Uma Breve Explicação Econômica de Por Que a Prata da Casa Vale Mais que o Jogador Trazido de Fora

Qualquer fã de esporte coletivo conhece o fenômeno: os jogadores trazidos de outros clubes parecem ganhar um salário desproporcional a seu rendimento em campo, na quadra ou, no caso do polo aquático, imagino, na piscina. Como a maioria dos torcedores conhecem melhor a folha de pagamento do seu time do coração, não o da liga em geral, parece que é apenas o seu time que é incompetente e não sabe avaliar o talento alheio, ou que dado a maracutaias nas quais porcentagens de salários inflados são devolvidos por baixo dos panos. Na verdade, o problema é universal.

A explicação é simples e tem nome: A Maldição do Vencedor.
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Machado de Assis em Edição Bilíngue

A New London Librarium, uma editora cooperativa americana, vai publicar uma edição bilíngue de contos do Machado de Assis chamada Ex Cathedra, em parceria com a editora brasileira Fogão de Lenda. Por ora, está disponível apenas em edição física (Amazon US), mas um dos editores me informa que o ebook deve estar disponível em algumas semanas.

E, não, eu não estou envolvido com essa publicação. Os contos do Machado que ajudei a traduzir, publicados apenas para Kindle, estão disponíveis aqui.

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A Game of Thrones, Capítulo por Capítulo

Começando no dia 1º de janeiro, comecei minha a reler todo A Song of Ice and Fire, um capítulo por dia, como fiz da última vez. A diferença é que decidi fazer alguma pequena observação sobre cada capítulo, umas maiores, outras menores. Uns capítulos li no Kindle, outros ouvi na versão lida por Roy Dotrice. Alguns comentários serão sobre os personagens, outros sobre a adaptação da HBO. Uns serão observações triviais e irrelevantes, outros eu mentirei para mim mesmo que são investigações profundas e penetrantes sobre temas centrais do texto.

Naturalmente, Spoilers.

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Uma carta minha na última mailbag de Bill Simmons

Q: I live three miles from where a few World Cup games will be held in a few months. The street next to the stadium is such a hot mess, Joe Dumars is trying to trade for it.
—Francisco, Porto Alegre, Brazil

SG: And he’s doing it with two phones!

E depois, uma foto de Joe Dumars falando em dois telefones. Ainda não sei qual é mais terrível, as obras da Copa perto do Beira-Rio ou o contrato do Josh Smith. Ou qual vai sair mais caro, aliás.

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A Genética do Esporte e uma ideia de site

A Genética do Esporte: Como a biologia determina a alta performance esportiva¹, de David Epstein, é excelente. Uma história interessante e uma ideia instigante em cada página, uma longa reportagem que mistura ciência e esporte na medida certa. Recomendo o livro, sem reservas, para qualquer jornalista esportivo, fã de esportes com QI acima de 120 pontos, diretor de recursos humanos, leitor de Malcolm Gladwell, professor de educação física, corredor frustrado, atleta ocasional, pessoa com opiniões fortes sobre doping, leitor de Tyler Cowen e/ou indivíduo inteligente em geral. Para quem fala inglês e quer uma palhinha, o episódio de Econtalk com Epstein é excelente.

E o livro também me deu uma ideia para um site.

Resumidamente, o usuário do site informaria suas medidas e o serviço informaria qual esporte melhor se adapta ao seu corpo. As medidas não seriam simplesmente altura e peso, mas detalhes como cintura, envergadura, circunferência do tornozelo, comprimento do antebraço, altura do umbigo, largura dos ombros e assim por diante. O sistema analisaria as informações fornecidas para determinar quais atividades melhor se adaptam ao corpo do usuário. Assim, por exemplo, um homem de pernas curtas seria informado de que deveria nadar e não correr, alguém com braços compridos descobriria que nasceu para o tênis e assim por diante.

