Presentes de Natal em Consideração

O presente de Natal que eu queria dar para a minha esposa era um uniforme de Jornada nas Estrelas, incluindo insígnia e patente, em parte porque ela está se transformando em uma trekkie de marca maior e merece ser recompensada, em parte para horrorizar os familiares quando ela abrisse o pacote e em parte porque sou um grande incentivador do uso de roupas apertadas. Infelizmente, a graça estava em surpreendê-la, e não é possível surpreender alguém com uma roupa feita sob medida.

Ela, no entanto, tem a chance de me surpreender, mas também sabe que é um saco comprar presente para mim. Por isso, decidi fazer uma lista de coisas que quero ganhar. Como são todos bons itens e que devem ser do interesse dos leitores deste blog, torno a lista pública. Em ordem aleatória:

* Mad Men - 1a. Temporada, de Matthew Weiner;
* The Best Basketball Book Ever Written, de Bill Simmons.
* Superfreakonomics, de Levitt e Dubner;
* Radicals for Capitalism, de Brian Doherty;
* Create Your Own Economy, de Tyler Cowen;
* Everybody Is Stupid Except For Me, de Peter Bagge;
* Starman, de James Robinson e vários desenhistas, volumes 1, 2, 3 e 4 (e o que mais sair, ou então a versão em 10 volumes já lançada).
* Qualquer livro que eu não tenha dos seguintes autores: P.J. O’Rourke, Neal Stephenson, Tyler Cowen, Vladimir Nabokov, Jorge Luis Borges, F. Scott Fitzgerald, Steven Pinker, Philip Roth.
* Um tapa-olho que daria orgulho a Moshe Dayan, Snake Plissken e Saul Tigh.

Oh boy

Contra Tempos - Primeira TemporadaEu meio que havia deixado de lado o uso das Sugestões do Mês na coluna da direita por dois motivos: preguiça e o fato de ninguém comprar aqueles itens. Se o leitor não se importa, por que eu deveria me importar? Mas uma passada rápida pela livraria ontem de tarde me lembrou por que eu devo me importar: a coluna também serve para destacar aquilo que eu considero importante.

Nesse caso, nada é mais importante que o Sam Beckett, detentor de seis doutorados, amnésico, viajante no tempo e herdeiro da longa tradição científica ficcional de experimentar em si mesmo.

O Porco Filósofo que Quer Ser Comido

Altamente recomendado: O Porco Filósofo: 100 Experiências de Pensamento para a Vida Cotidiana. São 100 problemas filosóficos para leigos bem-educados, cada um com três páginas, variando de lógica a filosofia da mente e de epistemologia a moral. Nenhum dos temas é inédito - o atual Rei da França é calvo, zumbis e cérebros em cubas fazem suas aparições obrigatórias - mas todos são tratados de forma séria. A parte mais difícil de ler o livro é ter força de vontade para ler apenas alguns poucos textos por dia para poder de fato refletir sobre os problemas apresentados.

Alguns problemas discutidos me parecem triviais: certas questões morais podem ser resolvidas facilmente sem atentar para divisões mais profundas, e quase todas as discussões sobre direitos dos animais não passam de jogatina semântica. Mas creio que o importante neste caso é que os problemas que me parecem desinteressantes seriam exatamente os problemas favoritos para outros leitores, um mal necessário que nos cega para o fato do livro como existe representar a melhor instanciação possível de todos os livros semelhantes possíveis.*

(Em inglês, na promoção, está por 60% do preço da tradução. Foi a versão que li, na verdade, e é ainda mais recomendada. Curiosamente, segundo a Cultura, quem comprou esse livro também comprou o meu livro. Divertido.)

* Se algum leibniziano de plantão tiver uma formulação melhor para essa oração, por favor, me corrija. Quando as brincadeiras ficam muito técnicas, especialmente depois da uma da manhã, eu preciso de consultoria.

Relíquias da Morte

Harry Potter e as Relíquias da Morte já está a venda. Até agora, não li nenhum dos livros da série, mas minha irmã releu cada um algumas vezes. A dúvida é — será que terei coragem de enfrentar uma festa de lançamento à meia-noite em novembro, ou acabarei por encorajar uma encomenda em pré-venda?

Tim Harford em português

Ei, o livro do Tim Harford finalmente saiu em português, com o título de O Economista Clandestino: Por que os ricos são ricos, os pobres são pobres e você nunca consegue comprar um carro usado decente. Altamente recomendado.

