Lançamento para Kindle: A Vinda do Kaiser

 

H. H. Munro (Saki): A Vinda do Kaiser

Três anos atrás, jurei que quando tivesse “tempo, saúde e paciência”, terminaria minha tradução de When William Came, o romance de história alternativa de H. H. Munro, o famigerado Saki. Pois chegou o dia. A Vinda do Kaiser: Uma História de Londres sob a Casa de Hohenzollern:

Neste romance de 1913, a Grã-Bretanha e a Alemanha entram em guerra, e os alemães se saem vitoriosos. Com o país invadido, a alta sociedade londrina tenta se adaptar aos novos conquistadores. Murrey e Cicely Yeovil, unidos pelo casamento e separados por suas convicções, descobrem suas novas vidas sob o jugo da Casa de Hohenzollern.

A Vinda do Kaiser é o segundo romance de H. H. “Saki” Munro, mais conhecido por seus contos satíricos e macabros. A história investiga as consequências sociais de uma derrota militar e ilustra a ansiedade britânica com um conflito que um ano antes já parecia inevitável.

Estou publicando exclusivamente na plataforma Kindle. Os motivos são os seguintes:

  • É barato para o leitor. Por ora, coloquei o preço em R$1,99. No futuro, caso decida experimentar com royalties maiores (70% em vez dos atuais 35%), as regras do programa me forçariam a aumentar o preço para R$5,99. Ainda é uma pechincha.
  • Pode ser lido em múltiplos aparelhos. Se você está lendo este post, então pode comprar o livro. A Amazon disponibiliza aplicativos de Kindle for iPhone, Kindle for iPad, Kindle for Android e Kindle for PC, entre outros. Para quem não quiser instalar um aplicativo, o Kindle Cloud Reader permite a leitura no navegador.
  • Nada de DRM. O sistema Kindle Direct Publishing me permite escolher se o autor quer usar DRM ou não. Para facilitar a vida das três pessoas que comprariam o livro e se importam com isso, optei por não usar. Tenho certeza que perderei dezenas de centavos com a pirataria. Paciência.
  • É fácil. Muito fácil. Eu usei o Sigil para criar um ePub a partir do HTML, mas a verdade é que poderia ter feito tudo com um arquivo .doc do MS-Word.
  • Duvido que alguma editora se interessaria por ele, e com certeza não estou com vontade de procurar novas oportunidades de rejeição. Se algum editor for da opinião contrária, vendo alegremente os direitos de uma edição de papel.

Para quem ainda usa seu Kindle com a conta americana, o link é este. A antologia de contos do Saki que publiquei pela Editora Hedra, Um Gato Indiscreto e Outros Contos, ainda não está disponível para Kindle, mas ainda se encontra em algumas livrarias desavisadas.

Como todo livro publicado na Internet precisa de um bônus, recriei o brasão do Império Alemão descrito pelos personagens, com as armas da Grã-Bretanha adicionadas às da Casa de Hohenzollern. Ficou assim. Finalmente, preciso agradecer minha esposa, Maria Karina Ferraretto, pelo trabalho de revisão e pela ajuda com a capa. Todos os problemas que restaram são culpa minha, as inúmeras melhorias são mérito dela.

 
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Vale-Cultura para Todos, Vale-Cultura para Tudo

 

Em seu blog, o Marcelo Träsel defende que o Vale-Cultura possa ser utilizado em assinaturas de jornais:

É uma oportunidade de ouro para garantir sobrevida às redações e ainda atender ao interesse público, agregando as camadas de menor renda da população ao espaço privilegiado de mediação política composto pelos jornais. Além disso, atenderia ao interesse do público, pois um dos primeiros investimentos realizados por famílias em ascenção das classes D e E para a classe C é a assinatura de jornais. Os pais de classe média tendem a considerar o consumo de notícias uma vantagem na educação dos filhos, de modo que esse grupo social tem sido um dos grandes responsáveis por um aumento da circulação de jornais impressos nos países em desenvolvimento até 2010.

E concordo, as assinaturas de jornais também deveriam ser permitidas. Os jornais diários são produtos culturais mesmo se adotarmos uma definição limitada de cultura, já que publicam ensaios, crônicas, textos literários, artes gráficas e diversos outros materiais exclusivos e originais.