A utilidade desse serviço seria que muita gente sedentária não pratica atividades físicas porque simplesmente nunca entrou em contato com os esportes certos. A história é prosaica: o indivíduo experimenta uma ou duas atividades inadequadas para si quando é jovem, conclui que não é bom em esportes e nunca se interessa pelo assunto de novo. Um pouco de orientação desinteressada, sem julgamento ou reprovação social, faria a diferença para muita gente. Não que qualquer um possa ser um atleta, mas, por definição, alguma atividade sempre é comparativamente melhor para cada indivíduo do que as outras. Eu consigo imaginar o RH de uma grande empresa contratando o serviço antes de construir uma academia no campus ou montar um grupo de corrida, por exemplo.

Um serviço como esse também poderia ser complementado por consultorias individuais. O problema de descobrir qual o melhor esporte para cada um é o bom e velho Problema do Principal-Agente. Em poucas palavras, quem faz a avaliação sempre tem algum conflito de interesse ou viés inconsciente. Todo professor de academia acha que você precisa fazer musculação. Líderes de grupos de corrida acham que qualquer um pode ser maratonista. Natação é o esporte mais completo. Et cetera. Uma empresa que prestasse essa consultoria uma vez, sem interesse em uma relação contínua com o cliente, estaria gerando valor incrível para ele. A empresa também poderia oferecer serviços mais avançados, desde a medição do VO2 Max até biópsias do tecido muscular. Nesse momento, começo a pensar em expressões como “identificação precoce”, “cauda longa” e “massa crítica”, mas as consequências me parecem óbvias o suficiente que não preciso entrar em detalhes.

Ou talvez só pareçam óbvias porque li A Genética do Esporte, e você também deveria.

¹ Eu li o livro no original e até começar este post, nem sabia que havia sido traduzido. Parabéns para a Campus pela escolha, espero esteja vendendo bem.

(Talvez o serviço já exista e eu apenas não saiba, claro. Não seria a primeira vez.)

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Um Tumblr Vagamente Útil

Cada vez que eu leio um artigo e gosto dele, aperto o botão Like & Archive do Instapaper e mando o link para Ciscocosta.tumblr.com. Se a curadoria ainda serve para alguma coisa na web, aí está o link.

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A Vinda do Kaiser de Graça na Amazon

O ebook de A Vinda do Kaiser está de graça na Amazon até sexta-feira.

Não consegui determinar a data exata em que o livro foi publicado em 1913, mas as resenhas e cartas começaram a aparecer mais ou menos nesta época. Além disso, semana passada foi o aniversário de 97 anos da morte do autor (últimas palavras: “Apague esse maldito cigarro!”). Gostaria de dizer que a promoção se deve a esses dois fatores, mas a verdade é que acabei de descobrir como oferecê-lo de graça, ainda que apenas por tempo limitado. Vamos ver se funciona.

(Para quem usa a Amazon americana, o link é este.)

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Por que Cuba está mandando médicos para o Brasil?

Fazendo buscas na pobre e minúscula Internet brasileira, parece que a imprensa não está muito interessada em por que Cuba está exportando médicos para o Brasil pelo programa Mais Médicos, considerando a notória aversão da ilha em deixar seus habitantes-prisioneiros viajarem. A impressão que tenho, assistindo o debate, é que a esquerda imagina que a ditadura cubana é motivada pelo humanitarismo e fraternidade sul-americana, enquanto a direita enxerga apenas espionagem e eventual apoio a um golpe de estado petista. A inocência da coisa toda chega a ser tocante.

A Economist, no entanto, sabe a resposta certa:

For Cuba, the deal represents a handy source of hard currency. It overproduces doctors and nurses, and has long sent them abroad, for humanitarian or propaganda reasons. Increasingly, it is charging for them. Venezuela provides Cuba with a massive subsidy under the guise of paying for the services of 30,000 doctors and other professional staff. Brazil insists no subsidy is involved. But the size of the planned contract, worth around $150m a year, makes it valuable for Cuba, whose government keeps about two-thirds of the salaries of its doctors working abroad.

Para quem não lê inglês: dólares. Dólares, dólares, dólares. O fracasso retumbante do comunismo significa que o país precisa desesperadamente de moeda forte estrangeira. Para Cuba, qualquer outra consideração é secundária.

