The Wages of Destruction: The Making & Breaking of the Nazi Economy, de Adam Tooze: Algo de novo a cada página, e o livro tem quase 700 páginas de conteúdo (mais umas 100 de notas). Tooze começa com os últimos anos da República de Weimar, analisa a turbulência dos primeiros anos do regime nazista, a corrida armamentista da década de trinta, a pilhagem da Europa Oriental, a relação entre economia e estratégia militar, reorganizações burocráticas, disputas internas, o papel das elites corporativas no Nazismo, os bombardeios da segunda metade da guerra, a importância do trabalho escravo… Enfim, tudo que o título dá a entender e muito mais. Os fatos mais importantes que ficam com o leitor: (1) Na economia nazista, nada era mais importante do que aço; (2) a diferença entre a realidade de Albert Speer e sua reputação é tremenda. Mas há muito mais. Espero que o livro seja traduzido e publicado por aqui.
The Alteration, de Kingsley Amis: Um exercício interessante em “a repressão sexual da Igreja Católica é muito, muito ruim”, mas enquanto História Alternativa reflete uma certa trivilidade. Os pequenos toques — cidades com nomes estranhos, palavras antiquadas, artefatos culturais como os livros do “Padre Bond” — são melhores do que a trama em si e o drama da castração. Recomendado apenas para quem gosta de História Alternativa, não para quem adorou Lucky Jim e quer ler um segundo romance de Amis Père.
Mr. Gatling’s Terrible Marvel, de Julia Keller: Um fracasso. A autora escolhe um assunto muito interessante — Richard Gatling, inventor da primeira metralhadora — e passa o tempo todo falando de outros assuntos e exagerando a importância do tema. Sim, sim, o Escritório de Patentes é interessante e subvalorizado, mas não é a alma da América. Gatling e sua invenção não merecem a obscuridade, mas não foram o evento mais importante do século XIX. Cautionary tale para todo jornalista que acha que pode transformar uma reportagem longa em um livro curto sem trabalhar muito mais.
Lolita, de Vladimir Nabokov, lido por Jeremy Irons: Essa foi minha terceira leitura do romance (a primeira foi em tradução, a segunda em inglês na edição anotada) e não será a última. Como Irons interpreta H.H. no cinema e o romance é narrado em primeira pessoa, Lolita é especialmente apropriado para o formato audiobook. Com o livro de papel, às vezes é fácil esquecer que todo o romance está na voz de Humbert, que precisamos tentar descobrir a realidade objetiva dos fatos do romance a partir da visão distorcida que o narrador tem dos fatos. A leitura de Irons me fez perceber, por exemplo, que Dolores Haze quase nunca fala durante o romance, o que apenas destaca o solipsismo de H.H.














