Nova Tradução: A Noite no Harém

À deriva na costa do Marrocos, Lorde George Herbert, capitão da marinha britânica, é resgatado pelas damas do harém do paxá local. Entre danças e afagos, risos e carícias, as nove concubinas contam suas histórias de paixão e sensualidade.

Publicado originalmente 1896, A Noite no Harém é um clássico do erotismo vitoriano.

Então, traduzi um livro erótico. Cento e vinte anos atrás, A Night in a Moorish Harem foi publicado anonimamente, por uma editora que precisava mentir sobre onde estava sediada, e mais de uma pessoa foi processada por possuir um exemplar. Era um daqueles livros passado de mão em mão, geralmente a esquerda. Agora está à venda na Amazon, em edição física e para Kindle:

A capa é um detalhe de Le Bain Turc, quadro Ingres de 1862. Como o livro narra a história de nove personagens femininas diferentes, a imagem pareceu particularmente apropriada:

A Noite no Harém

Finalmente, se alguém tiver curiosidade, o texto original em inglês está disponível aqui, mas por algum motivo a transcrição eliminou praticamente todas as quebras de parágrafo do texto. A minha tradução está arrumadinha. Existe também uma versão em quadrinhos em três volumes, mas para esta eu não tenho links.

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Julius Chambers

Hoje é o aniversário de 96 anos da morte de Julius Chambers, um pioneiro do jornalismo investigativo americano, ficcionista, editor, defensor dos direitos dos pacientes mentais, descobridor de lagos literalmente nas horas vagas e grande cultivador de bigodes, uma espécie que só o século XIX soube nos oferecer. Então preparei algumas coisinhas:

7-7-7-Cidade: Um Mistério do Telefone

  • Primeiro, traduzi “7-7-7-Cidade”: Um Mistério do Telefone, um conto de mistério de 1903. É uma espécie de technothriller em que o trabalho do detetive envolve investigar essa nova tecnologia transformando o cenário urbano, a saber, o telefone.
  • (Para ser honesto, também pensei: “Já que a crise econômica brasileira está me deixando sem serviço, quem sabe traduzo alguma coisa que a minha vó ia querer ler”.)
  • Em 1872, Chambers se fingiu de louco para passar dez dias em um manicômio. O resultado foi uma série de artigos que levou à reorganização do hospício, à libertação de doze pacientes sãos e a mudanças na lei sobre o tratamento dos doentes mentais. Alguns anos depois, esses artigos levaram Chambers a escrever A Mad World and Its Inhabitants. Para um caso de importância histórica, o livro é muito obscuro. Assim, enquanto lia, fui preparando essa edição para Kindle (versão US). A imagem da capa é uma gravura do hospício onde Chambers se internou, o Bloomingdale Asylum.
  • A Mad World and Its InhabitantsUsando o serviço de print-on-demand da Amazon, também criei uma versão impressa de A Mad World and its Inhabitants. Infelizmente, o sistema só disponibiliza o produto na Amazon US e na loja do próprio serviço (ver aqui). [Correção: está disponível na Amazon BR também.]
  • Finalmente, coloquei algumas passagens do livro em uma página do Medium e publiquei no Thoughts on Journalism. De quebra, inclui um retrato do autor que encontrei na maravilhosa coleção digital da Biblioteca Pública de Nova Iorque.

No processo, descobri outro recurso interessante: Chronicling America, um arquivo de jornais americanos históricos da Biblioteca do Congresso. Não conseguia encontrar a causa da morte de Chambers, mas cinco minutos achei o obituário indicando do que ele morrera e onde, nomes dos familiares, etc. Para os interessados, sugiro colocar o nome de um escritor favorito da época para descobrir menções em jornais, ilustrações que não acompanham as versões em livro que conhecemos e outras surpresas agradáveis.

