Lendo Megan McArdle discutir vouchers escolares, me ocorreu que eu nunca comentei aqui meu plano secreto para implementar vouchers no Rio Grande do Sul. Basicamente, seria um grande suborno/chantagem do sindicato dos professores, onde o Estado daria todas as escolas públicas para todos os professores. Cada professor de escola estadual seria acionista, cooperativista ou quesejista da escola em que trabalha. Sem compromisso. Porteira fechada. Se os professores se reunissem e decidissem destruir a escola e construir um estacionamento, eles poderiam. Se quisessem vender para a Igreja Católica, poderiam. Se quisessem construir um clube de strip-tease apenas com ex-alunas, seriam subsidiados.
Essa seria a parte suborno. A parte chantagem seria o seguinte: quando o sindicato esperneasse, o governo diria “vem cá, vocês não conseguem gerenciar o próprio negócio? Nós vamos dar os vouchers para os pais escolherem onde colocar os filhos para estudar, vocês estão com medo que ninguém queira ser aluno de vocês?” Não aceitar a oferta, generosa a não poder mais, seria o equivalente a admitir que não sabe fazer o próprio trabalho direito e que quer viver de mamar nas tetas do Estado até se aposentar.
(Minha experiência limitada com compra de vagas em escolas privadas para os excedentes da rede municipal é a seguinte: já vi pais literalmente chorando de felicidade porque conseguiram mandar seus filhos para uma escola privada — uma escola privada simples e pequena, que só tem turmas de primeira a quarta série, não o Anchieta ou o Leonardo DaVinci. Mesmo sabendo que o Brasil é o Brasil e que ainda haveria algum nível de corrupção e desperdício, não consigo imaginar que as crianças aprenderiam menos, que os pais ficariam menos satisfeitos, que mais dinheiro seria desperdiçado ou que a corrupção correria mais solta do que já corre.)
Categorias
Arquivos
October 29th, 2007 às 19:04 pm
[…] Outubro 29, 2007 Posted by claudio in Capital Humano, educação, vouchers. trackback Olha que beleza de análise do Cisco. Vai na íntegra. Lendo Megan McArdle discutir vouchersescolares, me ocorreu que eu nunca comentei aqui meu plano secreto para implementar vouchers no Rio Grande do Sul. Basicamente, seria um grande suborno/chantagem do sindicato dos professores, onde o Estado daria todas as escolas públicas para todos os professores. Cada professor de escola estadual seria acionista, cooperativista ou quesejista da escola em que trabalha. Sem compromisso. Porteira fechada. Se os professores se reunissem e decidissem destruir a escola e construir um estacionamento, eles poderiam. Se quisessem vender para a Igreja Católica, poderiam. Se quisessem construir um clube de strip-tease apenas com ex-alunas, seriam subsidiados. […]