Leituras cabeçudas do dia

Este velho post de Megan McArdle sobre casamento gay (via ASS, em seu novo blog) e o recente ensaio de Steven Pinker sobre a inutilidade filosófica da dignidade.

Economia Pirata: Comprarei

O nome do livro de Peter Leeson sobre a economia pirata será The Invisible Hook: The Hidden Economics of Pirates.

Mudanças de treinadores na NBA

Eu ia escrever um parágrafo sobre cada novo treinador dos seis times da NBA que estão trocando de treinador (Milwaukee, Charlotte, New York, Dallas, Phoenix e Chicago), mas percebi que mais ou menos a mesma coisa vale para os seis: está na hora de implodir o time. Seja por problemas de personalidade, complacência ou más influências, todos esses times precisam reformar radicalmente seus núcleos. Alguns terão a sorte de vender na alta (Dallas, Phoenix), outros vão amargar prejuízos consideráveis (New York, Chicago), mas todos eles precisam de mudanças radicais na cultura.

Rick Carlisle (Dallas) e Mike D’Antoni (New York), por exemplo, só terão sucesso com jogadores e assistentes novos. De todos eles, o que tem mais chance de ter sucesso é Larry Brown (Charlotte), porque treinará um núcleo jovem e tem mais chance de ser respeitado, desde que sua experiência com o Knicks não tenha arruinado totalmente sua reputação na liga. Quando o problema é geral, não basta trocar a administração.

O NYT descobre o Steampunk

Aqui.

Justiça, idealismo e outras atrocidades

P.J. O’Rourke, de volta à forma:

2. Don’t be an idealist!

Don’t chain yourself to a redwood tree. Instead, be a corporate lawyer and make $500,000 a year. No matter how much you cheat the IRS, you’ll still end up paying $100,000 in property, sales and excise taxes. That’s $100,000 to schools, sewers, roads, firefighters and police. You’ll be doing good for society. Does chaining yourself to a redwood tree do society $100,000 worth of good?

Idealists are also bullies. The idealist says, “I care more about the redwood trees than you do. I care so much I can’t eat. I can’t sleep. It broke up my marriage. And because I care more than you do, I’m a better person. And because I’m the better person, I have the right to boss you around.”

Get a pair of bolt cutters and liberate that tree.

Who does more for the redwoods and society anyway — the guy chained to a tree or the guy who founds the “Green Travel Redwood Tree-Hug Tour Company” and makes a million by turning redwoods into a tourist destination, a valuable resource that people will pay just to go look at?

So make your contribution by getting rich. Don’t be an idealist.

O resto do texto não tem a ver diretamente com ambientalismo, mas vale a pena. Especialmente para todos que sentiram alguma irritação profunda com essa seção.

“You should be ashamed”

Discutindo o debate entre Tom Palmer (vice-presidente do Cato Institute) e Ciro Gomes (político brasileiro que merece apanhar), Diogo Costa comenta:

Precisamos de mais pessoas que zombem dessa pretensa glória e que coloquem o ônus de justificar a intervenção do governo em seus próprios ombros. A arrogância da elite política brasileira merece levar mais tapas retóricos na cara.

Sugiro que leiam tudo.

Previsões para o segundo round dos playoffs de 2008

Minhas previsões sobre o primeiro round não foram de todo ruins: algumas implosões foram mais rápidas e violentas do que eu imaginava (Denver, Toronto), mas ao contrário da maioria dos analistas, críticos, fãs e pitaqueiros, eu vi que New Orleans teria uma série relativamente fácil contra Dallas, e que Detroit teria problemas com Philly. Uma ou duas cestas no primeiro jogo teriam feito diferença para minha previsão para Suns-Spurs, e acho que ninguém fora de Atlanta imaginava que o Hawks ganharia algum jogo contra Boston, quanto mais três.

Logo, com toda a confiança de Charlie Brown correndo em direção à bola de futebol americano, vamos às previsões para o segundo round.

