Sucessão em Westeros

 

Uma das partes mais frustrantes da minha releitura de A Song of Ice and Fire é que todo mundo assistiu e adorou Game of Thrones, mas ninguém avançou para os volumes seguintes. Logo, quero conversar sobre umas 4 mil páginas de spoilers e nenhum interlocutor. Felizmente, é para isso que este blog existe.

Não sei se escreverei outros posts sobre os livros no futuro, mas este vai ser uma oportunidade para ruminar sobre a importância da sucessão. Desnecessário dizer, SPOILERS. Sobre todos os livros. Todos os oito. E talvez até a prévia de The Winds of Winter.

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Coreia do Norte: Nada Muda

 

Todo mundo já deve ter assistido as cenas de choro na Coreia do Norte. Sem dúvida nenhuma, muitos ficaram impressionados com a aparente sinceridade dessas pessoas. Eu só consegui lembrar do sexto capítulo de Nothing to Envy: Ordinary Lives in North Korea, o livro de Barbara Demick sobre o cotidiano na Coreia do Norte. Os dois parágrafos a seguir se referem às cenas após a morte de Kim Il-Sung, o ditador original, mas poderiam ser publicadas sem alteração sobre as cenas atuais:

The histrionics of grief took on a competitive quality. Who could weep the loudest? Who was the most distraught? The mourners were egged on by the TV news, which broadcast hours and hours of people wailing, grown men with tears rolling down their cheeks, banging their heads on trees, sailors banging their heads against the masts of their ships, pilots weeping in the cockpit, and so on. These scenes were interspersed with footage of lightning and puring rain. It looked like Armageddon.
(…)
What had started as a spontaneous outpouring of grief became a patriotic obligation. Women weren’t supposed to wear makeup or do their hair during a ten-day mourning period. Drinking, dancing, and music were banned. The inminban kept track of how often people went to the statue to show their repsect. Everybody was being watched. They not only scrutinized actions, but facial expressions and tone of voice, gauging them for sincerity.

 
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“Eu sou o 1%. Vamos conversar.”

 

Agora com legendas em português.

 
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Pronto para Recomeçar

 

Às vezes eu não sei o que passa na cabeça das distribuidoras quando traduzem títulos de filmes. Não estou me referindo aos clássicos Barulhos Da Pesada ou os subtítulos descritivos vazios (“Tempo de Violência”, “Uma Rajada de Balas”). Esses eu entendo. Se o filme não é para mim, o título não é para mim. O problema é coisas como “Pronto para Recomeçar” (Everything Must Go).

O protagonista passa o filme inteiro sofrendo uma recaída, cercado de todos os seus objetos pessoais, totalmente incapaz de seguir em frente. Pronto para nada, quanto menos para recomeçar. Além disso, é um filme sério, um exemplo bom e discreto do gênero “comediante mostra que sabe fazer drama” com talvez dois minutos de algo que talvez pudesse ser chamado de romance por uma matrona vitoriana particularmente conservadora. O público das comédias românticas e melodramas homem-de-meia-idade-redescobre-o-amor ignora o filme quando descobre mais detalhes, enquanto o verdadeiro público-alvo presta menos atenção do que poderia.

Talvez eu devesse parar de reclamar. Tinha mais seis pessoas na sala de cinema e eu fiquei decepcionado quando cada uma delas entrou. Ou pior, podiam ter batizado de “Liquidou Geral” ou “Torra-Torra”.

 
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Cinco comentários sobre O Preço do Amanhã