Em outras palavras, Cuba precisa do dinheiro do Mais Médicos muito mais do que o Brasil precisa desses serviços. Logo, o Brasil poderia usar essa relação para influenciar o governo cubano a fazer concessões: liberalizar a economia, libertar prisioneiros, conceder direitos econômicos adicionais, uso de bases militares, transferências de tecnologia, compartilhamento de inteligência ou sabe-se lá o quê. Com exceção das teorias da conspiração esperadas, ainda não encontrei nenhuma referência ao que o Brasil estaria ganhando nessa relação além dos serviços médicos, ou mesmo o que o PT está ganhando.

Obviamente, o Brasil já tem uma relação política e econômica com a ilha-prisão, mas o Mais Médicos me parece qualitativamente diferente dos acordos anteriores. Se alguma boa alma tiver uma explicação alternativa, ficaria grato pela indicação de um link ou dois. Mas duvido que haja muito o que dizer. Exercer influência, afinal, exigiria do Brasil um Ministério das Relações Exteriores relevante, um governo capaz de trabalhar em equipe e uma elite política com interesses internacionais além de ganhar status no clubinho ideológico.

(Para constar, manifestei minha posição favorável à vinda de médicos estrangeiros em posts no Facebook, como este e este, além de comentários diversos. Isso não significa, é claro, que acredito que o governo brasileiro está se cobrindo de glórias com a coisa toda.)

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Lançamento para Kindle: A Vinda do Kaiser

H. H. Munro (Saki): A Vinda do Kaiser

Três anos atrás, jurei que quando tivesse “tempo, saúde e paciência”, terminaria minha tradução de When William Came, o romance de história alternativa de H. H. Munro, o famigerado Saki. Pois chegou o dia. A Vinda do Kaiser: Uma História de Londres sob a Casa de Hohenzollern:

Neste romance de 1913, a Grã-Bretanha e a Alemanha entram em guerra, e os alemães se saem vitoriosos. Com o país invadido, a alta sociedade londrina tenta se adaptar aos novos conquistadores. Murrey e Cicely Yeovil, unidos pelo casamento e separados por suas convicções, descobrem suas novas vidas sob o jugo da Casa de Hohenzollern.

A Vinda do Kaiser é o segundo romance de H. H. “Saki” Munro, mais conhecido por seus contos satíricos e macabros. A história investiga as consequências sociais de uma derrota militar e ilustra a ansiedade britânica com um conflito que um ano antes já parecia inevitável.

Estou publicando exclusivamente na plataforma Kindle. Os motivos são os seguintes:

  • É barato para o leitor. Por ora, coloquei o preço em R$1,99. No futuro, caso decida experimentar com royalties maiores (70% em vez dos atuais 35%), as regras do programa me forçariam a aumentar o preço para R$5,99. Ainda é uma pechincha.
  • Pode ser lido em múltiplos aparelhos. Se você está lendo este post, então pode comprar o livro. A Amazon disponibiliza aplicativos de Kindle for iPhone, Kindle for iPad, Kindle for Android e Kindle for PC, entre outros. Para quem não quiser instalar um aplicativo, o Kindle Cloud Reader permite a leitura no navegador.
  • Nada de DRM. O sistema Kindle Direct Publishing me permite escolher se o autor quer usar DRM ou não. Para facilitar a vida das três pessoas que comprariam o livro e se importam com isso, optei por não usar. Tenho certeza que perderei dezenas de centavos com a pirataria. Paciência.
  • É fácil. Muito fácil. Eu usei o Sigil para criar um ePub a partir do HTML, mas a verdade é que poderia ter feito tudo com um arquivo .doc do MS-Word.
  • Duvido que alguma editora se interessaria por ele, e com certeza não estou com vontade de procurar novas oportunidades de rejeição. Se algum editor for da opinião contrária, vendo alegremente os direitos de uma edição de papel.

Para quem ainda usa seu Kindle com a conta americana, o link é este. A antologia de contos do Saki que publiquei pela Editora Hedra, Um Gato Indiscreto e Outros Contos, ainda não está disponível para Kindle, mas ainda se encontra em algumas livrarias desavisadas.

Como todo livro publicado na Internet precisa de um bônus, recriei o brasão do Império Alemão descrito pelos personagens, com as armas da Grã-Bretanha adicionadas às da Casa de Hohenzollern. Ficou assim. Finalmente, preciso agradecer minha esposa, Maria Karina Ferraretto, pelo trabalho de revisão e pela ajuda com a capa. Todos os problemas que restaram são culpa minha, as inúmeras melhorias são mérito dela.

