou não. Para facilitar a vida das três pessoas que comprariam o livro e se importam com isso, optei por não usar. Tenho certeza que perderei dezenas de centavos com a pirataria. Paciência.
  • É fácil. Muito fácil. Eu usei o Sigil para criar um ePub a partir do HTML, mas a verdade é que poderia ter feito tudo com um arquivo .doc do MS-Word.
  • Duvido que alguma editora se interessaria por ele, e com certeza não estou com vontade de procurar novas oportunidades de rejeição. Se algum editor for da opinião contrária, vendo alegremente os direitos de uma edição de papel.

Para quem ainda usa seu Kindle com a conta americana, o link é este. A antologia de contos do Saki que publiquei pela Editora Hedra, Um Gato Indiscreto e Outros Contos, ainda não está disponível para Kindle, mas ainda se encontra em algumas livrarias desavisadas.

Como todo livro publicado na Internet precisa de um bônus, recriei o brasão do Império Alemão descrito pelos personagens, com as armas da Grã-Bretanha adicionadas às da Casa de Hohenzollern. Ficou assim. Finalmente, preciso agradecer minha esposa, Maria Karina Ferraretto, pelo trabalho de revisão e pela ajuda com a capa. Todos os problemas que restaram são culpa minha, as inúmeras melhorias são mérito dela.

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Vale-Cultura para Todos, Vale-Cultura para Tudo

Em seu blog, o Marcelo Träsel defende que o Vale-Cultura possa ser utilizado em assinaturas de jornais:

É uma oportunidade de ouro para garantir sobrevida às redações e ainda atender ao interesse público, agregando as camadas de menor renda da população ao espaço privilegiado de mediação política composto pelos jornais. Além disso, atenderia ao interesse do público, pois um dos primeiros investimentos realizados por famílias em ascenção das classes D e E para a classe C é a assinatura de jornais. Os pais de classe média tendem a considerar o consumo de notícias uma vantagem na educação dos filhos, de modo que esse grupo social tem sido um dos grandes responsáveis por um aumento da circulação de jornais impressos nos países em desenvolvimento até 2010.

E concordo, as assinaturas de jornais também deveriam ser permitidas. Os jornais diários são produtos culturais mesmo se adotarmos uma definição limitada de cultura, já que publicam ensaios, crônicas, textos literários, artes gráficas e diversos outros materiais exclusivos e originais.

Mas não temos por que adotar uma definição limitada de cultura. O mesmo argumento se aplica a outras possibilidades, outros provedores de serviços: as agências de viagem poderiam argumentar que conhecer outras cidades e países é uma forma de cultura, e logo deveriam poder se beneficiar do subsídio. As lojas de artesanato, pintura e assemelhados poderiam argumentar que permitem que seus clientes desenvolvam práticas culturais. Bares e restaurantes com música ao vivo. Escolas de ioga, de idiomas estrangeiros, de culinária. Lojas de aparelhos eletrônicos. O Microsoft Word e o Adobe Photoshop, o Kindle e o Kobo. A Igreja Católica e todas as protestantes, sem esquecer sinagogas, mesquitas, centros de meditação e templos diversos.

O Vale-Cultura já deve abranger alguns dos itens acima, mas por que não todos? Tudo isso é cultura. Em alguns casos o cliente paga para consumir um serviço ou produto cultural. Em outros, obtém as ferramentas que considera necessárias para produzir cultura. No caso de instituições religiosas, o pagamento é indireto, mas as doações claramente ajudam a sustentar uma parte importante da vida cultural dos usuários.

Aliás, a complexidade do consumo cultural é tamanha que o vale deveria poder ser gasto em qualquer coisa. Sendo assim, melhor entregar dinheiro e simplificar o processo. Como o governo já recolhe bastante dinheiro do segmento da população que seria beneficiado pelo Vale-Cultura, mais fácil ainda seria diminuir os impostos proporcionalmente, poupando o gasto com cobrança, recolhimento, fiscalização, etc. Sem esses passos desnecessários, sobraria ainda mais recursos e os brasileiros ainda teriam a oportunidade de decidir se querem gastá-los com cultura.

Minha proposta ainda teria a vantagem de reduzir os gastos com lobby e pressão no Congresso, já que a disputa pelo dinheiro ocorreria entre os consumidores, não junto aos políticos. Ninguém seria excluído, nem mesmo os jornais diários.

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