 
  • Sobrou uma reescritura em O Preço do Amanhã. Em algum momento, a história perdeu uma ou duas conspirações que explicariam por que o gueto é oprimido, como o pai do protagonista morreu, o que aconteceu com o resto da fortuna que ele recebe e com quem o pai da mocinha estava falando. Eliminar esses elementos foi a decisão certa, mas mal executada. Em vez de desaparecerem, os elementos se transformaram em pontas soltas que deixam o filme confuso, não misterioso.
  • Vincent Kartheiser e Cillian Murphy estão em um filme muito diferente, e melhor, que os protagonistas. O segundo, em especial, transforma em impulsos autodestrutivos o que, nas mãos de um ator pior, seriam apenas decisões absurdas por parte do personagem.
  • Olivia Wilde, em compensação, é terrível. Ela interpreta a mãe do protagonista, mas parece ter esquecido disso e passa todas as cenas flertando com ele. Talvez tenha sido uma decisão consciente do diretor para deixar a plateia desconfortável com a falta de diferença entre gerações; se foi, saiu pela culatra.
  • Os comentários do Bryan Caplan sobre o filme estão absolutamente certos: para uma crítica da desigualdade social, os pobres são particularmente burros e impulsivos, responsáveis pela própria situação. Além disso, se eu fosse elaborar uma crítica do capitalismo, um mundo com altos impostos, controles de preços e monopólios não seria minha primeira escolha.
  • A população do gueto está sempre sem tempo, mas não para de formar filas. Não consigo decidir se é parte da crítica à irracionalidade dos mais pobres ou apenas falta de imaginação do diretor.
 
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Descalçando-se

 

Eu sou o corredor mais lento de todas as pessoas que conheço. Por uma mistura de sobrepeso, indisciplina, histórico de problemas respiratórios e falta acompanhamento, meu melhor tempo nos 5k ainda é um reles 32:04 (ou seja, 9,4 km/h e um pace de 06:25). Então ninguém leva a sério quando digo que nada me ajudou mais do que correr descalço.

Primeira digressão: Não descalço, tecnicamente. Estou correndo com um Vibram FiveFingers KSO. A sola do meu pé fica muito bem protegida e considero até divertido correr em superfícies irregulares, trocando o asfalto por paralelepípedos sempre que possível. Infelizmente, num momento de suma patetice, comprei o número errado — achei que precisava do 42 (numeração britânica) para poder usá-lo com as meias da Injinji, mas o resultado é uma folga que não deveria estar lá. Próximo passo, comprar um par 41. Fim da digressão.

O resultado de pisar com a parte da frente do pé, não a de trás, é que minha canelite na perna direita desapareceu e a fasceíte plantar que me incomoda desde sempre só se manifesta quando estou passando dos limites. Se fosse menos irresponsável — me aquecesse, alongasse e alimentasse direito — o resto das dores teria passado. O vídeo abaixo ajuda a explicar o porquê.

Para quem não assistiu: quem pisa com o calcanhar sofre muito mais impacto do que quem pisa com o 4º e 5º metatarsos, quase como uma martelada no calcanhar a cada passo. Não espero convencer ninguém a abandonar seus Asics e Mizunos, mas espero que o vídeo acima leve alguns amigos a repensarem a forma. Mesmo quem corre de tênis pode mudar a pisada e reduzir o impacto, apesar da grande maioria dos modelos não ajudar muito. Com uma forma um pouco melhor, a obsessão com o amortecimento do calçado desaparece.

Segunda digressão: Tentei comprar o primeiro par no eBay. Um dia depois de pagar, recebi um email dizendo que o produto era falsificado eo dinheiro estava sendo devolvido. Um mês depois, o par falsificado chegou pelo correio. Era horrível e nem entrava no meu pé. Mais tarde, descobri que a política da Vibram é só vender em lojas físicas e no próprio site. Para encontrar uma loja perto de você, vá em www.fivefingersbrasil.com.br/stores. Fim da digressão.

Tudo isso para dizer que, tendo lido a reportagem do Christopher McDougall no NYT desta semana, decidi adotar o “100 up” para ver se aprendo a correr mais rápido. Se der resultado, quem sabe passo um pouco menos de vergonha na próxima prova.

 
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Duas leituras

 

The Red Market: On the Trail of the World’s Organ Brokers, Bone Thieves, Blood Farmers, and Child Traffickers: Fazia tempo que um livro não me deixava tão enfurecido quanto esse. E não do modo como eu esperava. O autor visitou clínicas de fertilidade, entrevistou vítimas do tráfico de órgão e mexeu em sacos de ossos roubados. Ele foi morou na Índia, visitou o Chipre, trabalhou de cobaia humana. O livro tinha tudo para ser ótimo. Mas todas as páginas estão permeadas de uma ética que se resume a “quando uma pessoa mais pobre interage com uma mais rica, a primeira está sendo explorada e coagida, sempre e sem exceção”. Para Carney, a procura não cria mercados, ela cria mercados negros. Ele quer mais transparência, mas não legalização. O altruísmo é sempre considerado um ideal, mas a conclusão rejeita o conceito como irrealista. Para Carney, o mercado vermelho não tem agentes, apenas vítimas e predadores. É, em suma, o maior desperdício de pesquisa e potencial da história.

