A Clash of Kings, Capítulo por Capítulo

E agora, minhas anotações da leitura de A Clash of Kings. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones se aplicam.

Prólogo (Cressen): Davos escolhera para si o sobrenome “Seaworth”, mas Cressen pensa nele como “Davos Shorthand”. Agora quero uma versão alternativa da série, com Davos taquígrafo em vez de contrabandista. Fora isso, é interessante que nas descrições do veneno que Cressen vai usar, o mesmo veneno que matará Joffrey em um livro e meio de distância, a palavra “mindinho” aparece mais de uma vez. Foreshadowing, que coisa linda.

Arya I: “A Guarda precisa de bons homens, mas vocês vão ter que bastar”. Nada descreve o desespero da Guarda quanto lembrar que Yoren é um oficial experiente e ainda assim acha que Rorge é um recruta aceitável.

Sansa I: Morros Slynt, filho de Janos, aparece no capítulo como um dos piores participantes do torneio em homenagem a Joffrey. Oficialmente, ele ainda é lorde do reino. Queria saber do que ele é lorde nos últimos livros, ou se anda de um lado para o outro na cidade, tentando reunir espadas para tomar Harrenhal de Littlefinger.

Tyrion I: Varys teve a ideia de tirar Ser Barristan do conselho e Littlefinger de dar Harrenhal a Lord Slynt. O primeiro caso é óbvio: ele queria mandá-lo para Pentos e o falso Aegon, mas Ilyrio achou melhor mandá-lo para Daenerys. Algo que não sei: Littlefinger já tinha os olhos em Harrenhal a essa altura, e viu Slynt como uma maneira de deixar o castelo disponível no futuro próximo? Slynt certamente teria aceitado virar a casaca por bem menos — Darry, por exemplo, ou terras no Oeste ou nas Stormlands.

Bran I: O sinal insuperável de que você sabe demais sobre ASOIAF: saber diferenciar, sem pensar duas vezes, Big Walder de Little Walder.

Arya II: Uma oportunidade perdida: ver Lync, o irmão do estalajadeiro que trata Yoren bem, lutando na Muralha, talvez com um apelido como “Pimenta”. Mas ainda dá tempo.

Jon I: Depois que Jon vira lorde comandante, a situação financeira da Patrulha da Noite se torna uma questão importante, mas que eu lembre Jon nunca considera vender os livros. Não sei se é algo que Jon não aprendeu neste capítulo (Sam certamente entende o valor monetário da biblioteca) ou se GRRM, como acumulador de livros, pensa de tal forma que livros se tornam ativos apenas em momentos de absoluto desespero (como no caso de Sam e Aemon em Braavos).

Catelyn I: Um personagem que quero ver de novo, e que acho que pode ser essencial para a história dos Lannister: Olyvar Frey, escudeiro de Robb. Ele é excluído do Casamento Vermelho, provavelmente por simpatizar com seu antigo rei, e não é mencionado em AFFC ou ADWD. Ou não é mencionado diretamente. Olyvar é filho de Lorde Walder Frey com Bethany Rosby, filha de Lorde Gyles Rosby segundo fontes semicanônicas. Quando Rosby morre, Cersei confisca suas terras, deserdando o menino que escolhera como sucessor. Se o herdeiro for mesmo Olyvar, o confisco de Rosby seria uma ofensa forte o suficiente aos Freys para prejudicar ainda mais a aliança.

Tyrion II: Varys diz que “sombras podem matar”, uma metáfora inocente que é prenúncio de algo que veremos pelos olhos de Davos e Catelyn mais para a frente. A magia em ASOIAF é a morte dessa inocência.

