The universe is not here to please you, Dean Baker

Finalmente assisti o diavlog entre Megan McArdle e Dean Baker sobre a crise e a discussão sobre desemprego é embasbacante: Baker, em uma tentativa desesperada de defender o New Deal, afirma que sim, se o governo chamasse o seguro-desemprego de “salário” e mandasse os recipientes cortar suas gramas, o desemprego seria realmente menor na economia. É puro cargo cult economics, com a expectativa de que a forma (fazer algo por dinheiro) realmente substitui a essência (demanda por mão-de-obra).

Lembrei imediatamente da vez que discuti com um amigo de extrema-esquerda sobre a fome na Coreia do Norte.¹ Quando eu disse que a fome era tão grave que as pessoas comiam alfafa, meu amigo disse que alfafa era parte da dieta tradicional coreana. O que é absurdo, obviamente, como ele logo reconheceu, mas a frase foi dita pelo mesmo motivo que Dean Baker não consegue admitir que o índice de desemprego americano durante a década de 1930 não deveria contar a WPA: porque quando os fatos não casam com as opiniões, os os irracionais querem fingir que os fatos são diferentes, não mudar de opinião.

¹ O defeito não é, obviamente, um defeito exclusivo da esquerda. Os comentaristas estão convidados a fornecer exemplos direitistas.

Post especial para o Emiliano

A pedido: esta semana leia sobre a genética de raças caninas, mariolatria, estupros estratégicos e caribenhos problemáticos.

As últimas trocas na NBA

Como a data-limite da NBA está chegando, e todos os times estão loucos para cortar salários. Comentário sobre as principais trocas que já aconteceram:

Shawn Marion para Toronto, Jermaine O’Neal para Miami: Com essa troca, ambos os times admitem que cometeram um erro com suas grandes trocas do ano passado, e torcem para o erro de um seja o acerto do outro. Bom para Toronto, que corta salários ano que vem, e bom para mim, que quer ver Jay-O e Dwyane Wade fracassarem no futuro.

Tyson Chandler para OKC, Chris Wilcox e Joe Smith para Nawlins: Outro corte de salários, mas menos terrível para o Hornets do que parece. Chandler tem um histórico de contusões, e Wilcox vai ter uma pequena renascença recebendo passes de Chris Paul. Além disso, um time que quase não tem banco vai se beneficiar de um dois-por-um. Chandler em OKC, por outro lado, é indicação que os pivôs escolhidos na época de Seattle vão se mandar da cidade assim que puderem. Putz, rescindir uma troca desse nível é grave na NBA. Agora Chandler sabe que não é mais querido em Nawlins, seu valor foi reduzido em trocas futuras e o GM do Hornets deve estar ligando para todo mundo, oferecendo-o com 93% de desconto.

John Salmons e Brad Miller para Chicago, Andres Nocioni, Cedric Simmons e Drew Gooden para Sacramento: Brad Miller é um bom complemento para os pivôs jovens de Chicago, enquanto Salmons resolve um pouco da anemia ofensiva do Bulls. Já Sacramente basicamente está declarando “ei, queremos nos mudar, talvez vender o time, alguém nos salve”.

Coisas que fazem minha família entender como me sustento

A Cultura Toyota

Ei, minha primeira tradução para a Editora Bookman foi publicada: A Cultura Toyota, de Jeffrey Liker e Michael Hoseus.

Economist esta semana

(Não tudo, obviamente; só o que li e achei que valia a pena compartilhar.)

* O Kindle é o iPod dos livros: ou seja, quando chegar no Brasil vai custar o quádruplo e não vai chegar nem perto de ter o impacto que teve nos EUA.

* Deputados americanos usando Twitter. Se Rahm Emanuel usasse o serviço sem editar seu estilo verbal, logo teria mais seguidores do que Stephen Fry.

* Esta usa a expressão “rei-guerreiro budista psicopata da Mongólia” na primeira linha. É tudo que você precisa saber.

E porque é All-Star Weekend, textos de basquete de outras fontes:

* A Slate avalia o comissário David Stern, e inclui um parênteses que parece escrito especialmente para mim: “(…) It could also reasonably be argued that the collapse of the Soviet Union and its sports system cracked the game wide open, which means that Vaclav Havel is at least partly to blame for Nikoloz Tskitishvili.”

* Via TrueHoop, Michael Lewis, autor de Moneyball, fala de estatísticas, basquete e Shane battier.

Últimos filmes assistidos

Em ordem cronológica ascendentes e de qualidade descendente:

Forgetting Sarah Marshall: Nudez frontal masculina, Kirsten Bell, Jason Segel, Jonah Hill e mais uma batalha na guerra de Judd Apatow contra as comédias românticas que tratam homens como idiotas a serem reformados por mulheres, mulheres como assexuadas e namorados de ex-namoradas como vilões de James Bond.