A Predator Priest (Kindle Single): Já esse é enfurecedor do modo como esperado. Um retrato excelente da falta de transparência interna e externa da Igreja Católica, corporativismo dos sacerdotes, desrespeito absoluto pelo estado de direito, preguiça, inveja, ira, gula, avareza, soberba e, obviamente, luxúria. A cobertura jornalística se concentra na negligência de bispos e cardeais, e com razão, mas esse foi um problema que cresceu de baixo para cima; esse volume ajuda a explicar por quê.

 
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Contos do Machado de Assis no Kindle

 

Dessa vez eu não sou o único tradutor; na verdade, não sou sequer um dos organizadores. Mas A Machado de Assis Anthology, com dezessete contos do Machado traduzidos para o inglês, faz parte do mesmo projeto cujo primeiro produto foi minha tradução de O Noviço. Mais no futuro.

Para os interessados, a lista de contos:
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Eu, futebol, estatística, Impedimento

 

Lá no Impedimento, um texto meu sobre futebol e estatística: A prancheta não é suficiente.

 
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Terry Jones’ Barbarians

 

Quase sempre que leio um livro de não-ficção, estou lendo algo para reforçar e refinar minhas opiniões sobre um assunto ou para desenvolver novas sobre algum tema diferente. Fazia tempo que eu não lia algo que transformava radicalmente minhas opiniões sobre algum assunto, mas foi isso que aconteceu com Terry Jones’ Barbarians

O livro e documentário da BBC narram a história dos povos que interagiram com os romanos, dos gregos aos vândalos, do ponto de vista dos bárbaros. O livro detalha os vários modos como a história ocidental foi distorcida pela dependência excessiva de fontes latinas e de historiados com pressupostos espúrias. Assim, artefatos e construções celtas foram datadas como romanas porque eram mais sofisticadas, logo posteriores, logo romanas. Isso inclui centenas de minas de ouro e prata e diversas estradas na França, Alemanha e Grã-Bretanha. Na Irlanda, uma estrada de madeira do século II a. C., a Estrada de Corlea, era conhecida como “estrada dos dinamarqueses” (ou seja, dos vikings) porque ninguém imaginava que os gauleses tinham aquele nível de tecnologia.

E o retrocesso tecnológico é a parte mais impressionante. Os romanos são famosos pelos feitos de engenharia, mas Jones mostra um padrão de paralisia intelectual. Por exemplo, muitos historiadores lembram que os romanos tinham o conhecimento necessário para começar uma Revolução Industrial, mas nunca juntaram todas as peças do quebra-cabeças. Mas do ponto de vista de Barbarians, não é nenhum mistério: os romanos nunca juntavam as peças. Os gregos estavam criando motores a vapor e até metralhadoras rudimentares, mas os romanos não levaram nada adiante. E as tecnologias sociais também se perderam. Os piratas que capturaram o jovem Júlio César, por exemplo, emergiram depois que os romanos eliminaram as patrulhas gregas no Mediterrâneo. E a imobilidade social era tão grande — depois de algum tempo, em vários casos os filhos eram proibidos de não terem a mesma profissão que os pais — que a falta de inovação não pode ser surpresa.

Mas a parte que mudou minha visão sobre o mundo antigo é a comparação constante entre Roma e as civilizações contemporâneas: eu sempre imaginei que a sociedade romana era mais ou menos equivalente às vizinhas em termos de selvageria e desrespeito pela vida humana, mas Jones mostra que os romanos eram o mínimo denominador moral da Antiguidade. O assassinato em massa, o massacre público como forma de diversão e o hábito de atirar bebês indesejados em pilhas de lixo, por exemplo, não eram comuns nos arredores. As mulheres gaulesas tinham direitos que só seriam recuperados por suas descendentes inglesas depois do reinado de Vitória. Num dos momentos mais marcantes, Jones diz: “Acho que o mundo não tem muitos monumentos que celebram um genocídio, mas aqui tem um: a Coluna de Trajano“. É como se o hutus tivessem erguido um facão de mármore de 35 metros no centro de Kigali. Mussolini e colegas entendiam mais de história do que gostamos de admitir.

