A palestra de Misha Glenny no TED deveria ser um manifesto pela legalização das drogas e a redução drástica dos impostos de importação e sobre cigarros e bebidas. Glenny, autor de McMáfia (português, inglês), descreve o modo como conflitos globais são alimentados pelas oportunidades financeiras criadas pelas proibições. Glenny não fala diretamente sobre isso, mas fica claro que muitas dessas oportunidades só existem porque os impostos são tão grandes que o contrabando se torna atraente.
Em um segundo vídeo, uma entrevista com Glenny, ele descreve (minuto 30) como os traficantes são explicitamente contra a legalização e entendem perfeitamente que sua lucratividade depende da proibição. No final (minuto 36), explica como a violência associada à proibição das drogas está alimentando o terrorismo islamista no Afeganistão, o que os libertários gostam de chamar de “a Guerra contra as Drogas está sabotando a Guerra contra o Terror”.
Independentemente das minhas opiniões libertárias, é um bom vídeo para quem se interessa pela economia do crime e uma boa propaganda para o livro. Comprarei.
Enquanto vinha de táxi para o trabalho hoje descobri que o jornal O Sul gostou de um texto meu. Imagino que gostou bastante. Tanto que decidiu roubá-lo.
Assim começa o post do Alexandre Rodrigues sobre como foi plagiado pelo jornal O Sul. Espero que o jornal plagie também esse post.
Este artigo do Fábio Danesi no OrdemLivre.org sobre a retaliação brasileira tem alguns problemas, mas a questão central do texto é algo que deveria ser especialmente preocupante para os leitores de esquerda: as tarifas alfandegárias do Brasil prejudicam os mais pobres desproporcionalmente. O que o Fábio não discute é que esse efeito não é apenas um problema de “os pobres têm menos dinheiro”. Sim, a falta de capital leva a situações do tipo “paga mais porque precisa parcelar” e “paga mais porque não consegue comprar em grande quantidade”, mas o que piora a situação é que os mais pobres simplesmente não conhecem gente com dinheiro.
O meu novo hábito de jogar Mario Kart e Wii Fit todos os dias é um bom exemplo. Meu Nintendo Wii foi comprado em um free shop uruguaio. Meu Mario Kart foi trazido pelos meus pais quando visitaram os EUA. O segundo controle foi trazido pelo meu padrinho, de uma viagem à China. O Wii Fit foi comprado usado de um amigo, que também o adquiriu no exterior. O resultado foi uma economia significativa, mesmo quando se considera o preço da viagem e o incômodo dos parentes e amigos que fizeram as compras. E nada disso é anômalo no meu círculo social: basta ser de uma família de classe média-alta que você acaba tendo um parente que viaja ao exterior a negócios, um amigo que se mudou para Miami, um colega de faculdade que vai fazer um estágio em Austin. Algumas pessoas mais pobres têm sorte de trabalharem em ramos que permitem acesso semelhante (patrões, chefes e clientes amigáveis que viajam), mas elas são uma parcela muito pequena dessa classe social.
Assim, tarifas alfandegárias criam o que os marxistas chamam de “privilégio de classe”. Uma leitura vebleniana de araque de “isso é assim porque daí dá para ostentar a riqueza” seria errônea, mas o fato é que as barreiras alfandegárias acabam criando mais um incentivo para que essa situação não se reverta: as elites que definem essas legislações danosas não sentem seus efeitos.