A Genética do Esporte e uma ideia de site

A Genética do Esporte: Como a biologia determina a alta performance esportiva¹, de David Epstein, é excelente. Uma história interessante e uma ideia instigante em cada página, uma longa reportagem que mistura ciência e esporte na medida certa. Recomendo o livro, sem reservas, para qualquer jornalista esportivo, fã de esportes com QI acima de 120 pontos, diretor de recursos humanos, leitor de Malcolm Gladwell, professor de educação física, corredor frustrado, atleta ocasional, pessoa com opiniões fortes sobre doping, leitor de Tyler Cowen e/ou indivíduo inteligente em geral. Para quem fala inglês e quer uma palhinha, o episódio de Econtalk com Epstein é excelente.

E o livro também me deu uma ideia para um site.

Resumidamente, o usuário do site informaria suas medidas e o serviço informaria qual esporte melhor se adapta ao seu corpo. As medidas não seriam simplesmente altura e peso, mas detalhes como cintura, envergadura, circunferência do tornozelo, comprimento do antebraço, altura do umbigo, largura dos ombros e assim por diante. O sistema analisaria as informações fornecidas para determinar quais atividades melhor se adaptam ao corpo do usuário. Assim, por exemplo, um homem de pernas curtas seria informado de que deveria nadar e não correr, alguém com braços compridos descobriria que nasceu para o tênis e assim por diante.

A utilidade desse serviço seria que muita gente sedentária não pratica atividades físicas porque simplesmente nunca entrou em contato com os esportes certos. A história é prosaica: o indivíduo experimenta uma ou duas atividades inadequadas para si quando é jovem, conclui que não é bom em esportes e nunca se interessa pelo assunto de novo. Um pouco de orientação desinteressada, sem julgamento ou reprovação social, faria a diferença para muita gente. Não que qualquer um possa ser um atleta, mas, por definição, alguma atividade sempre é comparativamente melhor para cada indivíduo do que as outras. Eu consigo imaginar o RH de uma grande empresa contratando o serviço antes de construir uma academia no campus ou montar um grupo de corrida, por exemplo.

Um serviço como esse também poderia ser complementado por consultorias individuais. O problema de descobrir qual o melhor esporte para cada um é o bom e velho Problema do Principal-Agente. Em poucas palavras, quem faz a avaliação sempre tem algum conflito de interesse ou viés inconsciente. Todo professor de academia acha que você precisa fazer musculação. Líderes de grupos de corrida acham que qualquer um pode ser maratonista. Natação é o esporte mais completo. Et cetera. Uma empresa que prestasse essa consultoria uma vez, sem interesse em uma relação contínua com o cliente, estaria gerando valor incrível para ele. A empresa também poderia oferecer serviços mais avançados, desde a medição do VO2 Max até biópsias do tecido muscular. Nesse momento, começo a pensar em expressões como “identificação precoce”, “cauda longa” e “massa crítica”, mas as consequências me parecem óbvias o suficiente que não preciso entrar em detalhes.

Ou talvez só pareçam óbvias porque li A Genética do Esporte, e você também deveria.

¹ Eu li o livro no original e até começar este post, nem sabia que havia sido traduzido. Parabéns para a Campus pela escolha, espero esteja vendendo bem.

(Talvez o serviço já exista e eu apenas não saiba, claro. Não seria a primeira vez.)

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