O livro tem seus defeitos.² A quarta parte, sobre os vândalos e hunos, se embrenha na confusão demais na política imperial dos séculos IV e V e não se aprofunda na sociedade desses povos. Segundo, Jones e alguns dos entrevistados insistem em enxertar seu esquerdismo na história. Aqui e ali, conquistas romanas são comparadas com a invasão do Iraque, algo entre desnecessário e capcioso. E o livro nunca explica exatamente como um povo intelectual e tecnologicamente inferior como os romanos conseguiu tantas vitórias e por tanto tempo. Jones depende bastante do fato que os romanos tinham o único exército profissional — “exército com um país, não vice versa”, parafraseando uma velha análise sobre o Segundo Reich. Mas nunca parece o suficiente.

Em suma: recomendo.

¹ Sim, é o Terry Jones do Monty Python. Esse não é o único livro de história ou documentário de Jones e com certeza não será o último que vou ler ou assistir.

² E o ebook tem outros defeitos. Na Kindle edition, todas as imagens estão na mesma posição que se encontram na edição de papel, a ponto de interromperem uma frase no meio. Consigo até imaginar o papel couché das fotos.

 
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Minha Primeira Kindle Edition

 

Minha tradução de O Noviço, do Martins Pena, está à venda na Amazon em edição bilíngue. Para os interessados e donos de Kindle: The Novice / O Noviço (Bilingual Edition). Em breve, Machado de Assis.

Publiquei a tradução usando o Kindle Direct Publishing, no qual todo usuário com uma conta na Amazon se transforma em uma editora de fundo de quintal. Mais tradutores estão fazendo a mesma coisa, mas a plataforma também está aberta para outras formas de produção. Ilustradores podem criar novas versões de Alice no País das Maravilhas ou cartuns para cada aforismo de Assim Falou Zaratustra. Os fãs podem criar edições anotadas para peças de Shakespeare e guias de estudo para as de Molière. Mil flores desabrochando, Exército de Davis e tudo mais. Mal posso esperar.

 
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Savage Love Fest

 

Tudo que sei, aprendi com Dan Savage:

It’s not every day that a sitting president takes cues from a sex columnist who once licked Gary Bauer’s doorknob. But for all his prowess as an advice writer and viral activist, Savage’s most lasting influence on American culture may ultimately register in a deeper and more enduringly significant realm: ethics. While he built his following by talking without fear or euphemism about the technical aspects of intimate life, Savage has moved inexorably over the years toward focusing on the moral ones. In so doing, he has carved a unique place for himself in the culture’s discourse about sex. For years, there have been moralizing voices on the right standing athwart the rush of sexual freedoms yelling “Stop,” and there have been others whose policy is to remain nonjudgmental toward sex as a form of expression. Savage yields to no one in his sexual libertarianism, but he has not been content to relegate the ideas of right and wrong to cultural conservatives. Wading deep into the free-fire zone of modern sexuality, he has codified a remarkably systematic—and influential—set of ethics where traditional norms have fallen away. The question is, into what kind of world do his ethics lead us?

Lendo o perfil de Savage escrito por um pastor luterano e publicado na Washington Monthly, percebi que nenhum outro indivíduo influenciou tanto as minhas opiniões políticas. Savage é um liberal de esquerda ultra-Democrata, mas seus conselhos sexuais são uma grande defesa da liberdade individual, experimentação, responsabilidade pessoal e ética comercial, além de grandes lições sobre reputação, vantagem comparativa e ordem emergente. Outros indivíduos ajudaram a moldar o tipo de liberal que sou (Friedman, Hayek, Tyler Cowen, Russ Roberts, a revista Reason), mas ninguém me fez mais libertário do que Savage.

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Jantar acompanhado de Linchamento

 

“Isso é tiro?”

“Não, é um escap-”, comecei a responder. Um homem aparece correndo na rua, o mais rápido possível. Mais um estrondo.

