Bebedouros e ecstasy

Lá no OrdemLivre.org, Bruno Garschagen comenta um novo decreto idiota da prefeitura de São Paulo obrigando a instalação de bebedouros em casas noturnas. Infelizmente, o Garschagen deixa passar o parágrafo mais idiota da matéria:

Um dos argumentos para o autor do projeto, o atual deputado federal Paulo Teixeira (PT) –vereador em 2005, quando o texto foi elaborado junto com a então vereadora Soninha Francine (PPS)– é que o consumo de água pode atenuar os efeitos do álcool e de drogas sintéticas, como o ecstasy.

Por essa lógica, o problema de quem consome ecstasy é a falta de acesso à água. Interessante. Vejamos, por exemplo, o que a revista Galileu fala da relação entre ecstasy e consumo de água:

(Excesso de água) >>> A pessoa sente vontade de urinar, mas não consegue, pois a droga aumenta a secreção de hormônio antidiurético (ADH), que faz a reabsorção de água no organismo. A água retida, somada à maior necessidade de ingeri-la, aumenta o risco de intoxicação por água, podendo levar a um edema cerebral. Essa complicação é chamada de encefalopatia hiponatrêmica

Outras opção, para quem não confia em uma revista de ciência popular: uma busca por ecstasy water intoxication no Google Scholar.

Intoxicação por água é um risco pequeno no consumo ecstasy. Parabéns a todos os envolvidos por aumentá-lo.

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3 Responses to Bebedouros e ecstasy

  1. O parágrafo eu não deixei passar. Está lá o comentário citando exatamente “que o consumo de água pode atenuar os efeitos do álcool e de drogas sintéticas, como o ecstasy”. Só que fiz uma observação política e não biológica. De fato, eu não fazia ideia sobre o efeito da água no organismo de quem consome ecstasy.

  2. Rodrigo says:

    Não me parece que o risco de intoxicação seja justificativa para desmerecer o projeto. Parece muito mais um efeito colateral do projeto, talvez.
    Também é fato que a água diminui os efeitos do álcool e ajuda na desidratação costumeira em quem dança por muito tempo em lugares muito fechados. É justo que a água seja oferecida gratuitamente como ação profilática.

  3. Cisco Costa says:

    Rodrigo, o problema central aqui é mais simples: esse tipo de lei é passada como se os custos não existissem, ou pelo menos como se o cálculo da relação custo-benefício fosse óbvio.

    O que a gente vê é o bebedouro instalado, o que a gente não vê é o aumento de preços de outra coisa para compensar a perda da venda de água, a reforma que não foi feita por causa da instalação do bebedouro, o cara que bebe demais porque acha que tomar uma aguinha vai ajudar, os casos de intoxicação por água etc.

    Toda lei é um estilingue: a gente vê o emprego do vidraceiro, não o da pessoa que receberia o dinheiro por outro serviço se o governo não tivesse quebrado a janela.

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