Stay classy, America

You’re Welcome America: A Final Night with George W. Bush é um resumo de todas as piadas que já foram feitas sobre Bush 43, adicionado a cenas de dança hilárias e à oportunidade de ver Will Ferrell não precisar lidar com censores. Fora isso, é apenas um bom monólogo. Quem esperava, como eu, que Ferrell estivesse usando a peça para recarregar suas baterias comédicas e voltar à forma sairá decepcionado. George W. Bush, infelizmente, não está à altura de Ron Burgundy.

Resenha teatral honesta

Não vá ver Os Bandidos, de Zé Celso Martinez. Não li as resenhas que saíram na imprensa e não as lerei, porque um amigo compartilha o seguinte sobre a peça:

Bom, ontem me submeti a OS BANDIDOS, a tal peça com 5 horas de duração (mais tarde descobriria que seriam, na verdade, SEIS HORAS E MEIA) dirigida pelo Zé Celso Martinez.

Conversando com o [FULANO] por e-mail, resumi o sentimento: imagine ficar sentado no chão com a cara enfiada num prato cheio de merda por seis horas e meia, levantando a cabeça de hora em hora pra ver alguém passar pelado na tua frente.

Mas vamos do início: cheguei na Usina do Gasômetro às 20h em ponto, horário marcado para o início do espetáculo, sem qualquer expectativa positiva sobre o que estava prestes a ver. Mesmo deixando de lado o fato de que definitivamente não gosto de teatro, NADA que tenha 5 horas de duração pode ser suportável de assistir; se não consegui encarar mais de quatro horas da primeira temporada do Twin Peaks numa sentada, imaginem uma ÓPERA DE CARNAVAL com texto musicado em RITMO DE HIP HOP.

A fila era longa e composta por uma fauna surreal. Numa primeiro olhada, contei uns três homens heterosexuais ali, incluindo eu mesmo. O nível de bichice era impressionante; tu ouvia uma voz feminina, virava pra trás pra ver quem era e dava de cara com um barbudo de cachecol. Com meia hora de atraso, a fila começou a andar, os atores interagindo com o povo já na entrada - por “interagindo”, entenda-se “dançando, cantando e se esfregando no público” -, tudo dentro de um clima pavorosamente afetado. Completando o cenário desolador, as cadeiras lotaram e o que me restou foi sentar no chão, na beira do palco (acabei ficando ali por duas horas e meia, quando as primeiras pessoas começaram a ir embora, liberando seus lugares).

Aí a peça começou. O fiapo de enredo chineleia Silvio Santos, mostrado como um baita filho da puta, fruto da briga que o diretor comprou com o homem do baú por causa de um terreno. Dá pra mais ou menos entender o que está acontecendo no palco durante a primeira hora. Depois disso, o troço vira uma HECATOMBE completamente sem sentido; não por acaso, pelo menos 30% do público caiu fora antes do intervalo. Durante o primeiro ato (3 horas e meia de duração) e o último (2 horas e meia, com uma pausa ridícula de 10 minutos entre ambos), circularam pelo palco mulheres vestidas com pedaços de saco de lixo (ou coisa parecida), caras vestidos de traficantes, monges, CHE GUEVARA, nus frontais gratuitos, uma SOPRANO com o corpo coberto de balões, um cara vestido de HE-MAN, militares, uma cabeça com chifres, um mordomo e um mulher que ficou pelo menos trinta minutos em cena com o seio esquerdo pra fora da blusa, só para citar alguns. Freqüentemente, esse pessoal todo protagonizava números musicais repletos de “brasilidade”, danças e braços para o alto. A sensação era de que todos os atores haviam cheirado o próprio peso em pó antes de darem as caras. Só entendi que o espetáculo havia acabado quando o diretor levantou e puxou os aplausos. Os protagonistas trocaram um selinho e todo o elenco se abraçou juntos, formando um bolo, indício claro da orgia que provavelmente aconteceria no bastidores minutos depois.

Bom, é preciso dizer que tudo é tecnicamente muito bom: o trabalho dos atores em dar aqueles textos quilométricos é admirável, a estrutura tinha montes de telões e uma iluminação fodalhona e havia uma banda tocando a trilha ao vivo que era excelente. O problema é que o troço é MUITO chato, pretensioso até o fim da alma e constrangedoramente afetado, tudo isso elevado a uma patamar INTOLERÁVEL para qualquer ser humano por causa da duração absurda. A certa altura, eu tava torcendo para que alguém fizesse algo tipo o que Hermano viu em outra peça do cara, que cagassem no palco e jogassem na platéia e aí teríamos ALGO, mas não.

Na real, fiquei impressionado em como o Zé Celso conseguiu condensar todo e qualquer estereótipo ruim que possa existir em relação a teatro em uma MONSTRUOSIDADE com seis horas de duração. A peça tenta ser engraçada, mordaz, incisiva, provocativa, subversiva e, bem, consegue ser só uma BOMBA GAY sem precedentes.

Talvez, mas só talvez, esse OS BANDIDOS faça sentido pra quem é da classe artística. Definitivamente não é pra mim; é material suficiente pra fazer qualquer um evitar sequer PASSAR NA FRENTE de um teatro por pelo menos 5 anos. Prefiro correr no Parcão pelado com uma granada na boca por seis horas do que encarar um lixo desses de novo.

Teatro na Era de Elizabeth I

O post que segue não é importante para os leitores deste blog. Está aqui para os meus colegas e professora da faculdade, para deixar acessível todo o material de um trabalho para a cadeira de Cultura Inglesa.

(more…)

Orson Welles does Saki

E agora, o Mercury Theater on the Air apresenta… The Open Window, by Saki.

Macbeth Voodoo


O mocinho morre no final! Quem matou foi o marido (da mãe)!

Ontem fui assistir a uma montagem de Hamlet no Salão de Atos da UFRGS. A sessão estava sendo oferecida de graça para os calouros, o que significa que o salão estava absolutamente lotado de adolescentes. De tão popular que está sendo a montagem, marcaram para hoje uma nova apresentação.

Pontos positivos:
* A peça-dentro-da-peça tem uma riqueza visual e estrutural impressionante.

* Polônio parece um idiota, não o homem sábio que alguns leitores acreditam que ele seja.

* Osric, como todas as meninas apontaram, parece um Orlando Bloom dos pobres.

* A aparência está certa, para todo mundo.

* Boa tradução, com boas soluções para jogos de linguagem, sem modernizar ou arcaizar demais.

* Excelentes coveiros.

* Floretes!

Pontos negativos:
* Muita gritaria e muita correria. O primeiro defeito pode ser fruto do tamanho da sala e da platéia, mas o segundo não. Hamlet tem que ser um homem de inação, e ele não pára de correr e espernear e brigar e cuspir.

* A rainha Gertrude está três degraus abaixo do mínimo necessário para o papel.

* Vários personagens menores parecem estar tentando interpretar seus personagens como homossexuais caricatos. É possível que isso seja apenas uma conseqüência deles serem, bem, atores de teatro.

* Ofélia, especialmente na sua fase enlouquecida, é puro humor não-intencional. O cabelo é demais.

* A voz e a intonação do Hamlet me lembravam o Marcos Breda em uma novela de época.

* Defeito principal: muito, muito, MUITO Freudiana. Eu estou preparado para agüentar um Hamlet ciumento de sua mãe, mas não um Hamlet que a estupra depois de matar Polônio.






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