Cachalote

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Acabo de voltar do lançamento de Cachalote, a graphic novel de Daniel Galera e Rafael Coutinho, então não posso comentar sobre a obra como um todo. Primeiras impressões:

* Por uma graphic novel de 320 páginas, desse tamanho e com papel dessa qualidade, R$45,00 é uma pechincha, mas R$36,00 na Cultura deve fazer as outras editoras processarem a Cia. das Letras por práticas anticompetitivas.

* A falta de número de páginas é incômoda e atrapalha a conversa sobre o romance. Dificulta ainda mais tentativas de postar/twittar/etc. sobre a obra durante a leitura.

* Pelo menos no começo, Cachalote é mais visual do que eu esperava de um escritor que nunca fez quadrinhos antes e que, até onde saiba, nunca foi um profundo entendedor da mídia. Grande mérito para o Coutinho no ritmo da narrativa, mas também muito mérito para o Galera por saber aproveitar as vantagens da mídia e do colaborador.

* Para quem não vê vantagem em ter livros autografados: desenhistas fazem sketches. Quem tiver a oportunidade de comparecer a um evento com os autores (o próximo é em Curitiba; ver o site do Galera) não pode perder.

Não quero dizer nada, mas:

O novo filme da Liga da Justiça inclui versões malvadas de Tio Marvel e Vibro. O primeiro com voz de Bruce Timm.

Certo, certo, isso faz o filme parecer um festival de referências nerd. Não é. Família Marvel malvada, por exemplo, sequer é identificada como tal. O mesmo vale para o resto da Liga da Justiça Detroit e dos Renegados. Com 73 minutos, o filme também não é longo demais nem cheio de partes desnecessárias, exceto pelo romance despropositado na trama paralela. Mais uma boa tentativa de criar animações acessíveis e cheias de ação, centradas em personagens icônicos e com apenas alguns toques menores para agradar os fãs.

Ecocomics, blog de economia e quadrinhos

Via Tyler Cowen, vejo que alguém decidiu criar um blog especialmente para mim, o Ecocomics, sobre a mistura entre quadrinhos e economia.

Para quem desgosta da ideia de obras (blogs, livros, etc.) que se resumem a “[Parte da cultura pop] e a [disciplina acadêmica]”, tenho duas palavras: exemplos didáticos. Esse tipo de texto nunca será revolucionário ou pesquisa/ciência pura, mas pode ser uma ferramenta inteligente e divertida para a discussão e ensino de conceitos complexos, da tragédia dos comuns à aposta de Pascal. Não, ninguém deveria estar lendo Batman e a Filosofia no doutourado, mas posso imaginar coisas piores caindo nas mãos de um aluno de segundo grau ou jovem universitário interessado.

Cinco comentários sobre Watchmen

1) Uma resenha com a qual concordo quase absolutamente é esta, de Brad Curran, do blog CSBG. Também fiquei impressionado com os não-iniciados gostando tanto do filme, incomodado com Ozymandias, decepcionado com algumas mudanças (uma fala crucial do Dr. Manhattan é dita por Laurie!), contente com o final, etc. Acrescento ainda que passei o filme inteiro pensando “isso devia ser uma série da HBO, com 400-500 minutos”, porque diversos pontos (o psiquiatra, certas revelações sobre o Comediante, Hollis Mason, o jornaleiro) simplesmente não funcionam com o tempo excessivamente reduzido que recebem. Alguns (o psiquiatra!) deviam ter sido cortados para dar mais espaço aos outros.

2) Watchmen enquanto lição de história. Watchmen dirigido por Woody Allen ou Judd Apatow. Considerando que Robin Williams quase foi escalado para usar a máscara P&B, talvez eu devesse parar de reclamar do Matthew Goode.

3) Estava temendo que a censura fosse cortar a nudez frontal masculina junto com os cigarros; felizmente, o Dr. Manhattan aparece em toda a sua glória. A cena em que Laurie tenta acender sua piteira dentro do Archie, no entanto, só faz a personagem parecer uma imbecil.

4) A Slate publicou uma revisão sobre a influência de Watchmen que está, do começo ao fim, errada. O artigo ignora o contexto no qual Watchmen foi escrito, o surgimento de gente como Grant Morrison e Neil Gaiman após seu lançamento e a infinidade de excelentes opções sem superpoderes e identidades secretas à disposição dos leitores que é, em grande parte, fruto do suscesso artístico e comercial de Watchmen.