Arya III: À medida que passa pela estrada, Arya vai notando cada vez mais plantações com guardas, indícios delas serem mais vulneráveis a saques por parte dos exércitos que rondam a região. A cena me lembrou Why Nations Fail: The Origins Power, Prosperity, and Poverty. Em dado momento, os autores mencionam que os agricultores de certas regiões da África Subsaariana saem perdendo quando as estradas chegam às suas regiões, não ganhando, porque se tornam mais vulneráveis à rapina do Estado e de organizações proto- e pseudoestatais. O leitor desavisado vê Arya sendo capturada por Ser Amory Lorch posteriormente e acha que é tudo culpa dos Lannisters, mas, como Yoren deixa claro, os Starks são igualmente responsáveis pelo que está acontecendo com a região.

Davos I: Roy Dotrice interpreta Salladhor Saan com sotaque francês. Podia ser até mais forte.

Theon I: O sino de bronze de Seagard foi tocado uma vez em 300 anos, quando os Greyjoys se rebelaram. O que é meio decepcionante; seria interessante ver outras histórias sobre ataques dos homens de ferro em The World of Ice and Fire. E histórias sobre os Mallisters, uma das minhas casas favoritas entre as menos proeminentes na história.

Daenerys I: Ser Jorah lembra de derrotar “até Ser Boros Blount” no Torneio de Lannisport em que conheceu a esposa, mas nós conhecemos Ser Boros como um pateta incompetente e fora de forma. A frase sugere que Boros é um homem decadente e acomodado, não uma escolha inerentemente ruim desde o primeiro momento. Robert e seus conselheiros ainda foram incompetentes ao escolher um homem que não se adaptaria bem a uma espada branca, mas a frase de Ser Jorah pelo menos sugere que não a decisão foi fruto de um descaso absoluto pela instituição.

Jon II: Sempre um sentimento de alegria, quando percebo que Edd Tollett vai aparecer no capítulo. Se fosse real, ele odiaria saber disso.

Arya IV: Yoren é vítima de Ser Amory Lorch neste capítulo, mas também vítima de um equívoco: achar que Tywin Lannister e seus soldados vão respeitar as regras e costumes do reino, a neutralidade da fé e da Patrulha da Noite, os totens e tabus de Westeros. Se Tywin Lannister fosse um general contemporâneo, ele seria um daqueles que acha aceitável vestir seus soldados com uniformes da Cruz Vermelha e transportar armas em ambulâncias.

Tyrion III: Quem construiu o túnel até o bordel de Chataya? Os leitores gostam de pensar que foi Tywin Lannister, porque o homem claramente era um hipócrita e porque isso torna a narrativa mais unificada. E provavelmente foi. Mas seria divertido descobrir que foi outro — Jon Arryn, por exemplo, sempre visto pelos personagens como uma figura paterna rígida e altamente moral, transformado em homem de carne de osso. Ou alguém ainda mais antigo, como a Mão de algum Rei Aegon.

Bran II: Casas que pareciam mais importantes a essa altura da narrativa: Tallhart e Cerwyn. Duvido que reapareçam.

Tyrion IV: Rá, Tyrion sugere brincando que Bronn case com Lollys. Quase lamento que não verei Ser Bronn of the Blackwater, Lorde Protetor de Stokeworth, na série.

Sansa II: Dontos diz que o Castelo Vermelho tem ouvidos, mas a o bosque sagrado é a única parte segura e sem espiões. Considerando os poderes de Bran e Bloodraven, a frase ganha um toque engraçada em retrospecto. Não que eu caia na armadilha de achar que BR vê tudo e sabe tudo e estava presente em qualquer cena que envolvesse uma árvore, mas a mera possibilidade coloca o leitor sempre na posição de perguntar “será?”

Arya V: A morte de Lommy, com sua insistência em se render para o primeiro que aparecer, ainda dói. É um dos poucos personagens realmente inocentes da série, uma criança e nada mais. Então quando Arya finalmente vinga sua morte em Mercy, o capítulo de TWOW lançado em março de 2014, eu só pude sorrir. Conheço todas as teorias sobre “Maus Fãs” que justificam ações vilanescas de protagonistas, até concordo que a trajetória de Arya não deve ser vista como moralmente justificada e que não é algo que GRRM quer que os leitores comemorem. Nada disso importou. Rafford implou para ser carregado, Arya abriu seu pescoço e a leitura deste capítulo ficou só um pouquinho mais fácil.