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Dois Contos de W.E.B. Du Bois

81HaYTsJ3iL._SL1500_Como até onde sei esses contos do W.E.B. Du Bois nunca foram publicados no Brasil, como Du Bois é um gigante da história dos direitos civis e da luta contra o racismo, como eu adoro uma ficção científica velha e a crise econômica me deixou com um tempo livre forçado, aí estão: dois contos do Dr. W.E.B. Du Bois, sociólogo, historiador, ativista, fundador da NAACP, dândi, comunista, africanista, empreendedor, jornalista, ensaísta, editor, poeta e contista.

Acho divertido que os dois contos integram a primeira autobiografia do Du Bois. Se um dia eu escrever uma autobiografia, também quero um cometa criando um mundo pós-apocalíptico.

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Novo Conto de Mary Shelley em Português

Roger Dodsworth: O Inglês RessuscitadoTraduzi um conto da Mary Shelley, escrevi mais de 30 notas explicativas, coloquei à venda na Amazon.com.br pelo menor preço possível e descobri que definitivamente não sei mais escrever posts de autopromoção. O conto é Roger Dodsworth: O Inglês Ressuscitado e o resto dos detalhes estão no ebook em si.

(Por que colocar à venda na Amazon? Basicamente, tudo que escrevi quando publiquei A Vinda do Kaiser, do Saki, ainda se aplica: é barato, não dá trabalho, é de fácil acesso para os leitores, não tem DRM, procurar editoras interessadas é frustrante. As diferenças desta vez são que trabalhei com o LibreOffice em vez de HTML e que um conto obscuro me parece algo ainda mais difícil de oferecer por aí.)

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Explicando o Brasil, em Inglês

Estou colaborando para uma coleção no Medium, a Caveat Brasilis. Nela, escrevo um pouco sobre o Brasil em inglês. Meus dois primeiros textos envolvem dois congressistas de esquerda:

Too many C-sections? There oughtta be a law.Brazil’s Anti-Technology Minister of Technology

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Benched

Recomendado: Benched. Sim, tem uma trama romântica obrigatória. Não, nenhum episódio é particularmente brilhante, apesar de todos serem, no mínimo, bons. Mas mais do que isso, é uma comédia sobre um tema interessante que nunca trata o assunto com menos do que inteligência.

Benched é sobre uma advogada que perde tudo e vai trabalhar na defensoria pública. Lá, o antagonista principal não é o ex-noivo com pretensões políticas ou o juíz mal-humorado, mas o sistema: orçamentos limitados levam à pressão para não realizar julgamentos caros, leis excessivas sobrecarregam os advogados com clientes, punições difíceis de serem cumpridas prendem clientes dentro do sistema e assim por diante. Outra boa decisão é que quase todos os clientes são culpados, o que esvazia qualquer tentativa de criar uma narrativa heroica para os defensores, em contraste com praticamente todos os outros seriados sobre advogados desde a década de cinquenta.

A segunda temporada está parecendo cada vez menos provável, já que o canal americano, a USA Network, parece estar abandonando as comédias originais e ainda passou dois episódios por noite nas últimas duas semanas. Se os 12 episódios forem toda a história, paciência. Um final aberto é melhor do que final nenhum, e absolutamente todos os envolvidos saíram do projeto melhor do que entraram.

E é engraçado e tem a Eliza Coupe, a Maria Bamford e o Oscar Nuñez, o que deveria ser recomendação suficiente.

P.S.: Como esperado, o USA cancelou a série. Sim, ainda vale a pena baixar todos os 12, assistir tudo em uma semana e acender uma vela para Santa Netflix ou São Hulu trazerem uma segunda temporada.

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Dunk & Egg, The Winds of Winter, Etc.

Ainda sobraram algumas histórias passadas em Westeros: Dunk & Egg, os textos históricos, capítulos de The Winds of Winter; este post reúne comentários sobre esses textos. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones se aplicam.

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A Feast for Crows/A Dance with Dragons, Capítulo por Capítulo

Minhas anotações sobre o quarto e o quinto volume da série estão combinadas aqui, seguindo a ordem de leitura sugerida originalmente por Sean T. Collins em seu blog. Se alguém se interessar, o site também tem um link para uma ordem alternativa, sugerida para os marinheiros de primeira viagem. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones se aplicam.

