Mais um sebo na Riachuelo
Ou, para usar a terminologia da própria Livraria Solaris, o “1º pool internacional de livrarias do Brasil”. Pelo que entendi, isso significa que é uma cooperativa de sebos, incluindo um uruguaio. A loja já está aberta, mas quando passei por lá os livros ainda estavam sendo desempacotados e organizados. O endereço é Riachuelo, 1293, ao lado da Martins Livreiro.
Feira do Livro 2008
Normalmente, passo a primeira metade do mês de novembro gastando fortunas na Feira do Livro de Porto Alegre. Este ano, comprei muitos presentes (por exemplo, três cópias de Ministério do Silêncio por R$ 9,90 cada), mas nada para mim. Até hoje. Na SBS está com alguns preços ótimos, então adquiri:
* Common American Phrases, um minidicionário de expressões idiomáticas (de absolutely a zip your lip), por $5,00;
* Forbidden American English, um minidicionário de palavrões e termos ofensivos (de abso-fucking-lutely a zigaboo), também por $5,00;
* Dicionarinho do Palavrão e Correlatos, inglês-português e português-inglês, de Glauco Mattoso, por R$20,00;
* Narrative of the Life of Frederick Douglass, porque quero dar ou ajudar a dar uma cadeira de Cultura Americana na faculdade semestre que vem, por R$4,00;
* Dictionary of Curious Phrases: From Blue Murder to Pass the Buck, de R$ 61,00 por R$5,00.
Alguns excelentes preços. Acho que serei forçado a passar na loja física (que fica a uns seiscentos metros do meu apartamento) e ver que outras ofertas absurdamente baixas consigo encontrar.
USA-Brazil Books - Atualização
Nos comentários, o pessoal da USA-Brazil Books informa:
(…) Venho trazer a notícia de que o nosso novo site já está no ar (e não mais somente vinculado à Estante Virtual), pelo endereço informado pelo Cisco Costa, ou seja, http://www.usabrazilbooks.com
Estamos com grandes promoções de inauguração, como vale-desconto de R$ 20,00 para cada R$ 50,00 em compras!
Bastante coisa legal no acervo da loja (é preciso adorar uma livraria cujo site lista como primeiro dicionário The Complete Guide to Middle-earth), mas ainda não tive tempo de navegar pelo site e oferecer comentários sobre a qualidade do site em si; como ainda não comprei nada pela loja online, também não posso comentar sobre o serviço de entrega.
USA-Brazil Books
Hoje visitei o Caminho do Livro pela primeira vez (uma mini-Feira do Livro aos sábados em uma quadra da Rua Riachuelo, no Centro de Porto Alegre). Não havia nada de mais, mas descobri uma livraria interessante: a Usa-Bbrazil Books, que tinha só livros usados em língua inglesa. O forte da loja é a ficção científica, mas eu comprei um Brideshead Revisited e os preços de tudo mais eram razoáveis. Para quem se interessar em visitar a loja física, o endereço é Rua Auxiliadora, 11, e o telefone é (51) 3209-0853.
A Internet matando as lojas físicas, felizmente
Visitei hoje um sebo novo que abriu aqui perto de casa (Solaris; Riachuelo, 962) e perguntei o que aconteceu com o sebo que havia no outro lado da rua. Segundo o pessoal do sebo novo, a loja física fechou, mas a Magnólia segue firme enquanto parte da Estante Virtual. O mais interessante é que o dono do Solaris me informou que o Magnólia agora só vende “na Estante” como se toda e qualquer pessoa que entra em um sebo soubesse o que é o site.
Para quem não conhece, a Estante Virtual é um agregador de sebos que permite que os usuários também vendam seus itens. Eu mesmo já vendi, sei lá, uns vinte livros que nunca leria ou releria. É uma pena que, para um site com um conceito tão Web 2.0, a usabilidade da EV seja tão deficiente e inflexível. Mais de uma vez já pensei que o site poderia ter buscas por língua dos livros (uma informação que consta no banco de dados, mas não no mecanismo de busca) ou uma lista dos livros em demanda pelos usuários (já existe a função de “busca offline”, mas que livros são buscados ninguém — ou ninguém não-pagante — sabe), mas já me satisfaria com uma navegação que depende menos de popups.
