No blog do OrdemLivre.org, Diogo Costa comenta o salário mínimo:
(…) o principal problema econômico do salário mínimo não é uma alteração nos “incentivos e percepções”. É o desemprego das pessoas cuja produtividade não vale, para os empregadores, o pagamento do salário mínimo. Por isso, trabalhadores jovens, os menos qualificados pela falta de experiência, são os mais afetados pelo aumento do salário mínimo. No longo prazo, trabalhadores menos qualificados podem ser substituídos por um número menor de trabalhadores mais qualificados, ou por tecnologias que se tornam economicamente viáveis por causa da imposição de um piso salarial. Conforme dizia Milton Friedman, a lei do salário mínimo simplesmente diz que os empregadores devem discriminar contra os trabalhadores menos capacitados. (…) [N]ão se deve julgar uma legislação apenas pelas suas intenções. Temos que considerar suas conseqüências, que, no caso do salário mínimo, são perversas. (…) se é degradante trabalhar por tão pouco, é ainda mais degradante ser impedido de trabalhar.
Os argumentos pró e contra o salário mínimo são diversos, e não está absolutamente claro que são mais perversos do que benéficos (digo isso mesmo concordando com a posição do Diogo). Mas isso me lembrou de meu pet peeve: o discurso sobre o salário mínimo sim é absolutamente perverso, e nunca mais perverso do que quando jornalistas preguiçosos usam o salário mínimo como base de comparação para qualquer medida econômica, salário de político ou item de consumo. Essa preguiça jornalística ignora a absoluta artificialidade do salário mínimo. O correto, nesses casos, seria usar a mediana de renda da população. Claro que, nesse caso, seria preciso explicar para o público (e para os jornalistas) o que é uma mediana, então melhor desistir de esperar sentado e voltar a traduzir How to Lie with Statistics para distribuir nas redações.
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