Tyrion V: Tyrion vê m Hallyne e os piromantes como ilusionistas, sofistas em comparação com os meistres-filósofos, chamando seus truques de poderes mágicos. Mas esse é o mesmo Tyrion que se recusa a acreditar em grumkins e snarks e que ridiculariza Ser Alliser Thorne com sua mão zumbi. Faz pensar se os piromantes não têm ainda, de fato, alguns passes de mágica guardados em suas mangas.

Bran III: Este foi o capítulo que ouvi no dia 6 de abril. Algumas horas, encontrei uma amiga no supermercado. “E aí, preparado para hoje de noite?”, ela perguntou. “Sim, claro, estava falando disso agora mesmo”, respondi. Era imediatamente óbvio para que estávamos nos preparando. É sempre um prazer compartilhar um idioma, um mapa, um mundo.

Catelyn II: Brienne! Como vocês pronunciam “Brienne”? Eu digo Brái-in, porque acho que é assim que GRRM diz e é assim que Roy Dotrice lê, mas antes dizia Bri-ên (e Dotrice não é o guia ideal para pronúncias, já que ele chama Mindinho de Ptáiãr em vez de Pítr).

Jon III: Eu sempre interpreto a estrutura social e aspectos diversos do mundo além da Muralha como protótipos dos Sete Reinos. As cabeças nos postes de Harma são um princípio de símbolo familiar, enquanto apelidos como “Giantsbane” e “Redbeard” dariam origem a sobrenomes. Craster e sua fortaleza representam um aspecto menos colorido, menos divertido do mesmo fenômeno: Craster é um esqueleto de rei e lorde, um homúnculo que quer se transformar em Stark ou Umber, em Glover ou Mormont. Ou em Bolton.

Theon II: O comportamento de Theon com Asha é hilário, mas também uma prova clara da capacidade da segunda: em uma longa conversa, Theon se revela controlado por sua luxúria, arrogante, irreligioso, mau filho, inconstante, cruel, disposto a emprestar os vestidos da mãe para uma amante que recém conheceu, irritar um servo crucial roubando sua mulher, incapaz de considerar os familiares que pretende usar, ignorante sobre rivais, entre vários outros defeitos. É incrível que sejamos capaz de sentir tanta pena de Theon em ADWD e alegria quando ele relembra seu nome. Em certo sentido, é uma transformação mais radical das atitudes do leitor do que aquela que ocorre em relação a Ser Jaime Lannister.

Tyrion VI: Tyrion considera a história de Ser Alliser Thorne sobre zumbis na Muralha por bem mais tempo do que eu lembrava. Espero que essa conversa volte à baila no em TWOW, ela certamente foi mais extensa do que uma mera piada.

Arya VI: Não sei se essa é a primeira vez que alguém fala bem do Rei Aerys nos capítulos passados em Westeros, mas com certeza deve ser a primeira vez que Arya ouve uma palavra positiva sobre os Targaryens em sua vida. Se não fosse o contexto do capítulo, provavelmente seria uma revolução tão grande em sua vida quanto ouvir Balon Greyjoy falando dos Starks.

Daenerys II: Fácil esquecer, mas o mercador que encontra Daenerys em Qarth e conta sobre a morte de Robert Baratheon é o mesmo que leva Sam de Braavos a Oldtown. Meu mundo por um bom infográfico mostrando as aparições de personagens terciários como Quhuru Mo, Wex Pyke, Pia e Randyll Tarly.

Bran IV: Meistre Luwin em um elo de aço valiriano, indicando um interesse por magia. Está aí um personagem que eu queria ter visto mais vezes, opinando sobre dragões e zumbis. A Guerra dos Cinco Reis é um desastre para o capital humano de Westeros. Aliás, uma questão importante: por que Lorde Mormont não manda a mão viva para Winterfell antes da capital? Se ela chega inteira em KL, com certeza chegaria inteira no grande castelo mais próximo. Mas, ah, ele tinha só uma, e o poder do trono era mais importante que o do Norte esvaziado de homens.

