Brasil, China e amargura

A Economist diz que o Brasil e a China estão se desapaixonando. O que não é de todo ruim. Não que eu seja contra o comércio com a China — quanto mais capitalismo os dois países experimentarem, melhor — mas as expectativas eram altas demais. Mais realismo e menos Lei de Gérson igual a mais riqueza.

Claro que eu preferia que o Brasil estivesse se aproximando da Índia mais do que da China, porque tenho certeza que a economia chinesa vai dar merda nos próximos dez anos. Mas, como segunda opção na lista de “países com mais de um bilhão de habitantes com quem negociar”, a China não é uma má escolha.

Destaque, no artigo, para os comentários sobre como nossos barbudinhos caspentos foram com sede ao pote e pagaram mais caro que deveriam. E para a ilustração.

This entry was posted in Ásia, Brasil. Bookmark the permalink.

7 Responses to Brasil, China e amargura

  1. alexandre r. says:

    tive uma aula sobre um, china, ontem e sobre outro, índia, hoje, com os devidos artigos sobre um e outro para acompanhar.

    a china é muito mais vantajosa. tem 700 bilhões de reservas, mas há o problema que os dois países são concorrentes e com economias parecidas.

    no caso da índia, as economias são complementares, mas o problema é que a índia não tem dinheiro e nem aliados, fora os eua. é um país isolado no continente, sem ligações estáveis com o leste asiático, ao contrário do paquistão, por exemplo.

    a economia chinesa vai quebrar em dez anos? difícil enquanto um trabalhador chinês custar 120 vezes menos do que um americano ou europeu.

    os eua vão tentar sabotar alguma hora, como fizeram na crise asiática, mas os chineses não são malaios, indonésios ou coreanos.

    país grande, como ensinou a crise russa, sempre pode lembrar ao mundo que há um arsenal nuclear à disposição para tornar o sistema instável. aí ao sistema não resta opção senão ir lá e salvá-lo.

  2. alexandre r. says:

    um pequeno adendo:

    a economist faz uma injustiça ao não acrescentar no processo a discussão alca, união européia-mercosul.

    para a china, assim como para japão e coréia, uma parceria com o brasil só é urgente numa situação de formação de um bloco comercial que vá excluí-la. como o bloco não é formado, o processo se arrasta e a ameaça não vem.

    essa não é nova. artigos de 93, 95 e 2000 já dizem a mesma coisa.

    outra coisa: cooperação entre governos é uma coisa. cooperação comercial não existe. e o brasil – o mundo inteiro, enfim – não tem condições de competir.

    o problema todo é que a china no momento não tem competidor no mundo. há um mês a china começou a exportar carros para a europa, que custam quatro mil dólares a menos que o mesmo modelo feito na europa e cinco mil dólares a menos que o modelo americano.

    os empregos nesses dois lugares vão virar pó antes de algo acontecer a china.

    com o japão foi fácil. foram lá, manipularam o sistema e pronto. com o leste asiático também. mas e quando o teu competidor, além de mais eficiente e barato, também tem poder militar?

    e a ameaça da índia não é tão séria assim. a maior parte dos investimentos na china é asiática. é meio difícil que seja deslocada para outro continente. o padrão de investimento asiático é diferente do ocidental.

    não foi pequeno, no fim, mas pelo menos é um adendo.

  3. Cisco says:

    Eu não sei se vai quebrar, mas vai dar merda. O sistema bancário chinês faz o Brasil parecer estável, seguro e racional. Os chineses já estão pisando no freio.

  4. Patrick says:

    Concordo com o Alexandre, a China tem um grande potencial, mas enquanto não melhorar questões relativas aos bancos, impostos, direitos de propriedade e intervenção estatal, a tendência é que de merda mesmo.

  5. alexandre r. says:

    é um troço maluco.

    quando chega a sua vez, um novo pólo de investimentos já está fadado a ser ultrapassado em dez anos. depois da china, virá a índia. depois da índia, fatalmente o oriente médio e, se não, a áfrica. até lá a américa latina já estará oferecendo salários de fome e será a sua vez.

    e a cada vez em que o dinheiro muda de lugar, parte das fábricas fecha. e quando isso acontecer em grande escala nos países ricos – já está acontecendo – aumenta o protecionismo e tudo volta ao ponto onde começou.

  6. alexandre r. says:

    último adendo: é preciso dissociar o que é parceria estratégica – e essa vai bem – de parceria comercial. historicamente a parceria sempre foi estratégica porque brasil e china são competidores.

    um erro da economist é justamente avaliar diplomacia como meramente comercial. para isso existem representações comerciais e o ministério da indústria e comércio. o mendonça de barros, entrevistado, cai no mesmo erro. mas ele não é especialista em china, só mais um destes economistas que dá uma olhada na planilha de comércio e depois dá uma opinião.

    parcerias comerciais entre empresas brasileiras e chinesa, por exemplo, não
    aparecem no boletim da cacex.

    outro problema para a relação é que no brasil não há especialistas em china e nem na china há especialistas no brasil. esse desconhecimento leva a uma relação que não avança. é preciso pelo menos conhecer o parceiro.

    ou seja, nada melhorará a curto prazo porque não há o que melhorar. o itamaraty sabe disso, só não diz.

  7. MARIANA says:

    EU ADOREI VER O TRABALHO QUE A s. professora fez e meteu no blogue esta espetacular.
    Parabens.
    GOSTEI MUITO.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>