Boston-Cleveland: 4-2 Cleveland. Eu estava pronto para prever que Boston ganharia esta série com certeza, mas a série contra Atlanta indica que (a) Pierce não está totalmente recuperado e (b) Ray-Ray não tem mais o que o time precisa. Esperem uma coluna enorme do Simmons sobre o o embate entre Rajon Rondo e Delonte West.

Detroit-Orlando: 4-1 Detroit. Orlando é bem mais fácil do que Philly. Dwight Howard dará um show e todo mundo lamentará a impossibilidade de clonar Tayshaun Prince para que ele pudesse defender Rashard Lewis e Hedo Turkoglu ao mesmo tempo, mas no final dos 48 minutos este ainda é um time sem armadores e sem banco.

San Antonio-New Orleans: 4-3 San Antonio. Se Suns-Spurs tivesse durado mais, eu apostaria em Nawlins, mas a gerontocracia de San Antonio vai ter tempo demais para descansar e o Hornets não tem um SG/SF defensivo que possa desacelerar o Argentino Maldito. Falta um James Posey ou Quinton Ross ou um Raja Bell ou um, ach, Bruce Bowen.

Los Angeles-Utah: 4-3 Utah. O histórico do Jazz contra equipes treinadas por Phil Jackson não é dos melhores, mas este time do Jazz é grande demais e forte demais para LA. O resultado será um mês de “talvez Deron Williams seja melhor que Chris Paul”, depois de um ano de “como é que a gente pôde achar que Deron Williams era melhor que Chris Paul”, palavras que serão engolidas novamente em oito meses e regurgitadas em doze.

Postado por Cisco Costa | 04/05/2008 - 17:35:29 | Basquete | 1 comentário »

Notas para futuras teses de doutorado

* Uma coisa que eu gostaria de saber é se o crescimento do uso de cartões de débito levou a uma queda no número de assaltos e roubos. O menor uso de dinheiro de papel diminuiu os assaltos, roubos e latrocínios? Batedores de carteira andam mudando de ramo? Estabelecimentos com placas de “Visa Electron” são menos roubados do que seus irmãos sem placa, já que tem menos dinheiro de papel? Ou mais roubados, porque indicam que seus clientes têm contas bancários e são mais ricos? Se os assaltos se tornaram menos freqüentes, eles se tornaram (em média) mais ou menos violentos? Ou os ladrões são burros demais, e desligados demais da economia formal, para diferenciar seus alvos? Se houve algum efeito, quanto tempo levou desde a disseminação da tecnologia de cartões de débito até que o efeito aparecesse nos índices de criminalidade? Em algum lugar, há um experimento natural esperando para ser descoberto.

* Por que os índios brasileiros não absorveram tecnologias européias na escala que seus colegas norte-americanos (que adotaram, por exemplo, o uso de cavalaria)? Ou adotaram, e esse aspecto da história é subestimado e pouco ensinado? Falta de oferta, ou falta de procura? Custos de transação muito altos?

* Quantos acidentes por quilômetro rodado acontecem no Brasil? Por litro de gasolina consumida? O número muda em feriados? Se estes números não são controlados, como fazer uma aproximação? É o que eu sempre penso quando vejo notícias alarmistas sobre quantas pessoas morreram em acidentes de carro durante qualquer feriadão.

Postado por Cisco Costa | 04/05/2008 - 14:20:09 | Economia | 2 comentários »

Top Runs

O blog Comics Should Be Good, do CBR, recentemente pediu aos leitores que listassem suas runs favoritas, com o objetivo de criar um Top 100. Bem, aqui está a lista. Como é da natureza deste tipo de lista, alguns itens foram supervalorizados enquanto outros foram subvalorizados. Aqui estão cinco que achei supervalorizados e cinco que achei subvalorizados.*

Super:

1) 62. O Quarteto Fantástico de Waid e Wieringo. Histórias leves e engraçadas, conceitos novos e interessantes, senso de humor… mas nada de muito novo. Até mesmo o uso de Jack Kirby enquanto Deus não foi novidade, pois Alan Moore fez a mesma coisa em uma de suas últimas edições de Supreme.