Tyrion VII: Dois dos guardas de Shae são uma dupla de Ibbeneses fedidos que amam seus machados tanto quanto um ao outro. Não consigo lembrar de dois personagens anônimos que eu queria ver mais do que esses dois: estranhos em uma terra estranha, em meio a uma crise absurda, trabalhando em segredo para um homem poderoso, finalmente valiosos exatamente pelo aspecto fundamental de suas vidas que deve ter sido uma fonte eterna de rejeição e perigo.

Arya VII: Os fãs se perguntam por que Jaqen H’ghar estava nas celas negras e a caminho da Patrulha da Noite, mas outro mistério é igualmente confuso: por que ele se junta às tropas de Ser Amory Lorch? Não teria sido difícil escapar, e não temos por que acreditar que ele sabe que Arya está viva e em Harrenhal para pagar sua dívida. O homem é mágico, mas não onisciente. Ou talvez seja um daqueles casos em que não faz sentido pensar muito sobre o buraco narrativo.

Catelyn III: Catelyn pensa que Cersei está rindo sem parar. Em um capítulo anterior, foi o que vimos. Catelyn frequentemente é a personagem com mais clareza sobre a situação à sua frente, mas muitos leitores insistem em chamá-la de burra. Eu gostaria de dizer que não entendo, mas a verdade é que entendo: personagens femininos sempre são julgados por não terem pênis de papel para cometerem seus erros.

Sansa III: A narrativa de Tyrion sobre a batalha de Oxcross é um dos melhores sinais de que Robb era um warg e se fundia com Grey Wind da mesma forma que os irmãos se fundem com seus lobos. Eu gosto que vemos pouquíssimo de Robb em ACOK, mas teria sido legal ver mais dessas cenas. Claramente, esses livros são muito curtos.

Catelyn IV: Da série heroísmo subestimado: Ser Robar Royce defende Brienne com a própria apenas por confiar na palavra de Lady Catelyn. A true Knight, na terminologia da série.

Jon IV: A primeira metade de ACOK é cheio de capítulos como este: parece que nada de mais acontece, mas os detalhes são cruciais. Jon acha obsidiana, segredo de como matar os Outros, e um berrante de bronze, possivelmente o berrante de Joramun. O primeiro leitor pensa que o mistério interessante é a capa no qual estão enrolados, mas nada poderia ser menos relevante. A obsidiana vai levar a um dos primeiros grandes momentos de triunfo em toda a série (Samwell Tarly mata um Outro), enquanto o berrante pode facilmente ser o instrumento que derrubará a Muralha. Mais do que isso, o capítulo serve para estabelecer o clima da expedição e a psicologia dos envolvidos. Por essas e por outras, sempre que alguém reclama que “nada acontece nos capítulos do fulano/em Mad Men/nesse conto”, penso que a pessoa precisa abandonar qualquer esperança de consumir objetos artístico-culturais feito um adulto.

Bran V: Nesse capítulo descobrimos que Robb capturou o castelo de Ashemark, castelo dos Marbrands. Algo que não lembro de ver comentado anteriormente: Robb pode estar fazendo esses ataques na expectativa de que vai deixar Lannisport desprotegida contra o ataque de Theon que nunca vem, após o qual terá ainda mais liberdade para atacar os castelos do oeste e atrair o exército de Lord Tywin. Uma estratégia inteligente, se os homens de ferro não fossem os piores aliados de todos os tempos. Ou se ele tivesse conquistado a aliança antes de executar o plano. Em outras palavras, uma estratégia menos inteligente do que parece à primeira ou mesmo à segunda vista. Assim como o estrategista.

