Cinco comentários sobre O Preço do Amanhã

  • Sobrou uma reescritura em O Preço do Amanhã. Em algum momento, a história perdeu uma ou duas conspirações que explicariam por que o gueto é oprimido, como o pai do protagonista morreu, o que aconteceu com o resto da fortuna que ele recebe e com quem o pai da mocinha estava falando. Eliminar esses elementos foi a decisão certa, mas mal executada. Em vez de desaparecerem, os elementos se transformaram em pontas soltas que deixam o filme confuso, não misterioso.
  • Vincent Kartheiser e Cillian Murphy estão em um filme muito diferente, e melhor, que os protagonistas. O segundo, em especial, transforma em impulsos autodestrutivos o que, nas mãos de um ator pior, seriam apenas decisões absurdas por parte do personagem.
  • Olivia Wilde, em compensação, é terrível. Ela interpreta a mãe do protagonista, mas parece ter esquecido disso e passa todas as cenas flertando com ele. Talvez tenha sido uma decisão consciente do diretor para deixar a plateia desconfortável com a falta de diferença entre gerações; se foi, saiu pela culatra.
  • Os comentários do Bryan Caplan sobre o filme estão absolutamente certos: para uma crítica da desigualdade social, os pobres são particularmente burros e impulsivos, responsáveis pela própria situação. Além disso, se eu fosse elaborar uma crítica do capitalismo, um mundo com altos impostos, controles de preços e monopólios não seria minha primeira escolha.
  • A população do gueto está sempre sem tempo, mas não para de formar filas. Não consigo decidir se é parte da crítica à irracionalidade dos mais pobres ou apenas falta de imaginação do diretor.
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