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Por Uma Análise Probabilística da Rolling Stone

Richard Bradley, ex-editor da revista George e vítima de Stephen Glass, publicou um post questionando a veracidade da história de estupro coletivo na Universidade de Virgínia. O argumento de Bradley é mais ou menos o seguinte:

  • Tendo sido vítima de um jornalista que inventou os supostos fatos em suas matérias, ele aprendeu a reconhecer histórias falsas.
  • A história de Sabrina Rubin Erdely sobre o caso tem vários dos traços que levantam suas suspeitas, como falta de fontes que poderiam ser entrevistadas por outros jornalistas, detalhes “bons demais para confirmar” e corroboração de vieses dos leitores e editores.
  • Logo, a história tem probabilidade maior do que a média de ser falsa e merece investigações mais críticas.

Bradley não está afirmando nada sobre as mentiras de falsas vítimas estupro, um tema delicado e que não precisa ser discutido aqui. Ele está chamando a atenção para as mentiras perpetradas por jornalistas. Mas há um viés contrário que precisa ser considerado: a mesma história pessoal que torna Bradley mais atento a fraudes jornalísticas pode torná-lo mais apto a encontrar, digamos assim, pelo em ovo nas matérias alheias.

Em outras palavras, Bradley diz que aprendeu a evitar o erro tipo II (falso negativo), mas a mesma tendência pode levá-lo a cometer o erro tipo I (falso positivo) com mais frequência. Não que ele esteja necessariamente errado em questionar esse caso específico, claro. A única que essa história me ensina com certeza é que mais leitores, e mais editores, deveriam aplicar as ideias de Thomas Bayes às suas leituras.

P.S.: Bombardeada por críticas, especialmente uma matéria do WaPo, a Rolling Stone publicou uma nota de esclarecimento. A frase mais importante é a seguinte: “À luz das novas informações, agora parecem haver discrepâncias na narrativa de Jackie e chegamos à conclusão de que nossa confiança nela foi equivocada”. Minha esposa jornalista, ao ser informada sobre essa nota, diz: “Em outras palavras, ‘&%*$!’”.

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O Amadorismo da Hamburgueira 1903

Fui almoçar com minha esposa na Hamburgueria 1903, a rede de fast food que o Grêmio abriu na Rua da Praia. O pão e a carne e a batata eram melhores do que eu esperava. O resto, pior:

  • Para um restaurante que recém abriu, limpeza não parece ser uma preocupação importante. Vi mesas passarem bastante tempo sujas enquanto funcionários ficavam ociosos no caixa. Uma pessoa não uniformizada, talvez o gerente, limpava e arrumava o local de tempos em tempos.
  • A decoração é extramente impessoal. Algumas bolas, camisetas e troféus nas paredes, mas nada identificado ou característico. Nada de fotos autografadas, cartazes de times campeões, imagens de torcedores, artefatos realmente antigos, nada. Os monitores estavam passando um jogo de vôlei na SporTV. Não um jogo clássico do Grêmio ou um documentário sobre o time, mas apenas o mesmo que passa em qualquer restaurante do bairro.
  • Um dos nossos pedidos acompanhava coleslaw e maionese da casa, nenhum dos quais apareceu na nossa bandeja. Só percebemos a ausência quando fomos repassar o cardápio. Não deu vontade de reclamar.
  • O cardápio é um problema. Os nomes pouco descritivos e a letra pequena na sinalização do caixa e nos menus dificulta a escolha antes da chegada no caixa. Nada disso deve estar ajudando a eficiência do restaurante, o que explica as filas enormes que vi em horários de almoço mais tradicionais (nosso almoço foi às 14:30).
  • Fizemos o pedido no caixa e esperamos nosso número ser chamado com um grito, não com uma sinalização eletrônica. Cartazes de papel A4 pediam aos clientes para só escolher mesas depois de fazerem seus pedidos no caixa.
  • Nada de sobremesas. Qual é a dificuldade de comprar uma máquina de sorvete italiano e vender creme + creme com anilina?

