Empreendedorismo africano

Para quem se interessa pela África, especialmente por Rwanda, este podcast com Karol Boudreaux vale bastante a pena. A primeira meia hora é sobre Rwanda, a segunda sobre townships sul-africanas.

Oster, Aids, África



[Via Dr. Levitt]

P.S.: Para quem prefere, agora é possível baixar as apresentações no site da TED em formato MP4. Bem melhor, especialmente quando se tem o DownloadThemAll! instalado.

An old Africa hand

Desse jeito vou quebrar, ou parar de me importar com a África.

(Nota para quem não quer ler a resenha: clique no link apenas para ver a primeira foto.)

Humor Negro da ONU do Dia

Essa.

Se você vai ler um post sobre a África hoje…

… leia o que Daniel Drezner falou sobre o Zimbabwe.

Boa voz, mas e as políticas?

Em entrevista ao Der Spiegel, Bono diz que o Ocidente deve dar dinheiro a regimes corruptos do Terceiro Mundo. E também disse que a democracia é secundária. Não, Francisco, não descaracteriza o que ele disse. Não distorce. Tu distorce tudo que os outros dizem. Bem, é verdade, ele não usou exatamente estas palavras. Ele foi enrolão. Ele falou umas coisas certas sobre combate a corrupção. Tratou a África como um mendigo. O de sempre.

Dêem um Nobel para o homem.

O que leremos esta noite, Cérebro?

Deu, chega. Vocês têm o que ler. Já me sinto menos culpado pela diminuição na quantidade de posts. Vou ver desenho animado.

Rusesabagina, o Verdadeiro Poder Hutu

Não recomendo que aqueles que já estão familiarizados com a história do genocídio de Rwanda e o heroísmo de Paul Rusesabagina assistam Hotel Rwanda. Não por que seja um mau filme, ou não permita uma maior compreensão de tudo que aconteceu, ou que as atuações e caracterizações sejam problemáticas. Pelo contrário, é excelente. Não recomendo porque o filme é um gigantesco soco no estômago e me fez chorar diversas vezes, e choque de reviver tudo aquilo é demais.

Para quem não conhece a história o suficiente, é bom ver. É um bom filme. Forma caráter.

* * *

Ler o livro de Gourevitch sobre o genocídio foi um ponto marcante para minha formação política. Perdi completamente meu respeito pela ONU e por ONGs humanitárias. Com o tempo, fui perdendo respeito pela maioria dos projetos de assistência humanitária. Então não me surpreende nem um pouco ler, no verbete da Wikipedia sobre o genocídio ruandês, o seguinte parágrafo:

The genocide was at least partly financed with money misappropriated from international aid programs, such as the funding provided by the World Bank and the IMF under a Structural Adjustment Program. It is estimated that $134 million was spent on genocide preparation in Rwanda — already one of the poorest and most troubled nations on Earth — with some $4.6 million spent on machetes, hoes, axes, razors, and hammers alone. It is estimated that such spending allowed the distribution of one new machete to every three Hutu males.

* * *

Quando eu digo que chorei vendo o filme, não é que escorreu uma lagrimazinha em uma cena triste. Não, não, eu chorei feito uma guriazinha. Perdi a respiração, apertei o peito, solucei e precisei de colo. Mais de uma vez. Não posso dizer que chorei despudoradamente porque tinha vergonha de atrapalhar a experiência do filme para o resto da platéia. Quando os créditos começaram a rolar, precisei ficar sentado e me recompor. Fui para o banheiro do Arteplex com o capuz do moletom levantado, disfarçando a cara inchada.

* * *

Em dez anos, alguém vai fazer outro desses. Ao invés de Poder Hutu será o Janjaweed. E novamente teremos que baixar a cabeça e dizer que éramos bons homens e não fizemos nada.

P.S.: Depois de escrever essa frase, procurando nos arquivos da Slate pela resenha de Hotel Rwanda, notei que Michael J. Kavanagh disse o mesmo em dezembro do ano passado.

Mauritânia, para melhor ou para pior?

É só o presidente virar as costas e os milicos se chacoalham. Sua Excelência vai ao funeral do rei Fahd em Riad e uma junta militar assume o controle da Mauritânia.

A situação é curiosa: Taya é aliado dos americanos, líder de um país árabe com relações diplomáticas com Israel e tem alguns rudimentos de pluripartidarismo*. Então, naturalmente, o governo americano (e a ONU e UA) pediram que o governo anterior seja restaurado. Por outro lado, Taya usava os rudimentos que citei basicamente para disfarçar o caráter ditatorial de seu regime, enquanto a junta militar está dizendo que pretende governar por apenas dois anos e fala em democracia. Se dá para acreditar na junta quando toca no assunto é outra história.

Creio que o futuro disso tudo vai depender do lado do discurso político com o qual a junta vai se alinhar: luta contra o terror, democratização e restauração da ordem constitucional, ou nacionalização do petróleo, sharia e retomada de território perdido para o vizinho ocidental. Mais informações com PubliusPundit.

Comentários com Dan Drezner.

Poor of rulers, poor as a rule

Robert Guest, Africa editor for The Economist, begins The Shackled Continent by asking why “Africa is the only continent to have grown poorer over the last three decades.” After six years of covering the continent’s civil wars, genocide, famine, and disastrous monetary policies, his answer boils down to this: Africans are poor because they are poorly governed.

A Reason resenha um livro de Robert Guest, editor para a África da Economist. Minha passagem favorita da resenha:

Drawing on the work of the Peruvian economist Hernando de Soto, Guest shows that Mugabe’s land grabbing is just one manifestation of a widespread African problem: insecure property rights. “One of the reasons that Africa is so poor,” Guest explains, “is that most Africans are unable to turn their assets into liquid capital. In the West, the most common way to do this is to borrow money using a house as security. This is how most American entrepreneurs get started.”

Guest estimates that 90 percent of housing in most African countries is owned informally. In Malawi, a country that is “peaceful, stable, off the beaten track and fearfully poor,” houses are built on “customary” land, which means that “the plot’s previous owners had no formal title to it. The land was simply part of a field their family had cultivated for generations. About two-thirds of the land in Malawi is owned this way.…If there is a dispute about boundaries, the village chief adjudicates.”

The problem with land ownership at the pleasure of the chief (or king or president) is that it cannot provide the title security that supports impersonal markets. As Guest puts it, “no bank will accept [a contract signed by a local chief] as collateral because it is not enforceable in a court of law. Rather, it is an expression of traditional law, which is usually unwritten, unpredictable and dependent on the chief’s whim.” Although “the chief may be a wise, just and consistent fellow,” Guest writes, “the bank does not know this.”

Excelente. Quero comprar. Alguém me arranja cento e trinta pila? O frete eu mesmo pago.

[Via Will Wilkinson, que também escreveu um excelente post dizendo que Ms. Paglia pisou na bola e a filosofia conteporânea não está morta.]






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