5) Bastante gente elogiou Snyder por não ter alterado o contexto da Guerra Fria e usado preocupações mais atuais, mas a verdade é que Ozymandias passa bastante tempo falando sobre combustíveis fósseis e até aporrinhando Lee Iacocca. A discussão é particularmente idiota quando lembramos como os poderes do Dr. Manhattan alteram a tecnologia e produção e armazenamento de energia nos quadrinhos de modo bastante lógico e racional.

Quatro coisas que Batman faz nos primeiros quatro episódios de B:B&B

1) Batman transforma amebas espaciais inteligentes em armas de raio laser.

2) Batman luta contra o Homem-Pipa.

3) Batman dá um soco na cara de um tubarão.

4) Batman cavalga uma rena durante uma luta com um exército de papais noéis robóticos.

Baman: The Brave and the Bold. E eu nem mencionei os gorilas voando em pterodáctilos.

Starman no Brasil

Uma boa notícia para quem é fã de quadrinhos: a Panini vai finalmente começar a publicar Starman no Brasil, uma das melhores séries dos últimos vinte anos. Espero que incluam coisas como o anual do Batman escrito por Robinson, as histórias paralelas do Shade, o cross-over com o Capitão Marvel e outras histórias menores, algumas das quais são essenciais para entender as últimas 15-20 edições.

E quando digo “melhores séries” quero dizer “aquilo que reanimou meu amor pelos quadrinhos nos últimos anos” e “milhares de páginas que li em menos de uma semana”, sem falar de “a terceira melhor cidade ficcional do universo”. Mais do que recomendado, quando sair.

LOLDemon

LOLDemon

Notas sobre quadrinhos mortos

Supremo, de Alan Moore: Ver tudo que Grant Morrison está fazendo em All-Star Superman feito antes e melhor por Moore é meio triste, especialmente porque um dos personagens de Supremo, o escritor britânico Billy Friday, é uma óbvia paródia de Morrison. Freqüentemente é preciso fingir que Rob Liefield não teve nenhum envolvimento com a série, e as edições desenhadas por Liefield ou um de seus clones são especialmente enervantes. E é difícil superar os apelidos usados durante a série — por mais genial que Alan Moore seja, ele nunca é tão genial como quando está fazendo sua melhor imitação de Stan Lee.

Marvel: The Lost Generation, de Roger Stern e John Byrne: Eu perdi alguma coisa ou a Marvel está perdendo uma oportunidade de ouro ao fingir que essa série não aconteceu durante a Invasão Secreta? Skrulls fingindo serem super-heróis, uma primeira tentativa de invasão, envolvimento do governo, não faltam elementos para promover um TPB dessa mini-série.

Empire, de Mark Waid e Barry Kitson: A arte de Kitson é muito mais importante que o roteiro de Waid. Na verdade, a série me fez perceber quanto Waid é forte quando está dentro do universo conhecido (Flash, JLA: Year One, etc.) do que quando tenta criar seu próprio mundo ficcional (ao contrário de Kurt Busiek, que o faz tão bem em Astro City).

The Order, de Matt Fraction e Barry Kitson: Impressionante o quanto os personagens conseguiram se integrar com o passado de Tony Stark sem a necessidade de retcons bizarros. Boas histórias. Não durou. E eu já disse que o Kitson é tudo de bom?

Duas coisas legais que a Internet trouxe esta manhã

* Himmler e as bicicletas, por Claudio Shikida.

* Concurso de nunchuks do Batman, por Chris Sims.

Três notas sobre o novo Batman

* Nem todos esses furos de roteiro do novo filme do Batman são justos, mas alguns são. Por exemplo, Gordon prenderia todo mundo nas celas MCU (incluindo Coringa e Lao) porque não confia nas outras cadeias de Gotham. O Coringa mataria Lao porque, além de ser um maníaco homicida, sua intenção é desmantelar o crime organizado em Gotham e promover o crime desorganizado (”essa cidade merece criminosos melhores”, como ele diz), e Lao é uma parte importante da infra-estrutura das diversas máfias de Gotham.

* Segundo o Omelete, Angelina Jolie está interessada no papel de Mulher-Gato e Aaron Eckhart quer participar do próximo filme. Faz sentido, e apóia meu palpite que o terceiro filme será uma versão do Long Halloween com Rachel Dawes na função de Gilda Dent. Vários elementos daquela história já foram usadas nos dois primeiros filmes, mas creio que isso só facilita a utilização de sua trama central (os assassinatos em feriados) em um terceiro filme.

* Eu também não descontaria a integração de Dark Victory (a seqüência de The Long Halloween e uma das favoritas de Christian Bale). O terceiro filme é a hora certa para começar a vender lancheiras.






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