Usar uma marca de time de futebol em um restaurante sugere que a comida vai ser uma preocupação secundária, mas a loja que encontrei parece não entender que a experiência precisa ir além de listras tricolores nas paredes e o logotipo do Grêmio em mesas de plástico. Se eu tivesse dinheiro para tanto, uma visita ao local não teria me dado vontade de ser franqueado. Duvido que visitarei o local muitas vezes, apesar de ficar a uma quadra do meu apartamento.

(Também no quesito “franquias no Centro Histórico de Porto Alegre”, o quiosque de picolés mexicanos Mexicas Fest no Rua da Praia Shopping é uma imitação pálida das opções que andaram aparecendo em outros shoppings da cidade (no caso, a rede Los Paleteros). O cardápio tem bem mais opções, mas as primeiras quatro ou cinco que pedi não estavam disponíveis. Menos variedade, mas um suprimento mais garantido, teria sido uma escolha melhor. Isso, e contratar alguém que conhece a palavra “baunilha” para revisar o cardápio antes da impressão. Aliás, precisar de um cardápio impresso por causa do número de opções é um mau sinal para um quiosque de shopping.)

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A Storm of Swords, Capítulo por Capítulo

E agora, minhas anotações da leitura de A Storm of Swords. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones e A Clash of Kings se aplicam. O próximo post desta série vai demorar para sair, pois lerei AFFC e ADWD simultaneamente.

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Diversos

  • Eu sempre soube que o fandom tinha nascido de verdade com Sherlock Holmes e os leitores obsessivos da época, que compilaram biografias de Holmes e criaram um clube que ainda existe. Relendo Boys’ Weeklies, um ensaio do Orwell sobre ficção infanto-juvenil, vejo que os fan boys já estavam cristalizados na década de 1930: leitores mais velhos do que o público-alvo, colecionadores fanáticos, sempre escrevendo com perguntas sobre minúcias e continuidade. Billy Bunter está quase esquecido, mas seu público segue vivo em espírito.
  • Na edição de 7/7/2014 de Econtalk, Mike Munger e Russ Roberts falam sobre a economia do compartilhamento. A parte mais interessante, mas também a menos completa, é o debate sobre MonkeyParking, o aplicativo que permite a venda de vagas de estacionamento gratuitas. São dois fãs de Hayek que sabem muito sobre a ideia de ordem emergente, mas eles parecem não reconhecer, ou não acham necessário mencionar, que esse é um exemplo perverso de direitos de propriedade emergentes, transformando a tragédia dos comuns em uma paródia da solução libertária tradicional para esse problema. Obviamente, o problema desapareceria (assim como o app) se as vagas de estacionamento tivessem direitos de propriedade reais e tradicionais, mas poucas áreas das políticas públicas são menos propícias a mudanças para melhor do que o trânsito e a escassez de estacionamento.
  • Reassistindo The Wire depois de alguns anos, um dos elementos que mais me chama a atenção é a importância da inteligência em todas as organizações apresentadas, incluindo acertos e erros. Por exemplo:
    1. A gangue de Marlo Stanfield ascende em parte por usar táticas de reconhecimento e ocultação mais sofisticadas. Os cadáveres escondidos dentro das casas abandonadas são o exemplo mais óbvio, mas não é só isso. Marlo e seus tenentes usam vigias disfarçados para proteger seus postos e identificam ativos em potencial entre a população civil.
    2. A polícia não sabe nada sobre os traficantes, mas os traficantes também não entendem a polícia. Proposition Joe é um dos criminosos mais bem informados, sabendo usar documentos públicos e perguntas inocentes para desenvolver seus planos, mas na quarta temporada ele fica genuinamente preocupado com a presença de um membro da Divisão de Crimes Graves, sem saber que a unidade foi estripada pelo alto comando da BPD.
    3. Diversas jogadas políticas ocorrem porque um ou outro participante — Burrell, Royce, Carcetti — tira conclusões precipitadas sobre as motivações dos adversários, apesar de terem todos os fatos em mãos. A análise não é menos problemática do que a coleta de inteligência.
    4. Kima tem uma relação incrível com Bubbs, sugerindo que ela sabe como ninguém avaliar o talento de uma fonte. E, ainda assim, ela coloca esse ativo valioso nas mãos do Sargento Hauk, provavelmente o policial mais incompetente de toda a série. Entender um lado da equação não significa entender o outro.
    5. Vários e vários personagens sabem sobre os cadáveres dentro das casas abandonadas, mas Lester e Bunk, os dois melhores detetives da série, não ouvem a informação de ninguém durante vários dias de busca. Pertencer a uma instituição ergue barreiras informacionais insuperáveis, por mais que os dois tenham contatos e raízes na comunidade local.
    Não devem faltar outros exemplos, mas eu não tomei notas. Da próxima vez que for reassistir a série inteira, faço como minha atual releitura de A Song of Ice and Fire e escrevo um parágrafo sobre cada capítulo. É o mínimo que merece o Grande Romance Americano dos últimos quinze anos.