Mas não temos por que adotar uma definição limitada de cultura. O mesmo argumento se aplica a outras possibilidades, outros provedores de serviços: as agências de viagem poderiam argumentar que conhecer outras cidades e países é uma forma de cultura, e logo deveriam poder se beneficiar do subsídio. As lojas de artesanato, pintura e assemelhados poderiam argumentar que permitem que seus clientes desenvolvam práticas culturais. Bares e restaurantes com música ao vivo. Escolas de ioga, de idiomas estrangeiros, de culinária. Lojas de aparelhos eletrônicos. O Microsoft Word e o Adobe Photoshop, o Kindle e o Kobo. A Igreja Católica e todas as protestantes, sem esquecer sinagogas, mesquitas, centros de meditação e templos diversos.

O Vale-Cultura já deve abranger alguns dos itens acima, mas por que não todos? Tudo isso é cultura. Em alguns casos o cliente paga para consumir um serviço ou produto cultural. Em outros, obtém as ferramentas que considera necessárias para produzir cultura. No caso de instituições religiosas, o pagamento é indireto, mas as doações claramente ajudam a sustentar uma parte importante da vida cultural dos usuários.

Aliás, a complexidade do consumo cultural é tamanha que o vale deveria poder ser gasto em qualquer coisa. Sendo assim, melhor entregar dinheiro e simplificar o processo. Como o governo já recolhe bastante dinheiro do segmento da população que seria beneficiado pelo Vale-Cultura, mais fácil ainda seria diminuir os impostos proporcionalmente, poupando o gasto com cobrança, recolhimento, fiscalização, etc. Sem esses passos desnecessários, sobraria ainda mais recursos e os brasileiros ainda teriam a oportunidade de decidir se querem gastá-los com cultura.

Minha proposta ainda teria a vantagem de reduzir os gastos com lobby e pressão no Congresso, já que a disputa pelo dinheiro ocorreria entre os consumidores, não junto aos políticos. Ninguém seria excluído, nem mesmo os jornais diários.

 
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Apostas antigas

 
  • No dia 08 de agosto de 2009, apostei com o Cardoso que neste dia a maconha ainda não estaria legalizada ou descriminalizada em Porto Alegre. Mais especificamente, apostei que não existiria um café nos moldes daqueles que existem em Amsterdam. Se estou certo, o ruivo me deve cinquenta reais; se estou errado, devo cinquenta reais a ele.
  • No dia 30 de dezembro de 2009, apostei com o Rico Ferrari (aka Láudano) que neste dia, 500 dólares valeriam mais do que 30 dólares valiam em 2009. Mais especificamente, os termos da aposta liam, em um guardanapo de mesa de bar há anos perdidos para a história: “Se U$30 (2009) > U$ 500 (20/12/2012), Cisco dá U$500 (20/12/2009) a Rico; Se não, Rico dá U$ 500 (20/12/2009) a Cisco”. Solon Godinho Brochado, testemunha.
 
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Amazon chegou. E agora, o que faço com meu Kindle?

 

Minha esposa passou a conta dela para a versão brasileira da Amazon. Resultado: NÃO pode mais comprar ebooks pela loja americana. Aparece um aviso dizendo que os livros estão disponíveis na loja brasileira.

Algumas buscas rápidas revelaram que os livros em inglês estão à venda na loja brasileira pelos mesmos preços. Logo, o usuário não perde o acesso ao catálogo da loja americana. O problema que alguns usuários informavam ontem de madrugada era que nem todos os preços estavam iguais: o livro do Nate Silver, por exemplo, aparece em duas edições diferentes para Kindle, uma das quais custa quase o dobro da outra. Já os livros brasileiros não aparecem no catálogo da nave-mãe, o que é má notícia para a diáspora brasileira nos EUA.

Eu não vou transferir a minha conta, não por ora. Meu plano inicial é adquirir um Kindle Paperwhite em algum momento e vincular meu aparelho antigo (um Kindle 3) à conta da minha esposa, que consome livros principalmente em português (cada conta pode ter até 5 aparelhos), o que nos permitiria dividir esses títulos. Mas talvez troque semana que vem, ou mês que vem, quando comparar com mais calma os dois acervos e ouvir mais experiências positivas dos amigos e de outros usuários.

Mas isso é porque 99% do que quero ler está em inglês, uma língua com a qual obviamente não tenho a mínima dificuldade. Então a troca não me beneficia em quase nada, especialmente considerando as características peculiares da leitura aqui em casa. Para todo mundo que pretende usar o catálogo da loja brasileira, mesmo que para apenas 10% de sua leitura, vale a pena. Ainda mais por que então não precisa mais pagar IOF.