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Vale-Cultura para Todos, Vale-Cultura para Tudo

Em seu blog, o Marcelo Träsel defende que o Vale-Cultura possa ser utilizado em assinaturas de jornais:

É uma oportunidade de ouro para garantir sobrevida às redações e ainda atender ao interesse público, agregando as camadas de menor renda da população ao espaço privilegiado de mediação política composto pelos jornais. Além disso, atenderia ao interesse do público, pois um dos primeiros investimentos realizados por famílias em ascenção das classes D e E para a classe C é a assinatura de jornais. Os pais de classe média tendem a considerar o consumo de notícias uma vantagem na educação dos filhos, de modo que esse grupo social tem sido um dos grandes responsáveis por um aumento da circulação de jornais impressos nos países em desenvolvimento até 2010.

E concordo, as assinaturas de jornais também deveriam ser permitidas. Os jornais diários são produtos culturais mesmo se adotarmos uma definição limitada de cultura, já que publicam ensaios, crônicas, textos literários, artes gráficas e diversos outros materiais exclusivos e originais.

Mas não temos por que adotar uma definição limitada de cultura. O mesmo argumento se aplica a outras possibilidades, outros provedores de serviços: as agências de viagem poderiam argumentar que conhecer outras cidades e países é uma forma de cultura, e logo deveriam poder se beneficiar do subsídio. As lojas de artesanato, pintura e assemelhados poderiam argumentar que permitem que seus clientes desenvolvam práticas culturais. Bares e restaurantes com música ao vivo. Escolas de ioga, de idiomas estrangeiros, de culinária. Lojas de aparelhos eletrônicos. O Microsoft Word e o Adobe Photoshop, o Kindle e o Kobo. A Igreja Católica e todas as protestantes, sem esquecer sinagogas, mesquitas, centros de meditação e templos diversos.

O Vale-Cultura já deve abranger alguns dos itens acima, mas por que não todos? Tudo isso é cultura. Em alguns casos o cliente paga para consumir um serviço ou produto cultural. Em outros, obtém as ferramentas que considera necessárias para produzir cultura. No caso de instituições religiosas, o pagamento é indireto, mas as doações claramente ajudam a sustentar uma parte importante da vida cultural dos usuários.

Aliás, a complexidade do consumo cultural é tamanha que o vale deveria poder ser gasto em qualquer coisa. Sendo assim, melhor entregar dinheiro e simplificar o processo. Como o governo já recolhe bastante dinheiro do segmento da população que seria beneficiado pelo Vale-Cultura, mais fácil ainda seria diminuir os impostos proporcionalmente, poupando o gasto com cobrança, recolhimento, fiscalização, etc. Sem esses passos desnecessários, sobraria ainda mais recursos e os brasileiros ainda teriam a oportunidade de decidir se querem gastá-los com cultura.

Minha proposta ainda teria a vantagem de reduzir os gastos com lobby e pressão no Congresso, já que a disputa pelo dinheiro ocorreria entre os consumidores, não junto aos políticos. Ninguém seria excluído, nem mesmo os jornais diários.

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Apostas antigas

  • No dia 08 de agosto de 2009, apostei com o Cardoso que neste dia a maconha ainda não estaria legalizada ou descriminalizada em Porto Alegre. Mais especificamente, apostei que não existiria um café nos moldes daqueles que existem em Amsterdam. Se estou certo, o ruivo me deve cinquenta reais; se estou errado, devo cinquenta reais a ele.
  • No dia 30 de dezembro de 2009, apostei com o Rico Ferrari (aka Láudano) que neste dia, 500 dólares valeriam mais do que 30 dólares valiam em 2009. Mais especificamente, os termos da aposta liam, em um guardanapo de mesa de bar há anos perdidos para a história: “Se U$30 (2009) > U$ 500 (20/12/2012), Cisco dá U$500 (20/12/2009) a Rico; Se não, Rico dá U$ 500 (20/12/2009) a Cisco”. Solon Godinho Brochado, testemunha.
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Amazon chegou. E agora, o que faço com meu Kindle?