Tyrion VIII: Os conselho discute a ideia de subornar os nobres da Campina em troca do apoio a Joffrey, mas também afirmam que enquanto eles não aceitariam ser comprados, presentes seriam aceitos. É uma mecânica social parecida com as transações com os Dothraki. E, ainda assim, há quem veja grandes doses de orientalismo naqueles capítulos. Tsc, tsc.

Theon III: Não, Theon, nãããããããããããããoooooooooooooo…..! Ahem. Que belo plano idiota. Conquistar um castelo no centro do território inimigo, longe das linhas de suprimento e sem homens com experiência na manutenção de fortificações desse tipo. Theon deve se imaginar filho de seu pai nesse momento e é visto como sobrinho de Euron pelos adversários, mas age com mais burrice do que Victarion. É o homem de ferro perfeito.

Arya VIII: Ainda não sei bem por que Arya escolhe Weese como segunda vítima. A escolha ocorre em um momento de raiva, depois de um tapa, mas parece pouco para ser a gota d’água. A imagem do cão atacando o mestre é boa, mas acho que este ainda é o capítulo mais fraco da personagem.

Catelyn V: Ainda tem quem culpe Edmure por não cumprir as ordens de Robb neste capítulo, mas é uma interpretação absurda. Robb deixou instruções imprecisas e deixou seu principal vassalo no escuro. O plano de Edmure não se encaixa na estratégia, mas é bom o suficiente para receber o apoio de Tytos Blackwood e Jonos Bracken. O defeito de Edmure nessa história é não ser telepata.

Daenerys III: Quaithe diz que Daenerys deve passar sob a sombra e esta deduz que deve ir a Asshai. Mas uma outra sombra sob a qual ela poderia passar é o Titã de Braavos. Considerando a relação entre Dany e a escravidão, Braavos faz mais sentido do que Asshai, um local que provavelmente deveria ficar sempre distante e misterioso.

Tyrion IX: Tyrion se acha muito esperto por ter comprado os Kettleblacks antes de Cersei, mas mais tarde descobrimos que os irmãos, e seu pai, estão sob o comando de Petyr Baelish. É uma matryoshka de gelo e fogo.

Davos II: Uma dúvida: Stannis sabe que foi sua sombra que matou Renly? Ele sabia o que Melisandre estava fazendo? O tom da conversa com Davos indica que ele está sendo honesto e perturbado. Stannis está tentando se convencer de que não fez nada. Se está mentindo para Davos, está mentindo ainda mais para si mesmo.

Jon V: E junto com Qhorin Halfhand aparece pela primeira vez a expressão “inútil como mamilos em uma armadura”.

Tyrion X: A discussão sobre violência sexual e vítimas de violência sexual em ASOIAF é interminável, mas este capítulo lembra que Tyrion é vítima da violência sexual de seu pai. A conclusão do casamento de Tyrion e Tysha obviamente uma violência maior para ela, mas isso não torna Tyrion um algoz. Segundo algumas definições, o que acontece com Tyrion também deve contar como estupro. O evento horizonte moral de Tywin para os personagens veio quatro anos antes, cronologicamente; para o leitor, no entanto, é em 287 Depois da Conquista.

Catelyn VI: A canção de batalha que Catelyn escuta neste capítulo só pode ser sobre a Batalha do Campo de Grama Vermelha. Verso por verso, os Blackfyres se insinuam na história. Não é coincidência que o capítulo discute a aparência de Edric Storm, Jon Snow e suas possíveis mães e até a relação entre Ramsay Snow e seu pai.

Bran VI: Little Walder reconhece imediatamente que Robb perdeu seu reino, como esperado de um indivíduo mesquinho.

Arya IX: Um prazer imediato: Roy Dotrice lendo as falas de Vargo Hoat com a língua presa. Recomendo muito. Este capítulo também tem bastante Jaqen H’ghar, possivelmente a melhor voz de toda a leitura de ACOK.