Então: Troquem. Eu já vou atrás, de uma forma ou de outra.
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Cinco Coisas que Eu Mudaria no Futebol

 

Meu interesse por futebol é algo entre ínfimo e nulo. Como sou um homem brasileiro, entretanto, minha falta de interesse em si é algo sobre o qual penso de vez em quando e debato com os amigos. Minha impressão é que mesmo os fãs de futebol ficam insatisfeitos com certos aspectos do esporte. Assim, as sugestões abaixo representam ideias que, creio, melhorariam o produto oferecido a eles. Eu continuaria sem assistir.

  1. Penalty Box: Quando um jogador fizesse uma falta digna de cartão amarela, ele seria forçado a passar de 5 a 15 minutos fora de jogo e longe do banco de reservas. O resultado seria um período de desvantagem numérica e risco maior de tomar gols, forçando os zagueiros a serem mais habilidosos e menos violentos na defesa. Sugiro o nome “casinha”, apenas para que algum narrador possa transformar “Fulano está fora da casinha!” no seu novo bordão.
  2. Um Desafio por Tempo: Quem é contra a ideia argumenta que o futebol é um jogo sem paradas e que parar a partida o tempo inteiro para disputar cada decisão da arbitragem descaracterizaria o jogo. E o argumento está certo. A solução é limitar o desafio a um por tempo por time, a ser pedido pelo treinador ou pelo capitão. Creio que um dos efeitos benéficos secundários seria uma redução drástica nas aglomerações de jogadores em torno do juiz. Imagino um diálogo mais ou menos assim:

    “Estava impedido!”
    “Não, não estava.”
    “Porra, claro que estava.”
    “Desafio? Não? Então cai fora ou te mando para a casinha.”

  3. Árbitro no Camarote: Um auxiliar com visão do alto, acesso a câmeras, comunicando-se com o árbitro principal sempre que necessário. Esse bandeirinha aéreo ainda teria a vantagem de não estar no campo, sujeito ao carisma e intimidação dos jogadores.
  4. Saldo de Gols, Não Pontos: Quando um time abre 1×0, o incentivo de fazer um segundo gol diminui e o de não levar um gol aumenta. Depois de 2×0, a vantagem da retranca só cresce. O jogo fica mais fechado. A retranca se torna perfeitamente racional. Nos últimos minutos, o time que está perdendo não tem mais por que competir.

    A solução é classificar os times pelo saldo de gols. Dessa forma, marcar um gol adicional é sempre tão importante quanto impedir que o adversário diminua a diferença. Nenhum dos times jamais teria qualquer incentivo para não atacar ou para se descuidar da defesa. O time que está ganhando de 4×1 ainda precisaria se defender e impedir o 4×2. O time que está perdendo de 5×0 não precisaria ficar desestimulado, pois um gol aos 47 do segundo tempo ainda valeria o esforço.

    (Eu imagino que seria necessário impôr um limite ao saldo válido em cada jogo, para impedir placares do tipo 76×0. Seria uma medida especialmente importante em campeonatos nos quais os times não são equilibrados, como a Copa do Mundo.)

  5. Mais Experimentação com as Regras: Isso é algo que eu sugeriria para os jogos amadores, segundas divisões e ligas juvenis. Diferenças de regras pequenas podem criar espetáculos diferentes e se adaptar melhor às diferenças entre os diversos tipos de atletas.

    Por exemplo, ligas juvenis poderiam proibir o jogo aéreo (para prevenir concussões), permitir substituição ao estilo hóquei para o goleiro (vantagem numérica no ataque, risco maior de contra-ataque), conceder meio gol para o visitante (forçando o time a jogar no ataque na frente da própria torcida), redividir a partida (por exemplo, em três terços para oferecer mais descansos) e muitas outras ideias que só ocorreria a quem realmente gosta do esporte. Algumas inovações se tornariam populares e poderiam ser adotadas por ligas maiores, outras desapareceriam com o tempo. O importante é rejeitar a ideia de que as regras como existem hoje não podem ser aperfeiçoadas. Ela é falsa em qualquer esporte e qualquer outra atividade humana. Futebol não é exceção.

Mais gols, menos violência, mais equilíbrio entre ataque e defesa, arbitragem melhor, mais inovação. Algumas dessas ideias provavelmente teriam consequências imprevistas negativas, como ocorre com qualquer mudança de regras, mas é justamente por isso a quinta sugestão é a mais importante: transformar cada campeonato em um minilaboratório do futebol sem exigir que as organizações se comprometessem definitivamente com mudanças permanentes.