Minha esposa passou a conta dela para a versão brasileira da Amazon. Resultado: NÃO pode mais comprar ebooks pela loja americana. Aparece um aviso dizendo que os livros estão disponíveis na loja brasileira.

Algumas buscas rápidas revelaram que os livros em inglês estão à venda na loja brasileira pelos mesmos preços. Logo, o usuário não perde o acesso ao catálogo da loja americana. O problema que alguns usuários informavam ontem de madrugada era que nem todos os preços estavam iguais: o livro do Nate Silver, por exemplo, aparece em duas edições diferentes para Kindle, uma das quais custa quase o dobro da outra. Já os livros brasileiros não aparecem no catálogo da nave-mãe, o que é má notícia para a diáspora brasileira nos EUA.

Eu não vou transferir a minha conta, não por ora. Meu plano inicial é adquirir um Kindle Paperwhite em algum momento e vincular meu aparelho antigo (um Kindle 3) à conta da minha esposa, que consome livros principalmente em português (cada conta pode ter até 5 aparelhos), o que nos permitiria dividir esses títulos. Mas talvez troque semana que vem, ou mês que vem, quando comparar com mais calma os dois acervos e ouvir mais experiências positivas dos amigos e de outros usuários.

Mas isso é porque 99% do que quero ler está em inglês, uma língua com a qual obviamente não tenho a mínima dificuldade. Então a troca não me beneficia em quase nada, especialmente considerando as características peculiares da leitura aqui em casa. Para todo mundo que pretende usar o catálogo da loja brasileira, mesmo que para apenas 10% de sua leitura, vale a pena. Ainda mais por que então não precisa mais pagar IOF.

Então: Troquem. Eu já vou atrás, de uma forma ou de outra.
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Cinco Coisas que Eu Mudaria no Futebol

Meu interesse por futebol é algo entre ínfimo e nulo. Como sou um homem brasileiro, entretanto, minha falta de interesse em si é algo sobre o qual penso de vez em quando e debato com os amigos. Minha impressão é que mesmo os fãs de futebol ficam insatisfeitos com certos aspectos do esporte. Assim, as sugestões abaixo representam ideias que, creio, melhorariam o produto oferecido a eles. Eu continuaria sem assistir.

  1. Penalty Box: Quando um jogador fizesse uma falta digna de cartão amarela, ele seria forçado a passar de 5 a 15 minutos fora de jogo e longe do banco de reservas. O resultado seria um período de desvantagem numérica e risco maior de tomar gols, forçando os zagueiros a serem mais habilidosos e menos violentos na defesa. Sugiro o nome “casinha”, apenas para que algum narrador possa transformar “Fulano está fora da casinha!” no seu novo bordão.
  2. Um Desafio por Tempo: Quem é contra a ideia argumenta que o futebol é um jogo sem paradas e que parar a partida o tempo inteiro para disputar cada decisão da arbitragem descaracterizaria o jogo. E o argumento está certo. A solução é limitar o desafio a um por tempo por time, a ser pedido pelo treinador ou pelo capitão. Creio que um dos efeitos benéficos secundários seria uma redução drástica nas aglomerações de jogadores em torno do juiz. Imagino um diálogo mais ou menos assim:

    “Estava impedido!”
    “Não, não estava.”
    “Porra, claro que estava.”
    “Desafio? Não? Então cai fora ou te mando para a casinha.”

  3. Árbitro no Camarote: Um auxiliar com visão do alto, acesso a câmeras, comunicando-se com o árbitro principal sempre que necessário. Esse bandeirinha aéreo ainda teria a vantagem de não estar no campo, sujeito ao carisma e intimidação dos jogadores.
  4. Saldo de Gols, Não Pontos: Quando um time abre 1×0, o incentivo de fazer um segundo gol diminui e o de não levar um gol aumenta. Depois de 2×0, a vantagem da retranca só cresce. O jogo fica mais fechado. A retranca se torna perfeitamente racional. Nos últimos minutos, o time que está perdendo não tem mais por que competir.

