Plágio na UFRGS - Momento positivo

Políbio Braga dá boas notícias relacionadas ao caso do plágio cometido por Gilberto Kmohan no PPG de Comunicação da UFRGS:

Há cinco anos, esta página vem denunciando com regularidade plágio ocorrido no curso de pós-graduação da Faculdade de Comunicação da Ufrgs, que concedeu o diploma de mestre para o aluno Gilberto Kmohan, mas a ex-reitora Wrana Pannizi não apenas reagiu irada diante da notícia, como não decidiu nada durante seu longuíssimo mandato. Esta semana, depois de cinco anos, o diploma de Kmohan foi cassado.

A punição é caso único na história das universidades brasileiras. Ela é exemplar e abre um sério precedente.

O caso começou pelas mãos do professor Luís Millman, que ao ler a tese “O Conceito de Aura em Walter Benjamin”, aprovado pela banca, composta inclusive pelo jornalista Sérgio Caparelli, percebeu que o texto era uma colagem (plágio) de outros autores.

O que se espera é que a Ufrgs puna também a banca que examinou Kmohan.

Com a intenção de manter a integridade da credibilidade da Ufrgs, Milman exigiu mudanças. Milman chegou a ser hostilizado dentro da Ufrgs por defender a Ufrgs.

Na verdade, é preciso punir bem mais do que isso, e bem menos. A banca precisa ser punida academicamente por sua incompetência — a dissertação plagiada recebeu nota máxima e recomendação para publicação –, mas creio que não precisa ser punida judicialmente. O orientador e ex-membros da direção da faculdade e da universidade, no entanto, precisam ainda ser punidos administrativa e judicialmente, pela negligência e corrupção envolvidas no acobertamento deste caso.

P.S.: Mais informações aqui. Este deveria ser o começo das punições oficiais, mas parece que vai ser o final da história. Espero que o resultado, para o professor Sérgio Capparelli, orientador de Kmohan, seja a mais completa desmoralização intelectual.

[Obrigado, Álvaro, pelo aviso inicial.]

6 comentários em “Plágio na UFRGS - Momento positivo”



  1. träsel:

    meu comentário sobre isso entra no ar amanhã às 10h.

  2. träsel:

    entendi “punir academicamente” como punição administrativa. tá meio confuso esse teu trecho. de qualquer modo, tu tá pedindo algum tipo de punição.

  3. claudio:

    o professor é este?

    http://www.capparelli.com.br/

  4. Filisteu » Blog Archive » Plágio na UFRGS - Uma Cronologia:

    […] O debate que se seguiu à decisão de cassar o diploma do plagiário Gilberto Kmohan (e a decisão de Kmohan de recorrer à decisão) reavivou o escândalo de plágio na Faculdade de Comunicação. Abaixo, reproduzo um texto do professor Luís Milman. É uma linha do tempo de tudo que aconteceu em relação ao processo. Os infames episódios correlatos ao caso — discussões, bate-bocas, brigas pessoais, etc. — interessantes apenas aos antropológos do microcosmo acadêmico, não estão incluídos. Na minha opinião, conhecê-los é desnecessário para entender a gravidade do caso e a extensão da ilegalidade das ações das instituições envolvidas. […]

  5. dgr:

    Punições brandas demais. Tinha de rolar uma castração química. No mínimo.

  6. to the chaos and back :: A Intransparência Cognitiva de um Ícone ou O Caso Milman, de novo :: July :: 2008:

    […] Li na manhã de hoje o Bolefa, boletim feito por alguns fabicanos de semestres mais baixos que outrora representou o Dacom. Quem frequenta esse blog lembra o que foi o Dacom, então não precisa de explicações. Pois, a matéria central fala sobre o caso Luís Milman, professor de semiologia da Faculdade de Comunicação da UFRGS, agora afastado mais uma vez por motivos de saúde.     Como era uma matéria de alunos de jornalismo de semestres mais baixos, num veículo apropriado para isso, é claro que a matéria está lotada de juízos de valor. Eu também teria, no terceiro semestre, a petulância de dizer que os métodos de ensino da matéria de Milman estavam todos errados, pois não era assim que se ensinaria semiologia, mesmo sem nunca ler qualquer livro de semiologia. Não é preciso nem saber o que significa a palavra, a bem da verdade, para saber que Milman era qualquer coisa menos um professor normal. Autoritário, carrancudo, não fazia a menor questão de ser claro ou ser amigo de qualquer átomo presente na sala de aula. Tinha gente que gostava dessa disciplina terrorista; eu não, é claro. Certa vez citei ele no meu blog antigo e ele veio conversar comigo na saída da aula, dizendo que não gostaria mais de ser citado por mim na internet, promessa que estou descumprindo agora. Seus métodos de intimidação não eram novidade para ninguém.     Passavam em branco? Não exatamente. Passavam por que até vencer a batalha do plágio (referências 1, 2, 3 e 4 podem esclarecer tuas dúvidas) Luís Milman tinha no seu íntimo a confiança de que poderia ser um bom professor. A aula de semiologia que tive com ele, na qual estudamos a Intencionalidade de Searle e outras coisas, incluindo o seu artigo, tinha conteúdo. Tinha também autoritarismo, prepotência, idéias herméticas e muito difíceis de compreender, mas havia algo a retirar daquilo para o aprendizado da linguagem. Pelo que foi descrito nas páginas centrais do Bolefa, isso acabou. Após vencer o caso do plágio, Milman colecionou licenças médicas, ausentou-se da sala de aula e não acrescentou nada ao aprendizado dos alunos, trabalhando apenas o seu artigo e de forma não apenas autoritária, mas especialmente sem vontade. Parece que o professor desistiu da Fabico ou dos alunos.     Só precisa se convencer disso. Enquanto as licenças médicas lhe permitem, ele vai mantendo o emprego. Falei há pouco com o coordenador do DECOM, prof. Mário Rocha, para ver se ele poderia me dizer qual o problema médico do professor Milman. É sigiloso, me respondeu Rocha. E a UFRGS poderia exigir a perícia de uma junta médica para avaliar se ele está mesmo doente? Poderia, mas ainda não é de sua alçada, estão trabalhando para ver a viabilidade disso. Sempre acreditei que o professor tem problemas psiquiátricos. Não posso comprovar, mas duvido que outro motivo produza tantas licenças de incapacidade no trabalho por tanto tempo. Ainda mais com o comportamento apresentado pelo professor em sala de aula.     A matéria demonstra que os estudantes que a fizeram estão realmente determinados em fazer da retirada de Milman uma conquista do movimento estudantil na Fabico. Lá na página central, numa pequena entrevista com o militante sionista, ele fala que “posições juvenis de insurgência” dominaram a postura de uma determinada turma em querer a sua cabeça. “Senti-me desprestigiado profissionalmente por um grupo de alunos que não têm discernimento sobre o que é o comportamento acadêmico”, disse ele.     É triste que uma pessoa que tenha um determinado conhecimento e ministre uma disciplina significativa na Fabico - por ser uma das poucas matérias realmente filosóficas, que podem familiarizar o estudante com a teoria, o que não acontece quase nunca no resto do tempo - esteja encerrando sua jornada de forma tão patética. Vitimado por problemas de comportamento, o professor Luís Milman acaba golpeado por alunos de primeiros semestres, ávidos por derrubar a autoridade vigente, e sucumbe. Trava uma luta que não é boa para ninguém, mas é ruim especialmente para ele, que não tem mais qualquer respeito entre os alunos e está perdendo o pouco de prestígio que tinha na academia. […]

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