Claro que o melhor seria ter algo semelhante ao PayPal no Brasil, mas capitalismo e seriedade já é pedir demais da Internet brasileira.
Incentivos importam, especialmente na sua loja virtual
Não sei há quanto tempo a Livraria Cultura implementou a função em seu site, mas agora os usuários podem atribuir tags aos produtos listados. A idéia pode ser ótima, se os usuários se puxarem e usarem a função. Mas o site parece não dar muitos incentivos para que os usuários adicionem tags — não dá pontos ou descontos; não é fácil achar uma lista apenas com os próprios tags; o mecanismo de busca, mesmo em sua versão avançada, não possui a opção de buscar por tags; não há um feed para tags específicos que permita descobrir novos itens atribuídos a esse ou aquele tag; em suma, nada. A função está apenas flutuando no ar.
A lição, como sempre: lojas online deveriam me contratar como consultor. Eu trocaria todas as minhas idéias por meia dúzia de caixas de DVD ou uma cópia do Stedman.
P.S.: Agora o mecanismo de busca do site já permite busca por tags; mas uma série de outros problemas, especialmente a questão dos incentivos, continua.
Behaviorismo editorial
Coisas raras que me deixam feliz: a edição brasileira de Supercrunchers, do Ian Ayres, custa o mesmo que edição americana em paperback. Normalmente, as edições brasileiras custam tanto quanto, ou mais que, as edições em harcover. Talvez dessa vez até compre o livro na tradução, nem que seja para encorajar as editoras e livrarias a ter bom senso.
Livros brasileiros são caros
Tyler Cowen tenta responder por que os livros brasileiros são tão caros. A explicação mais forte é a 1: “Most Brazilians do not read. I don’t mean they can’t read, I mean they don’t read for leisure so much. I was stuck at the Sao Paulo airport for seven hours and did not see a single person reading a book, not once.” (Grifo dele)
Livreiros e o potencial para pornografia infantil
Quem compra livro em sebos às vezes encontra souvenires dos antigos proprietários dentro dos livros. Não falo apenas de anotações nas margens, mas de itens soltos dentro do livro em si. Na minha casa, esses souvenires são sempre guardados dentro dos livros originais. Hoje, no entanto, fui forçado a quebrar a regra. Dentro da cópia de Possession, do A. S. Byatt, havia a foto de uma criança nua. Uma menina de seis ou sete ou oito anos, completamente nua, com uma tiara prateada e antenas. No verso, a dedicatória da foto para a “dinda e o tio” indicava que a foto era completamente inocente. Rasguei a foto em oito pedaços e atirei no lixo. Algumas pessoas precisam aprender a cuidar melhor dos seus pertences.
Problemas para o consumismo
Fui na Feira hoje. Como esperado, nada muito interesante. Minhas (poucas) compras:
* Um Dicionário de Siglas e Abreviaturas, que é na horizontal e parece ter sido impresso em uma impressora matricial em 1984. De 800 páginas, em uma banca de três por R$5,00, não consegui achar um terceiro volume para juntar a ele e a um Kazuo Ishiguro que estava rolando junto. A folha de rosto do dicionário informa o número do autor no CREA (91.199) e que ele é Licenciado em Ciências Metereológicas pela Faculdade de Ciências Exatas da Universidade de Buenos Aires.
* O Dicionário de Termos Médicos da Michaelis, por R$40,00. Casar e ir morar sozinho me faz pensar “eu preciso me tornar um profissional melhor”. E daí, ao invés de estudar e me esforçar, eu compro dicionários (assim como comprei o Guia Prático de Tradução Inglesa semana passada).
* O Mundo Perdido, para minha irmnã que está lentamente elevando Arthur Conan Doyle à altura de J.K. Rowling.
Meu problema na Feira é que todos os livros bons foram escritos em inglês e eu não quero comprar nada em tradução que eu não possa ler (a) no original e (b) ainda mais barato. E como a Feira está ainda mais pobre de livros em inglês (menos demanda em Porto Alegre igual a menos preço), faço menos compras.