    A solução é classificar os times pelo saldo de gols. Dessa forma, marcar um gol adicional é sempre tão importante quanto impedir que o adversário diminua a diferença. Nenhum dos times jamais teria qualquer incentivo para não atacar ou para se descuidar da defesa. O time que está ganhando de 4×1 ainda precisaria se defender e impedir o 4×2. O time que está perdendo de 5×0 não precisaria ficar desestimulado, pois um gol aos 47 do segundo tempo ainda valeria o esforço.

    (Eu imagino que seria necessário impôr um limite ao saldo válido em cada jogo, para impedir placares do tipo 76×0. Seria uma medida especialmente importante em campeonatos nos quais os times não são equilibrados, como a Copa do Mundo.)

  5. Mais Experimentação com as Regras: Isso é algo que eu sugeriria para os jogos amadores, segundas divisões e ligas juvenis. Diferenças de regras pequenas podem criar espetáculos diferentes e se adaptar melhor às diferenças entre os diversos tipos de atletas.

    Por exemplo, ligas juvenis poderiam proibir o jogo aéreo (para prevenir concussões), permitir substituição ao estilo hóquei para o goleiro (vantagem numérica no ataque, risco maior de contra-ataque), conceder meio gol para o visitante (forçando o time a jogar no ataque na frente da própria torcida), redividir a partida (por exemplo, em três terços para oferecer mais descansos) e muitas outras ideias que só ocorreria a quem realmente gosta do esporte. Algumas inovações se tornariam populares e poderiam ser adotadas por ligas maiores, outras desapareceriam com o tempo. O importante é rejeitar a ideia de que as regras como existem hoje não podem ser aperfeiçoadas. Ela é falsa em qualquer esporte e qualquer outra atividade humana. Futebol não é exceção.

Mais gols, menos violência, mais equilíbrio entre ataque e defesa, arbitragem melhor, mais inovação. Algumas dessas ideias provavelmente teriam consequências imprevistas negativas, como ocorre com qualquer mudança de regras, mas é justamente por isso a quinta sugestão é a mais importante: transformar cada campeonato em um minilaboratório do futebol sem exigir que as organizações se comprometessem definitivamente com mudanças permanentes.

Tudo isso leva à pergunta de por que a inovação do produto é tão lenta. A resposta está na estrutura do mercado. Os times inovam e competem entre si, mas as ligas nacionais e regionais são quase monopolistas. É algo que acontece em outros esportes também. Não é coincidência que várias inovações da NBA, por exemplo, ocorreram quando a liga estava em perigo de extinção (o shot clock na década de 50) ou enfrentava um concorrente direto (a ABA de 1967 a 1976).

Aguardo longa tréplica por parte do filósofo-mor do Impedimento.

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Los Angeles decidiu expulsar a indústria da pornografia. E agora?

Os eleitores de Los Angeles ontem aprovaram uma coisa chamada Measure B, pela qual atores pornôs serão forçados a usar camisinha. Além disso, as produções terão que pagar uma taxa para financiar a fiscalização do uso de camisinhas. A medida foi patrocinada por grupos que lutam contra a AIDS e, creio, uma boa oportunidade para uma análise econômica amadora.

No curto prazo e na margem:

  1. Os vídeos com uso de camisinha aumentarão um pouco e o salário de todos os envolvidos (não só dos atores) cairá bastante. Duvido que a demanda por vídeos dessa natureza seja elástica, então os preços vão despencar.
  2. O mesmo fenômeno de maior oferta e salários menores vai ocorrer com a pornografia, digamos assim, afálica: lesbianismo, BDSM sem penetração, masturbação, fetiches. Tudo que puder escapar dessa lei. Mas isso depende da natureza da lei: não duvido que alguém decida fiscalizar o uso de camisinhas em cenas solo.
  3. Atores e atrizes vão aumentar seu portfólio de serviços e se concentrar naqueles que não envolvem câmeras, a saber, prostituição e strip-tease. Muitas já fazem ambos; agora mais delas vão entrar nesses ramos ou dedicar mais tempo a eles.
  4. Esses outros serviços também vão ficar mais baratos, porque a oferta cresceu de repente. Logo, dar uma festinha de arromba acaba de ficar mais acessível em LA. Só não pode filmar.
  5. O mercado negro e a produção ilegal vai aumentar em Los Angeles. Isso significa mais violência contra atrizes, menos precauções com saúde, mais fraude e mais corrupção das autoridades que deveriam fiscalizar o processo.