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A Clash of Kings, Capítulo por Capítulo

E agora, minhas anotações da leitura de A Clash of Kings. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones se aplicam.

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O fracasso das greves em fast foods

Segundo o USA Today, centenas de funcionários de restaurantes de fast food aderiram a uma greve de um dia hoje. Centenas. Vamos ser generosos e dizer que foram mil. Isso significa que a greve foi um fracasso retumbante.

Só o McDonald’s tem cerca de 1.700.000 funcionários, e a greve também teria envolvido KFC, Wendy’s e Burger King, entre outras. Se todos os grevistas estivessem no Brasil e trabalhassem no McD (onde a empresa tem 50.000 funcionários), seria menos de 2% de ausência da mão de obra. Nesse ramo, o efeito seria praticamente impossível de distinguir do absenteísmo normal. E melhor nem entrar na questão dos ativistas políticos que fingem ser funcionários em greve e figurantes mal-pagos que costumam ser os principais participantes desse tipo de evento, transformando algo que pretende ser Realismo Socialista em Teatro do Absurdo.

A história toda me lembra a tentativa de fazer greves em Walmarts nos Estados Unidos, como descrito por Megan McArdle no ano retrasado, e do post de Jessica Flanigan sobre o preconceito de classe inerente a essas greves. Ideias a manter em mente da próxima vez que uma manifestação desse tipo for anunciada e elogiada nas redes sociais por gente que nunca come em restaurantes de fast food.

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Por Fora da Copa

Todo mundo deveria comprar Por Fora da Copa: Um guia sobre o que realmente importa no mundial, inclusive futebol (Kindle BR, Kindle US), do Eduardo Menezes.

Ou pelo menos todo mundo com QI acima de 115. É como ter 32 conversas com um amigo inteligente que entende a relação do esporte com o resto da vida e a sociedade, com a vantagem da transcrição estar arquivada para consultas futuras. São ensaios espirituosos e perspicazes, exatamente na medida certa para querer ler um segundo sempre que se termina o primeiro. Meus favoritos, aliás: Colômbia, Nigéria, México, Austrália, Chile.

Na dedicatória, o Menezes escreveu “Cisco, Por favor encontre todos os erros. Obrigado”. Não posso negligenciar a responsabilidade:

  • México, p. 19: Está escrito “a rede de que controlar um time” em vez de “a rede que controlar um time”.
  • Colômbia, p. 48: Está escrito “Robin Wood” em vez de “Robin Hood”.
  • Uruguai, p. 72: Menezes escreve que “não registramos tensões de fronteira durante toda nossa história”. A Guerra da Cisplatina discorda.
  • Estados Unidos, p. 138: O contraste entre “os cristãos do Celtic” e “os protestantes do Rangers” sugere que protestantes não são cristãos. Conheço quem talvez até concordasse, mas acho que o Menezes não é um deles.

Pronto, missão cumprida. Não tenho do que mais reclamar. Agora comprem, presenteiem, distribuam.

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