2) 41. Os Vingadores de Kurt Busiek. Os leitores do do CSBG consideraram que o trabalho de Busiek foi superior ao de Roy Thomas e de Roger Stern. Busiek fez boas histórias, apesar de ter forçado o uso de alguns personagens próprios particularmente fracos (Garra de Prata, Triatlo), mas nada do que ele fez se equipara a “até um andróide pode chorar” (Thomas) ou ao ataque dos Mestres do Terror.

3) 32. Os Supremos de Millar e Hitch. No máximo medíocre. No máximo. Em dados momentos parece uma paródia da Liga do Morrison. Falando nisso…

4) 13. A Liga da Justiça de Grant Morrison. Tudo que eu disse sobre o Quarteto de Waid e Wieringo vale aqui.

5) 1. O Sandman de Neil Gaiman. Sandman é legal, Sandman é inteligente, Sandman é profundo. Mas, convenhamos: Sandman também é uma série que se leva incrivelmente a sério e depende bastante da sensação de estar lendo Uma Obra de Arte Importante. Em vários momentos, é como uma obra modernista que sempre será mais amada pela crítica do que por leitores de verdade.

Sub:

1) 100. O Mestre do Kung Fu de Doug Moench. Ação. Suspense. Mistério. Romance. Intriga. A última história de Shang Chi foi a primeira que li, e teve um efeito no meu cérebro semelhante ao uso de LSD entre certos artistas da década de 60. Falando em LSD…

2) 88. O Dr. Estranho de Stan Lee e Steve Ditko. O surrealismo puro e a experimentação formal de Ditko não podem ser subestimados. Antes do Dr. Estranho de Ditko, apenas Kirby e Eisner com tanto poder visual. Em um mundo justo, quadrinhos aleatórios daquelas edições de Strange Tales estariam pendurados em museus pelo mundo.

3) 77. O Super-Homem de John Byrne. Muitas das inovações de Byrne estão sendo deixadas de lado nos últimos anos, mas aquela série praticamente restabeleceu a possibilidade de se contar boas histórias com Kal-El e resgatou conceitos centrais do personagem. Pessoalmente, creio que suas versões para Lex Luthor e Krypton são as melhores.

4) 61. O Homem de Ferro de David Michelinie e Bob Layton. Em última análise, o personagem não existia de verdade antes de Michelinie/Layton, e praticamente tudo que se seguiu foi conseqüência ou influência destas histórias. Aquele filme trimmmassa no cinema? Michelinie/Layton. A seqüência que virá em uns dois anos? Michelinie/Layton. O alcoolismo, a intriga corporativa, as mulheres, James Rhodes? Michelinie/Layton.

5) 28. O Esquadrão Suicida de John Ostrander. Bumerangue. Pistoleiro. Waller. Oráculo. Não há uma única história do Esquadrão que não seja excelente, não há um único personagem mal-aproveitado.

* Os comentários excluem várias coisas que não li ainda, como Fables e 100 Bullets. Sim, eu sei que é uma lista de “favoritos”, não de “melhores”; humor me.

Postado por Cisco Costa | 04/05/2008 - 1:40:51 | Quadrinhos | 3 comentários »

Cinco motivos bobos para assistir Homem de Ferro

1) Obadiah Stane andando de Segway preta.

2) Os dez anéis.

3) Pilotos de avião com o codinome “Whiplash”.

4) Happy Hogan.

5) A cena depois dos créditos.

(Estes são apenas os motivos bobos. Há vários excelentes motivos para assistir Homem de Ferro, mas acho que deixarei posts mais sérios para a segunda ou terceira vez que eu assistir o filme.)

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