Descalçando-se

Eu sou o corredor mais lento de todas as pessoas que conheço. Por uma mistura de sobrepeso, indisciplina, histórico de problemas respiratórios e falta acompanhamento, meu melhor tempo nos 5k ainda é um reles 32:04 (ou seja, 9,4 km/h e um pace de 06:25). Então ninguém leva a sério quando digo que nada me ajudou mais do que correr descalço.

Primeira digressão: Não descalço, tecnicamente. Estou correndo com um Vibram FiveFingers KSO. A sola do meu pé fica muito bem protegida e considero até divertido correr em superfícies irregulares, trocando o asfalto por paralelepípedos sempre que possível. Infelizmente, num momento de suma patetice, comprei o número errado — achei que precisava do 42 (numeração britânica) para poder usá-lo com as meias da Injinji, mas o resultado é uma folga que não deveria estar lá. Próximo passo, comprar um par 41. Fim da digressão.

O resultado de pisar com a parte da frente do pé, não a de trás, é que minha canelite na perna direita desapareceu e a fasceíte plantar que me incomoda desde sempre só se manifesta quando estou passando dos limites. Se fosse menos irresponsável — me aquecesse, alongasse e alimentasse direito — o resto das dores teria passado. O vídeo abaixo ajuda a explicar o porquê.

Para quem não assistiu: quem pisa com o calcanhar sofre muito mais impacto do que quem pisa com o 4º e 5º metatarsos, quase como uma martelada no calcanhar a cada passo. Não espero convencer ninguém a abandonar seus Asics e Mizunos, mas espero que o vídeo acima leve alguns amigos a repensarem a forma. Mesmo quem corre de tênis pode mudar a pisada e reduzir o impacto, apesar da grande maioria dos modelos não ajudar muito. Com uma forma um pouco melhor, a obsessão com o amortecimento do calçado desaparece.

Segunda digressão: Tentei comprar o primeiro par no eBay. Um dia depois de pagar, recebi um email dizendo que o produto era falsificado e o dinheiro estava sendo devolvido. Um mês depois, o par falsificado chegou pelo correio. Era horrível e nem entrava no meu pé. Mais tarde, descobri que a política da Vibram é só vender em lojas físicas e no próprio site. Para encontrar uma loja perto de você, vá em www.fivefingersbrasil.com.br/stores. Fim da digressão.

Tudo isso para dizer que, tendo lido a reportagem do Christopher McDougall no NYT desta semana, decidi adotar o “100 up” para ver se aprendo a correr mais rápido. Se der resultado, quem sabe passo um pouco menos de vergonha na próxima prova.

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