“É tiro sim!” Atrás do homem, um policial correndo pela Avenida Protásio Alves, um pouco mais lento. Correria no restaurante. Todos se levantam e se escondem dos tiros. Bem, nem tanto: bastante gente se levanta e vai assistir. O restaurante tem as mesas numa varanda, estamos há pelo menos cinco metros de altura e trinta de distância da cena. Eu me coloco atrás de um árvore, o fugitivo dobra a rua que acaba na frente do restaurante e eu saio do esconderijo.

O policial pega carona com um motoqueiro e alcança o fugitivo logo no começo da rua. Atrás de um carro estacionado, não conseguimos ver o homem caído, mas dá para ver o policial chutando e pisoteando ele com toda a força. Depois de alguns chutes, mais um tiro, mas não dá para saber quem atirou. Mais chutes. E no restaurante, dezenas de pessoas de pé, assistindo tudo.

“Sabe o que me horroriza?”, pergunto para o meu amigo. “Eu acho que somos as únicas pessoas aqui que estão preocupadas com o cara sendo espancado”.

Nos próximos vinte minutos, todo mundo volta para a mesa e assiste o resto da comoção. Viaturas param, uma agora, três depois. Policiais descem. Mais chutes. Uma unidade da SAMU aparece e coloca o fugitivo na ambulância, algemado de bruços. Depois de alguns minutos, vemos alguns policiais bebendo umas cerveja e se abraçando ao redor de onde o fugivo fora espancado.

Tudo à vista de quem está jantando na sacada. Se tivesse sido no nosso lado da rua, acho que teriam sido aplaudidos pela clientela.

 
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Atualizando um artigo recém-publicado

 

A revista Translatio publicou um texto meu, Uma análise da ferramenta de tradução assistida por computador OmegaT versão 2.2.0_2. A última seção do texto se chama “Por que esta análise já está obsoleta” e começa assim:

É preciso destacar que esta análise muito provavelmente não está examinando a última versão do programa. O OmegaT muda pouco de versão para versão, mas uma nova é disponibilizada quase que todos os meses, sempre com correções de bugs ou a adição de um ou outro pequeno recurso. (…)

O texto foi finalizado no começo de dezembro e a versão resenhada foi lançada na segunda metade de outubro. O que mudou desde então? Sete atualizações diferentes foram lançadas; o aplicativo está atualmente na versão 2.2.3. Desde então, localizações que eu menciono especificamente como antigas foram atualizadas e as funções acrescentadas incluem um filtro para memória TTX, uma interface para adicionar termos ao glossário pelo próprio programa e identificação visual de segmentos não-únicos. Enquanto isso, a equipe promete para 2011 uma nova versão do manual de instruções e a capacidade de usar múltiplas traduções para segmentos idênticos. Em suma, o texto não termina com essa seção por acaso.

Agora, hora de atualizar o Lattes. Vai que um dia serve para alguma coisa.

 
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Bebedouros e ecstasy

 

Lá no OrdemLivre.org, Bruno Garschagen comenta um novo decreto idiota da prefeitura de São Paulo obrigando a instalação de bebedouros em casas noturnas. Infelizmente, o Garschagen deixa passar o parágrafo mais idiota da matéria:

Um dos argumentos para o autor do projeto, o atual deputado federal Paulo Teixeira (PT) –vereador em 2005, quando o texto foi elaborado junto com a então vereadora Soninha Francine (PPS)– é que o consumo de água pode atenuar os efeitos do álcool e de drogas sintéticas, como o ecstasy.

Por essa lógica, o problema de quem consome ecstasy é a falta de acesso à água. Interessante. Vejamos, por exemplo, o que a revista Galileu fala da relação entre ecstasy e consumo de água:

(Excesso de água) >>> A pessoa sente vontade de urinar, mas não consegue, pois a droga aumenta a secreção de hormônio antidiurético (ADH), que faz a reabsorção de água no organismo. A água retida, somada à maior necessidade de ingeri-la, aumenta o risco de intoxicação por água, podendo levar a um edema cerebral. Essa complicação é chamada de encefalopatia hiponatrêmica

Outras opção, para quem não confia em uma revista de ciência popular: uma busca por ecstasy water intoxication no Google Scholar.

Intoxicação por água é um risco pequeno no consumo ecstasy. Parabéns a todos os envolvidos por aumentá-lo.

 
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