No médio prazo:

  1. Muitos profissionais também vão mudar para outras cidades que já têm núcleos de produção de pornografia, especialmente San Francisco e Miami. Na medida em que essas pessoas levam consigo outros serviços (strippers, prostituição, produção de vídeo), esses serviços ficarão mais competitivos nesses locais. É provável que algumas empresas de Los Angeles tentem se mudar, mas muitas vão simplesmente falir, abrindo espaço para o crescimento de empresas de outros lugares. Destruição criativa pura e simples.
  2. Devido a esse processo de destruição criativa, talvez a pornografia passe por um momento de inovação nos próximos anos. Talvez mude a estética, talvez os métodos.
  3. Outros profissionais vão se aposentar do ramo. A pornografia, por sua própria natureza, atrai profissionais jovens, mas muitos trabalhadores têm filhos, maridos, segundos empregos, escolas, vidas em Los Angeles. Essa gente não pode se mudar geograficamente e, logo, vai se mudar para o próximo degrau inferior da escala econômica.
  4. Os mesmos serviços que ficaram baratos no curto prazo vão ficar bem mais caros no longo prazo, pois a migração econômica vai destruir os poucos ganhos de escala que havia no setor. Ou seja, Hollywood, melhor organizar aquelas festas para ontem.

No longo prazo:

  1. Nada. A indústria pornográfica está passando por uma revolução de origem tecnológica. Medidas como essa são uma gota no oceano. Ela terá um efeito líquido negativo, vai piorar a vida de muita gente, especialmente mulheres, vai destruir a vida de algumas vidas, vai enriquecer alguns produtores em SF e Miami. Mas em vinte anos, talvez menos, será irrelevante para o setor enquanto tal.

Alguém sai ganhando nessa história? Os ativistas que defenderam a medida conquistaram uma certa utilidade psíquica, pois podem gritar “vencemos, vencemos”, mas o resultado vai ser mais infecções entre os profissionais do setor, não menos. Os conservadores sociais vão expulsar a pornografia da cidade; ironicamente, no paradigma bootleggers and baptists, os batistas são os contrabandistas da história.

Essa história também revela um pouco sobre a mecânica dos movimentos políticos: quando uma causa triunfa, os ativistas não se dedicam a outros problemas importantes ou à vida normal. Eles são especialistas, então passam a se dedicar a aspectos cada vez mais marginais da causa. Em vez de desviar o foco, os ativistas o estreitam, e acabam por causar mais mal do que bem.

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Como Punir Vândalos

Nos comentários de um post meu no Facebook sobre vandalismo e bicicletas, perguntaram “E porque não punir o vandalismo com mais rigor?” Como minha resposta, inspirada pelo que entendo da obra do Mark Kleinman, foi detalhada, achei que valia a pena reproduzi-la neste blog subnutrido:

Porque a eficácia da punição depende de uma combinação de Certeza (probabilidade de ser pego) e Rigor (punição quando pego) e vândalos assim têm imaginação limitada. Um vândalo perfeitamente lógico veria os dois cenários a seguir como igualmente indesejáveis:

5% de probabilidade * 10 anos de cadeia
50% de probabilidade * 1 ano de cadeia

Ambos seriam iguais a 0,5 anos¹ por um ato de vandalismo. Mas devido à baixa inteligência e à imaginação limitada, o vândalo não é perfeitamente lógico e o segundo cenário acaba sendo muito mais eficaz do que o primeiro. Além disso, quando a pena é rigorosa demais, policiais, promotores e juízes têm um ônus muito maior, já que ninguém quer aplicar uma punição excessivamente rigorosa a um indivíduo real. Logo, é preciso um sistema em que o vândalo é pego e punido com mais frequência, mas não necessariamente com mais rigor.

¹ Seis meses de cadeia é apenas exemplo, obviamente. A punição correta para quem vandaliza bicicletas públicas é 10 chibatadas com a correia de uma Calói vintage.

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