Daenerys IV: Os capítulos de Daenerys em Qarth costumam ser comparados com contos de fadas, mas este capítulo está mais para Alice no País das Maravilhas. Segundo o wiki, quando Dany pensa em Pyat Pree em capítulos posteriores, ela só consegue lembrar dos lábios sorridentes. Ainda não sei se Xaro Xhoan Daxos é o Chapeleiro Louco ou a Rainha de Copas.

Tyrion XI: Eu definitivamente não lembrava que o Kettleback já virava membro da Guarda Real em ACOK. Na minha cabeça, a família inteira só existe de verdade a partir de AFFC.

Theon IV: A linha de raciocínio de Theon é absolutamente hilária, pensando dezenas de vezes sobre como ele é um bom lorde e todos deveriam estar grato pelo seu estilo de governança. É a Teoria do Bandido Estacionário tentando desesperadamente se disfarçar de Direito Divino dos Reis.

Jon VI: Ygritte aparece na história e conta a sobre Bael o Bardo, rosas azuis, Brandon Sem-Filha, esconderijos sob Winterfell, fatricídio e guerras entre Boltons e Starks. É fundamental para interpretar a história dos livros, além de uma dica sobre o que aconteceu com Bran e Rickon no capítulo imediatamente anterior. Em outras palavras, é o que muita gente chama de “enrolação” e reclama que “nada acontece”.

Sansa IV: Curioso que Cersei tenha uma imagem de como Robert se comportava com seus bastardos. Com exceção de Mya Stone e Edric Storm, não sabemos de Robert sequer conhecer qualquer um dos outros, e Cersei com certeza nunca viu o marido com Mya. Sobra Edric Storm, que Robert reconheceu e com o qual tinha algum contato mínimo em visitas posteriores a Storm’s End. A conclusão mais simples e provável é que Cersei está mentindo, para Sansa, para si mesma e para os leitores, sobre Robert, não pela primeira vez e não pela última.

Jon VII: Olha só, Bran conversando com Jon Snow de algum ponto do quinto ou sexto livro. Que cena incompreensível antes de ADWD.

Tyrion XII: GRRM demora várias e várias páginas antes de revelar que foi Alayaya, não Shae, que Cersei capturou. É possivelmente um dos suspenses mais curtos em todos os capítulos. Dentro da estrutura de ACOK, o capítulo também parece quase desnecessário — nada acontece de verdade e a narrativa não avança tematicamente — mas a ameaça de Tyrion contra a irmã se torna um ponto crucial da segunda metade de ASOS. Acho que quanto mais inútil parece o capítulo, mais atenção eu devo prestar.

Catelyn VII: Jaime Lannister descreve para Catelyn como Rickard Stark foi assado em sua armadura, uma história que ela não conhecia. Um leitor ingênuo poderia se perguntar como Cat não conhece a história, já que o fato ocorreu perante pelo menos parte da corte. Mas em um mundo como Westeros, não é como se essa informação estivesse disponível em algum lugar, como se visitantes passassem por Winterfell e Riverrun constantemente para conversar com os lordes ou como se os poucos que conversassem com eles tivessem liberdade para contar histórias como essas. Lordes como Ned Stark, Tywin Lannister e Catelyn Tully-Stark ouvem tantas verdades e histórias desagradáveis quanto presidentes, governadores e CEOs.

Theon V: Uma imagem que creio jamais ter visto representada: Theon com a coroa de Príncipe de Winterfell, torta e tosca, feita pelo assistente de assistente de ferreiro. Não sei se a falha é minha ou do Tumblr.

Sansa V: Cersei cita Symeon Star-Eyes como um exemplo de “cavaleiro de verdade”. Dos heróis lendários de Westeros, é provavelmente o segundo que mais me interessa.

Davos III: Todas as famílias de personagens têm seus heróis e vilões, seus exemplos de coragem, sabedoria, perspicácia ou cavalaria. Faltam monstros entre os Starks, é verdade, mas mesmo eles têm suas ovelhas negras. Exceto os Florents. Ser Imry é incompetente, como este capítulo deixa claro, mas não é o único. Lorde Alester é um covarde, Ser Axell é desprezível, a Rainha Selyse é psicótica e arrogante, o resto não passa de uma série de mediocridades. Os Florents são o melhor argumento antiaristocrático de Westeros.