P.S.: Provavelmente mais recomendável ainda será o novo livro de Tyler Cowen, Discover your Inner Economist. Mas isso só poderá ser afirmado com certeza depois que eu, você sabe, ler o livro. (Decepção esperando para acontecer: descobrir que o livro não tem nada de novo para quem lê o MR todos os dias.)

Resenha do Derb do Ciclo do Barroco

A resenha que o John Derbyshire escreveu para o Ciclo do Barroco, do Stephenson, diz tudo que eu queria dizer sobre os romances. Estou na metade de Cryptonomicon e em todo momento encontro algo que posso elogiar e indicar para algum amigo: paródias de teses feministas, explicações sobre matemática modular e correias de bicicleta, a vida sexual de Alan Turing, minúcias da estratégia do General Patton, criptografia personalizada de 4096 bits… tudo muito, muito bom.

(Exclusivo para o Mojo: leia os primeiros parágrafos da resenha. Vai direto à crítica que tu já fez dos livros do Stephenson nos comentários desse blog.)

Natal

Já sei o que darei para minha irmã: O Fim, de Lemony Snicket, a conclusão das Desventuras em Série. Agora meu dilema é escolher algo de até R$10,00, amanhã, no Bourbon Country, para uma criança pré-alfabetizada. Sugestões, leitores?

P.S.: Minha diversão até o dia de Natal, no entanto, vai ser o jogo de adivinhação que estou fazendo com minha família: o que comprei de presente para a Karina? O item foi comprado na Livraria Cultura, mas não é livro, DVD, CD, cartão-presente, revista, software, baralho, pôster, estatueta ou quadro, mas pode ser chamado de jogo, dependendo da definição de jogo a ser usada.

“O que não gostei em Mãos de Cavalo”

Esse era o título de um post que eu pretendia escrever. Começava assim:

Já que todo mundo que resenhou Mãos de Cavalo, de Daniel Galera, elogiou o livro com poucas ressalvas, decide discutir apenas o que achei de problemático no livro. Adianto desde já que minha opinião sobre a obra é extremamente positiva, como se nota pela indicação do romance ali na coluna da direita, e que como vou discutir pontos importantes do final da história, o resto deste post só deve ser lido por dois tipos de pessoas: 1) Quem já leu o romance; 2) Quem nunca lerá o romance, e quer amealhar desculpas para não lê-lo.

Só que eu nunca pus no no papel exatamente quais eram minhas pequenas reclamações sobre Mãos de Cavalo, e agora elas me escaparam definitivamente. Algo relacionado com personagens secundários intercambiáveis e uma conclusão insatisfatória. Fugiu. Pelo menos ainda consigo imaginar aquela raiz crescendo no teto.

As vozes de O Historiador

O Historiador, da Elizabeth Kostova, está na coluna da esquerda porque é um livro divertido. Um motivo que não o levou àquela posição é o modo como a autora lida com os múltiplos narradores. Mesmo considerando a idéia de que o livro foi preparado e revisado pela narradora, todos os documentos reproduzidos soam do mesmo jeito, independentemente do personagem-autor (eu conto pelo menos cinco) e da situação da escritura (viagem, estudo científico, monastério, cripta de vampiros). É pouco, mas é a diferença entre um romance bom e um romance bom. Infelizmente, Kostova fica sem os itálicos.

Incidentalmente: minha edição é em inglês, então eu não tenho a cópia apresentada à esquerda, da editora Suma. Que editora é essa? O Google não indica nenhum site óbvio, e o catálogo deles na Cultura consiste apenas de vários romances históricos escritos por mulheres (como o próprio O Historiador) e de um livro do Chaves. É uma seleção curiosa.

Por que tantos pensam errado?

Nos últimos dois meses, eu li Arrogância Fatal, do Hayek, e A Mentalidade Anti-Capitalista, do Mises. O livro do Mises é especificamente uma análise de por que muita gente é contra o capitalismo. do Hayek é muito mais amplo, mas em certas partes também tenta explicar por que algumas pessoas muito inteligentes insistem em acreditar em planejamento centralizado da economia depois que a teoria e a prática demonstraram abundantemente que simplesmente não dá certo.

Mises oferece a teoria de que seria inveja do sucesso alheio e desejo de escapar das pressões do mercado. Mas a experiência pessoal de quem conhece socialistas sabe que isso não é verdade, por mais confortável que a teoria pudesse ser. A grande maioria dos socialistas crê realmente que o planejamento centralizado trará mais benefícios para a humanidade em geral do que o livre mercado, assim como os proponentes do design inteligente realmente acreditam que a teoria darwiniana não corresponde aos fatos.