Yes Man: Meu Deus, Jim Carrey está velho. Muito, muito velho. Mais velho do que Danny Kaye estaria, se ainda estivesse vivo. Mas também está bem no filme, canalizando um pouco de vários de seus melhores filmes para fazer uma comédia não-desprezível. É tudo que peço de astros de Hollywood.

Operação Valquíria: Apenas medíocre, em todos os sentidos da palavra. Não exatamente ruim, mas banal, vazio, mecânico. Uma conspiração de nazistas honrados, uma conspiração de homens honestos, uma intriga de elites nada egocêntricas, o filme tirou da história tudo que poderia ter transformado-o em arte.

P.S.: A Karina oferece seu contraponto sobre nosso fim-de-semana.

“The most cringy, eye-watering hatchet job of a translation I’ve come across in a long time”

Não sei se eu deveria achar isso divertido, mas eu achei:

As a Brazilian born into a bilingual English-Portuguese home, having gone through my education both in Brazil and in Oxford, having lived 18 years in Brazil and 8 years in the UK, and as the holder of an official bilingual translator diploma, I think I can safely say: This is the most cringy, eye-watering hatchet job of a translation I’ve come across in a long time.

I’ve read bits and pieces of Clarah Averbuck’s work over the years. Even when her writing lacks substance or sounds derivative or clichéd - even then- you can always rely on her being entertaining. Her style is funny, informal and often charming in a weirdly captivating way. Even when you’re not enjoying the content or the narrative of something she writes, it’s strangely moreish to read. You feel like the confidante to an annoying, irresponsible fantasist friend, but nevertheless you’re enjoying every minute of your friend relaying her frustratingly dumb disasters from the night before.

Francisco Araujo da Costa translated this novel and I think he messed it up. The sentence structures he comes up with look like the result of entering text into Babel Fish and hitting the ‘translate’ button. For a book with a conversational, informal and contemporary tone like ‘Vida de Gato’, you really have to get your slang right. He completely, fully, embarassingly doesn’t get the subtleties of the English language. Nothing worse than “ya gonna, gotta, shoulda, woulda, ain’t, y’know” being used inappropriately. He doesn’t even get the implications of class and region that are inherent in the choice of those words. He makes the middle-class, sensitive, poetic, funny Camila come across as a semi-illiterate Ratso-type from Da Bronx with a bad greased up perm.

In Portuguese, this is an ok read and I would give it 2 stars, maybe 3 if Averbuck stopped trying to emulate Marguerite Duras’ style. In its English incarnation, down to 1 I’m afraid.

Os Últimos BSG Foram Brilhantes

Na residência dos Costa-Ferraretto, existem duas opiniões sobre a primeira metade da quarta temporada de Battlestar Galactica. A opinião da minha esposa é que os episódios estavam mais fracos que a terceira, mas que o final foi bom. A minha é que se fossemos cristãos ou tivéssemos alguma espiritualidade, gostaríamos mais daqueles episódios, mas que ainda foram excelentes. Sobre os primeiros quatro episódios da segunda metade da quarta, no entanto, não há dissenso: foram brilhantes.

SPOILERS…

(more…)

Qual é o mal?

Dica de site do dia: What’s the Harm?, um site que detalha as várias consequências negativas de crenças em pseudociência, tratamentos alternativos, teorias da conspiração e outras ripongagens. Especialmente recomendado para quem precisa explicar para amigos que o fato de acupuntura e homeopatia serem cobertos por alguns planos de saúde brasileiros é tão relevante quanto o fato de certos juízes bananenses aceitarem cartas psicografadas por médiuns espíritas como provas admissíveis no tribunal.

Arqueantropologia Geek

Essa semana terminei de ler Microserfs, romance do Douglas Coupland de meados dos anos noventa sobre um grupo de programadores da Microsoft que largam a empresa e fundam uma startup no Vale do Silício. Vários toques do livro são datados de um modo engraçado: a Apple está ruindo, a IBM e Lou Gerstner são sinônimos de fracasso, um modem de 14.4k é bastante banda, etc.

Mas o que mais transforma o livro em “artefato de uma era perdida” é a sensação de isolamento cultural de todos os personagens. O tipo de vida cultural apresentado no romance, as referências incessantes à cultura pop de décadas anteriores e a ficção científica, o interesse por computadores, Lego… aquela era uma subcultura, hoje é A Cultura. Quando era adolescente, eu experimentei os últimos momentos dessa fase da vida geek: meus colegas achavam que passar tanto tempo em computadores era estranho, eu tinah um site especializado no Geocities e colaborava para outros, ninguém tinha acesso ou se importava com qualquer produto audiovisual antigo. Aquela vida não existe mais, e já vai tarde (so say we all!), mas é engraçado como às vezes sequer percebemos que um dia existiu.






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