Tudo isso leva à pergunta de por que a inovação do produto é tão lenta. A resposta está na estrutura do mercado. Os times inovam e competem entre si, mas as ligas nacionais e regionais são quase monopolistas. É algo que acontece em outros esportes também. Não é coincidência que várias inovações da NBA, por exemplo, ocorreram quando a liga estava em perigo de extinção (o shot clock na década de 50) ou enfrentava um concorrente direto (a ABA de 1967 a 1976).

Aguardo longa tréplica por parte do filósofo-mor do Impedimento.

 
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Los Angeles decidiu expulsar a indústria da pornografia. E agora?

 

Os eleitores de Los Angeles ontem aprovaram uma coisa chamada Measure B, pela qual atores pornôs serão forçados a usar camisinha. Além disso, as produções terão que pagar uma taxa para financiar a fiscalização do uso de camisinhas. A medida foi patrocinada por grupos que lutam contra a AIDS e, creio, uma boa oportunidade para uma análise econômica amadora.

No curto prazo e na margem:

  1. Os vídeos com uso de camisinha aumentarão um pouco e o salário de todos os envolvidos (não só dos atores) cairá bastante. Duvido que a demanda por vídeos dessa natureza seja elástica, então os preços vão despencar.
  2. O mesmo fenômeno de maior oferta e salários menores vai ocorrer com a pornografia, digamos assim, afálica: lesbianismo, BDSM sem penetração, masturbação, fetiches. Tudo que puder escapar dessa lei. Mas isso depende da natureza da lei: não duvido que alguém decida fiscalizar o uso de camisinhas em cenas solo.
  3. Atores e atrizes vão aumentar seu portfólio de serviços e se concentrar naqueles que não envolvem câmeras, a saber, prostituição e strip-tease. Muitas já fazem ambos; agora mais delas vão entrar nesses ramos ou dedicar mais tempo a eles.
  4. Esses outros serviços também vão ficar mais baratos, porque a oferta cresceu de repente. Logo, dar uma festinha de arromba acaba de ficar mais acessível em LA. Só não pode filmar.
  5. O mercado negro e a produção ilegal vai aumentar em Los Angeles. Isso significa mais violência contra atrizes, menos precauções com saúde, mais fraude e mais corrupção das autoridades que deveriam fiscalizar o processo.

No médio prazo:

  1. Muitos profissionais também vão mudar para outras cidades que já têm núcleos de produção de pornografia, especialmente San Francisco e Miami. Na medida em que essas pessoas levam consigo outros serviços (strippers, prostituição, produção de vídeo), esses serviços ficarão mais competitivos nesses locais. É provável que algumas empresas de Los Angeles tentem se mudar, mas muitas vão simplesmente falir, abrindo espaço para o crescimento de empresas de outros lugares. Destruição criativa pura e simples.
  2. Devido a esse processo de destruição criativa, talvez a pornografia passe por um momento de inovação nos próximos anos. Talvez mude a estética, talvez os métodos.
  3. Outros profissionais vão se aposentar do ramo. A pornografia, por sua própria natureza, atrai profissionais jovens, mas muitos trabalhadores têm filhos, maridos, segundos empregos, escolas, vidas em Los Angeles. Essa gente não pode se mudar geograficamente e, logo, vai se mudar para o próximo degrau inferior da escala econômica.
  4. Os mesmos serviços que ficaram baratos no curto prazo vão ficar bem mais caros no longo prazo, pois a migração econômica vai destruir os poucos ganhos de escala que havia no setor. Ou seja, Hollywood, melhor organizar aquelas festas para ontem.

No longo prazo:

  1. Nada. A indústria pornográfica está passando por uma revolução de origem tecnológica. Medidas como essa são uma gota no oceano. Ela terá um efeito líquido negativo, vai piorar a vida de muita gente, especialmente mulheres, vai destruir a vida de algumas vidas, vai enriquecer alguns produtores em SF e Miami. Mas em vinte anos, talvez menos, será irrelevante para o setor enquanto tal.

Alguém sai ganhando nessa história? Os ativistas que defenderam a medida conquistaram uma certa utilidade psíquica, pois podem gritar “vencemos, vencemos”, mas o resultado vai ser mais infecções entre os profissionais do setor, não menos. Os conservadores sociais vão expulsar a pornografia da cidade; ironicamente, no paradigma bootleggers and baptists, os batistas são os contrabandistas da história.