A explicação de Hayek sobre esse problema é algo insípido que sequer lembro, mas do conjunto de afirmações de Arrogância Fatal se deduz uma hipótese mais provável: pessoas inteligentes crêem erroneamente na administração eficiente dos recursos da humanidade por uma inteligência centralizada porque crêem corretamente na sua própria capacidade de administrar os próprios recursos.

Explico: pessoas inteligentes tendem a saber que são inteligentes. Mais do que isso, elas confiam que a se a organização racional de seus recursos (dinheiro, tempo etc.) leva aos melhores resultados, a administração racional de todos os recursos de todas as pessoas levará aos melhores resultados. Os direitistas da platéia a esta altura devem estar balançando a cabeça e concordando, já escolhendo o termo latino que designa a falácia lógica em funcionamento. Mas este não é um erro óbvio ou fácil. Como exercício, sugiro que refutem mentalmente a seguinte afirmação:

“A administração centralizada dos recursos por uma inteligência reunindo uma quantidade gigantesca de informações é mais eficiente do que a administração descentralizada onde a informação está disseminada desigualmente entre os administradores”.

“Porque todos têm o direito de decidir como administrar o fruto do próprio trabalho” não é resposta. É verdade, éconcordo absolutamente, mas não responde à questão da eficiência que é o núcleo da afirmação acima. Hayek leva 200 páginas para explicar por que ela é errada. Eu certamente não conseguiria, em um post de blog, explicar por que ela não funciona. Como meus conhecimentos econômicos são exclusivamente os de um diletante, eu provavelmente teria grandes dificuldades mesmo se tivesse tempo e paciência para tentar formular uma resposta precisa.

O livro do Hayek, no entanto, é um bom passo na direção certa.






Categorias

  • Academia (99)
  • Ambientalismo (12)
  • Artigos (77)
  • África (28)
  • Ásia (44)
  • Órgãos (17)
  • Basquete (109)
  • Blogs (152)
  • Brasil (126)
  • Ciência (14)
  • Cinema (285)
  • Comida (25)
  • Comunismo (94)
  • Economia (105)
  • Eu Fora do Blog (15)
  • EUA (114)
  • Europa (54)
  • Feminismo (5)
  • Filosofia (20)
  • França… BAH! (33)
  • Fraudes (38)
  • Guerra (32)
  • História (30)
  • Imagem (40)
  • Imigração (1)
  • Imprensa (1)
  • Indivíduos (85)
  • Iraque (34)
  • Israel (33)
  • Jogos (32)
  • Libertários (87)
  • Linguagem (3)
  • Links (47)
  • Listas (12)
  • Livrarias (63)
  • Livro Ficção (159)
  • Livro Não-Ficção (97)
  • Música (42)
  • Meta (14)
  • Pessoal (134)
  • Poesia (26)
  • Quadrinhos (124)
  • Racismo (28)
  • Sexo (80)
  • Sociedade (72)
  • Sugestão do Mês (30)
  • Teatro (6)
  • Tecnologia (26)
  • Televisão (77)
  • Terrorismo (28)
  • Traduções (60)

  • 8535221859

    Arquivos

  • July 2010
  • June 2010
  • May 2010
  • April 2010
  • March 2010
  • February 2010
  • January 2010
  • December 2009
  • November 2009
  • October 2009
  • September 2009
  • August 2009
  • July 2009
  • June 2009
  • May 2009
  • April 2009
  • March 2009
  • February 2009
  • January 2009
  • December 2008
  • November 2008
  • October 2008
  • September 2008
  • August 2008
  • July 2008
  • June 2008
  • May 2008
  • April 2008
  • March 2008
  • February 2008
  • January 2008
  • December 2007
  • November 2007
  • October 2007
  • September 2007
  • August 2007
  • July 2007
  • June 2007
  • May 2007
  • April 2007
  • March 2007
  • February 2007
  • January 2007
  • December 2006
  • November 2006
  • October 2006
  • September 2006
  • August 2006
  • July 2006
  • June 2006
  • May 2006
  • April 2006
  • March 2006
  • February 2006
  • January 2006
  • December 2005
  • November 2005
  • October 2005
  • September 2005
  • August 2005
  • July 2005
  • June 2005
  • May 2005
  • April 2005
  • March 2005
  • February 2005
  • January 2005
  • December 2004
  • November 2004
  • October 2004
  • September 2004
  • August 2004
  • July 2004
  • June 2004
  • May 2004
  • April 2004
  • March 2004
  • February 2004
  • January 2004
  • December 2003
  • November 2003
  • October 2003
  • September 2003
  • August 2003
  • July 2003
  • June 2003
  • May 2003
  • April 2003
  • March 2003
  • February 2003