Tyrion XIII: O discurso de Tyrion é um pouco mais longo na TV e termina melhor, fundindo uma fala do próximo capítulo do personagem. Difícil pensar em outra adaptação literária em que o discurso de um personagem é encompridado em vez de ser encurtado, quanto mais em Game of Thrones. Aposto que algum fã de Ayn Rand gostaria de fazer o mesmo.

Sansa VI: Uma cena que revela muito sobre o funcionamento da sociedade medieval Westerosi: nenhum dos mercadores e comerciantes ricos da cidade são convidados a entrar no castelo. Quando aparecem às portas da Fortaleza Vermelha, Cersei ordena que sejam alvejados com bestas, assim como faria com camponeses e mendigos. Em Westeros, para a classe no poder, quem não é nobre não é nada. O que me leva ao seguinte: Littlefinger é um dos grandes vilões da série, mas ao se aliar a mercadores ricos no Vale e aos membros da burocracia real, também está, na prática, liderando uma espécie de Revolução Burguesa.

Tyrion XIV: Por que Ser Mandon Moore tenta matar Tyrion? Eu costumava achar que a resposta era “Petyr Baelish mandou”, já que essa é a resposta para metade dos mistérios da série e Ser Mandon é oriundo do Vale e chegou à corte na mesma época que Littlefinger. Faz sentido. Em retrospecto, tenho menos certeza. Varys é um mandante perfeitamente possível, seguindo a teoria de que Tyrion estaria na mesma posição que seu tio Kevan está no final de ADWD. Ser Mandon também pode ser um agente independente, matando por lealdade ao falecido Jon Arryn, porque Tyrion levou à morte e humilhação dos outros membros da Guarda, porque Tyrion bateu em Joffrey em capítulos anteriores ou simplesmente por prazer. Algumas dessas últimas opções são até mais prováveis, dentro da temática dos livros.

Sansa VII: Quem vê a infinidade de fanart sobre Sansa e Sandor teria dificuldade em acreditar que este é o último capítulo em que os dois se encontram. E que Sansa passa o tempo todo aterrorizada.

Daenerys V: Quem manda o assassino contra Deanerys neste capítulo? Os feiticeiros pretendem exercer sua mágica contra ela, Xaro teria matado Dany enquanto ainda era sua hóspede (Qarth não é Westeros, afinal).

Arya X: Sempre achei que este capítulo marca o começo definitivo da traição de Roose Bolton, mas comecei a ler o blog Race for the Iron Throne, do historiador Steven Attewell e ele sugere que Bolton está agindo feito traidor desde AGOT, ainda que não exatamente entregando o jogo para os Lannisters desde aquele momento. A análise é tão convincente que estou pensando seriamente em enfrentar as 700 páginas da versão em ebook do blog.

Sansa VIII: Um sobrenome que chama a atenção entre os lordes que serviam Stannis: Staedmon. É a única menção à casa e ao homem, mas a grafia sugere uma casa valyriana.

Theon VI: Ameaçar enforcar um filho é uma das piores coisas que Theon faz neste capítulo, um ato desprezível que parece uma violação absurda das regras do mundo. Em 2000 páginas, os Freys chamam isso de “procedimento operacional padrão”.

Tyrion XV: Um capítulo para ser escutado. Roy Dotrice lendo Tyrion rouco e doente evoca perfeitamente o estado de espírito do personagem.

Jon VIII: Sinais de que GRRM gosta muito de Senhor dos Anéis: Jon e seu mentor planejam atravessar através do “coração da montanha”. Não por coincidência, GRRM também sempre diz que não teria trazido Gandalf de volta.

Bran VII: Luwin, Luwin, Luwin é o melhor. Que triste, não ter mais Luwin pelo resto do ano. Mas sempre posso voltar.

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