Essa história também revela um pouco sobre a mecânica dos movimentos políticos: quando uma causa triunfa, os ativistas não se dedicam a outros problemas importantes ou à vida normal. Eles são especialistas, então passam a se dedicar a aspectos cada vez mais marginais da causa. Em vez de desviar o foco, os ativistas o estreitam, e acabam por causar mais mal do que bem.

 
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Como Punir Vândalos

 

Nos comentários de um post meu no Facebook sobre vandalismo e bicicletas, perguntaram “E porque não punir o vandalismo com mais rigor?” Como minha resposta, inspirada pelo que entendo da obra do Mark Kleinman, foi detalhada, achei que valia a pena reproduzi-la neste blog subnutrido:

Porque a eficácia da punição depende de uma combinação de Certeza (probabilidade de ser pego) e Rigor (punição quando pego) e vândalos assim têm imaginação limitada. Um vândalo perfeitamente lógico veria os dois cenários a seguir como igualmente indesejáveis:

5% de probabilidade * 10 anos de cadeia
50% de probabilidade * 1 ano de cadeia

Ambos seriam iguais a 0,5 anos¹ por um ato de vandalismo. Mas devido à baixa inteligência e à imaginação limitada, o vândalo não é perfeitamente lógico e o segundo cenário acaba sendo muito mais eficaz do que o primeiro. Além disso, quando a pena é rigorosa demais, policiais, promotores e juízes têm um ônus muito maior, já que ninguém quer aplicar uma punição excessivamente rigorosa a um indivíduo real. Logo, é preciso um sistema em que o vândalo é pego e punido com mais frequência, mas não necessariamente com mais rigor.

¹ Seis meses de cadeia é apenas exemplo, obviamente. A punição correta para quem vandaliza bicicletas públicas é 10 chibatadas com a correia de uma Calói vintage.

 
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The Lands of Ice and Fire em Pré-Venda no Brasil

 

Para quem precisa ter tudo de A Song of Ice and Fire: a Cultura finalmente colocou em pré-venda The Lands of Ice and Fire, o conjunto de mapas que será publicado no final de outubro.

Boa oportunidade para se irritar com a legislação brasileira, aliás. Preço da Cultura: R$113,70. Preço da Amazon: USD36,38 (incluindo frete). Imposto de importação: USD 34,60. Total da Amazon: USD 70,98, ou cerca de R$140,00, unicamente por protecionismo.

 
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Uma Guarda Real Hipotética

 

Para quem está lendo As Crônicas de Gelo e Fogo: no site de fãs Tower of the Hand, um artigo meu (em inglês) sobre A Guarda Real Que Poderia Ter Sido. Alguns spoilers para os volumes 1, 3 e 5, mas de interesse real apenas para quem já leu tudo.

 
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O que o taxista fez?

 

Criei um projeto novo hoje, chamado O que o taxista fez? Porto Alegre. A nova aba no alto deste blog leva ao formulário, onde você pode informar se sofreu algum problema em um táxi portoalegrense. Os resultados são a parte mais importante: uma lista com todas as reclamações. Assim, antes de entrar em um táxi, basta acessar a página e ver se o número identificador do veículo está listado.

Obviamente, quanto mais o serviço for utilizado, mais útil será. Se alguém quiser roubar a ideia para outra cidade, vá em frente. É só um formulário com dois campos no Google Drive. E se alguém quiser criar uma versão melhor para Porto Alegre — um app, um banco de dados decente, tanto faz — melhor ainda. Sinta-se à vontade para roubar os dados e expandir seu banco de dados. A concorrência só beneficia o cliente.

E agora com Twitter! Sempre que a lista for atualizada, uma mensagem automática aparecerá na sua timeline. Basta seguir @OQTaxiPOA. O sistema funciona por meio do serviço IFTTT, sugerido pelo professor Marcelo Träsel. Usarei para mais coisas no futuro. O serviço, não o Träsel. Ele objetaria à reificação.

Detalhe: Todo projeto precisa de critérios de avaliação. Neste caso: se em duas semanas ninguém estiver preenchendo o formulário, vou apagar o arquivo, publicar os dados aqui, enviar os resultados para a EPTC e escrever um post-mortem para quem quiser tentar algo semelhante no futuro.

Resultado: Pouca gente anda usando o sistema, mas decidi deixá-lo no ar como protótipo de teste para outro projeto que estou desenvolvendo. Minhas hipóteses sobre por que o uso foi baixo: (1) possíveis usuários esquecem que o sistema existe; (2) as experiências ruins são menos frequentes do que se imagina; (3) os possíveis usuários acham que a reclamação não vale a pena, pois o benefício que ela gera é menor do que o bom e velho vou-xingar-muito-no-Twitter; e (4) o usuário pensa sobre o problema antes de inserir uma reclamação menos grave e acaba perdoando ou relativizando o motorista. Aceito outras sugestões.

