Imaginem que um dos responsáveis pelo Caso Escola Base fosse eleito senador pelo estado de São Paulo. Não consigo imaginar quem não ficaria chocado e horrorizado. Choveriam denúncias sobre a imaturidade política e falta de memória do eleitorado brasileiro. Bem, isso é o que pode acontecer amanhã no Massachusetts caso Martha Coakley, candidata Democrata à vaga do falecida Ted Kennedy, for eleita.
O incrível é que no estado mais Democrata do país, apelidada de Taxachusetts e República Democrática Popular do Massachusetts pelo resto do país, ela está quase perdendo uma eleição que todos davam como certa. O candidato Republicano não é grande coisa, mas nesse contexto, não consigo pensar em muita coisa que tornaria a derrota de Coakley menos merecida.
P.S.: Seguindo os comentários do André Kenji, abaixo, percebo que o post pode ter causado confusão sobre o envolvimento de Martha Coakley com o caso Amirault. Apenas para esclarecer, não quis dizer que ela esteve envolvida com a condenação em si; ela foi responsável no sentido de participar ativamente do processo de manter um homem obviamente inocente na prisão por ganho político. De um jeito ou de outro, Coakley perdeu, merecidamente. Imagino que os Amirault se regozijam.
Na revista The American Scholar, uma longa reportagem de Bruce Falconer sobre Colonia Dignidad, uma colônia evangélica alemã no Chile dominada por pedofilia, paranóia e lavagem cerebral que se envolveu com os piores crimes do regime Pinochet. As histórias contadas na reportagem serão familiares para quem já leu sobre (a) o Camboja polpotista, (b) como os Amish vivem de verdade ou (c) qualquer sociedade tribal.
Infelizmente, é difícil selecionar uma única passagem que resuma bem a situação na colônia. Logo, leiam tudo.
(Alguns leitores acabam de ler “Amish” e acharam que tentei fazer uma piada de mau gosto, mas um pouco de Google, paciência e estômago revelarão que é sério.)
(E o bom senso revela que a chamada de capa da reportagem é um pouquinho exagerada. Mas só um pouquinho.)
[Via ASS SU]
Este velho post de Megan McArdle sobre casamento gay (via ASS, em seu novo blog) e o recente ensaio de Steven Pinker sobre a inutilidade filosófica da dignidade.
Um dia escreverei um livro chamado “pessoas estranhas fazem coisas legais”. Meu outro livro se chamará “um ateu fala de tudo de bom que a religião criou”. Ainda um terceiro será “o egito da mente: a pseudo-egiptologia e seus magníficos produtos culturais”. Em todos eles, incluirei um capítulo sobre isso. É difícil de acreditar.
(Mas, ignorando um pouco o assunto dos vídeos: Hoje de manhã, eu pensei nos mortos. Especialmente depois de ver cartazes convidando pessoas para o “Cafofo do Osama” com a data de “11 de setembro” onde o 11 era formado por duas torres sendo partidas ao meio. Acho que vou fazer outro minuto de silêncio agora.)
O argumento de Gregg Easterbrook neste podcast sobre seu novo livro, O Paradoxo do Progresso: Como a vida melhora enquanto as pessoas se sentem pior, não é exatamente que estamos vivendo em uma Era de Ouro. Mas eu vou dizer para todo mundo que é. Viu, Alexandre? Era de Ouro.
P.S.: Falando em podcasts do EconTalk, algum tempo atrás eu recomendei fortemente as entrevistas com o cientista político Bruce Bueno de Mesquita. Agora vejo que, segundo Arnold Kling, Mesquita e seus co-autores foram estatisticamente incompetentes. Muito do livro ainda se sustenta — os exemplos históricos, a hipótese principal, etc. Mas uma parte importante do estudo (ainda que menos interessante para leigos como eu) — o trabalho econométrico, a capacidade de fazer previsões a partir dos dados — fica severamente prejudicada.
Eu preferia estar vendo o Carnaval em Vanuatu. Você também.
(…) You see, pro-lifers don’t care about babies at all, because that would make their points something you might have to listen to and we can’t have that, can we? So what they obviously really care about is screwing up women’s lives so that they’ll have to spend the rest of them barefoot and pregnant and in the kitchen making lemonade for Pa and his friends when they come in from a hard day of plowing and oppressing colored people. And pro-choicers don’t actually care about women; all they’re really interested is enforcing a radical feminist agenda on the rest of us so girls won’t be able to wear dresses and lipstick any more and boys will have to have their genitalia surgically removed at puberty and replaced with a copy of The Feminine Mystique. Also, while we can’t be totally sure, it’s reasonable to assume that many of them enjoy baby-killing, and would sacrifice live infants if not restrained by the hard work of good, Christian folk.
tem idéias interessantes sobre aborto.
A Câmara de Deputados aprovou ontem lei que criminaliza a homofobia. Semana que vem vão criminalizar também a rabugice, o uso de celulares em restaurantes e os erros de digitação. Para 2007, ouvi falar que alguns deputados mais ambiciosos pensam também em proibir o uso de meias brancas com sapatos pretos, a flatulência em elevadores e o Olavo de Carvalho. Torcer para a Argentina na Copa do Mundo será considerado crime hediondo, mas abotoar os três botões do paletó resultará apenas em multas leves.
Claro que não é nem de perto a pior idéia do Congresso essa semana. (P.S.: Na verdade, como o Solon informa nos comentários, a pior idéia é do Contran, o Conselho Nacional de Trânsito.)