 
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Acemoglu e Por que os Países Fracassam

 

Na edição desta semana do Econtalk, Russ Roberts entrevista Daron Acemoglu para falar sobre o novo livro deste, Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty.¹ Em geral, sempre termino de ouvir o podcast pensando “aprendi com a entrevista e gostei, mas não preciso tanto assim do livro”. Desta vez, não. As ideias de Acemoglu sobre como o Botsuana conseguiu se dar bem no período pós-colonial, a relativa semelhança entre os modelos coloniais britânicos e espanhóis, a tragédia da Argentina e os problemas de mensuração na União Soviética, tudo me fez acreditar que o resto do livro vale o investimento de tempo. Lerei.

Para os interessados, é só baixar o MP3 aqui.

¹ Em coautoria com James Robinson, mas lamentavelmente não o mesmo James Robinson que escreveu Starman e A Era de Ouro.

 
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Sucessão em Westeros

 

Uma das partes mais frustrantes da minha releitura de A Song of Ice and Fire é que todo mundo assistiu e adorou Game of Thrones, mas ninguém avançou para os volumes seguintes. Logo, quero conversar sobre umas 4 mil páginas de spoilers e nenhum interlocutor. Felizmente, é para isso que este blog existe.

Não sei se escreverei outros posts sobre os livros no futuro, mas este vai ser uma oportunidade para ruminar sobre a importância da sucessão. Desnecessário dizer, SPOILERS. Sobre todos os livros. Todos os oito. E talvez até a prévia de The Winds of Winter.

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Coreia do Norte: Nada Muda

 

Todo mundo já deve ter assistido as cenas de choro na Coreia do Norte. Sem dúvida nenhuma, muitos ficaram impressionados com a aparente sinceridade dessas pessoas. Eu só consegui lembrar do sexto capítulo de Nothing to Envy: Ordinary Lives in North Korea, o livro de Barbara Demick sobre o cotidiano na Coreia do Norte. Os dois parágrafos a seguir se referem às cenas após a morte de Kim Il-Sung, o ditador original, mas poderiam ser publicadas sem alteração sobre as cenas atuais:

The histrionics of grief took on a competitive quality. Who could weep the loudest? Who was the most distraught? The mourners were egged on by the TV news, which broadcast hours and hours of people wailing, grown men with tears rolling down their cheeks, banging their heads on trees, sailors banging their heads against the masts of their ships, pilots weeping in the cockpit, and so on. These scenes were interspersed with footage of lightning and puring rain. It looked like Armageddon.
(…)
What had started as a spontaneous outpouring of grief became a patriotic obligation. Women weren’t supposed to wear makeup or do their hair during a ten-day mourning period. Drinking, dancing, and music were banned. The inminban kept track of how often people went to the statue to show their repsect. Everybody was being watched. They not only scrutinized actions, but facial expressions and tone of voice, gauging them for sincerity.

 
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“Eu sou o 1%. Vamos conversar.”

 

Agora com legendas em português.

 
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Pronto para Recomeçar

 

Às vezes eu não sei o que passa na cabeça das distribuidoras quando traduzem títulos de filmes. Não estou me referindo aos clássicos Barulhos Da Pesada ou os subtítulos descritivos vazios (“Tempo de Violência”, “Uma Rajada de Balas”). Esses eu entendo. Se o filme não é para mim, o título não é para mim. O problema é coisas como “Pronto para Recomeçar” (Everything Must Go).

O protagonista passa o filme inteiro sofrendo uma recaída, cercado de todos os seus objetos pessoais, totalmente incapaz de seguir em frente. Pronto para nada, quanto menos para recomeçar. Além disso, é um filme sério, um exemplo bom e discreto do gênero “comediante mostra que sabe fazer drama” com talvez dois minutos de algo que talvez pudesse ser chamado de romance por uma matrona vitoriana particularmente conservadora. O público das comédias românticas e melodramas homem-de-meia-idade-redescobre-o-amor ignora o filme quando descobre mais detalhes, enquanto o verdadeiro público-alvo presta menos atenção do que poderia.

Talvez eu devesse parar de reclamar. Tinha mais seis pessoas na sala de cinema e eu fiquei decepcionado quando cada uma delas entrou. Ou pior, podiam ter batizado de “Liquidou Geral” ou “Torra-Torra”.

 
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