A Feast for Crows/A Dance with Dragons, Capítulo por Capítulo

Minhas anotações sobre o quarto e o quinto volume da série estão combinadas aqui, seguindo a ordem de leitura sugerida originalmente por Sean T. Collins em seu blog. Se alguém se interessar, o site também tem um link para uma ordem alternativa, sugerida para os marinheiros de primeira viagem. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones se aplicam.

Prólogo (Varamyr): A bruxa viu uma frota em Hardhome, querendo levar selvagens para o sul. Na releitura, quem está atento sabe que são mercadores de escravos. A profecia é uma espada sem punho também além da Muralha, por mais que o estereótipo do Nobre Selvagem Sábio queira nos fazer acreditar no contrário.

Prólogo (Pate): Eu gosto da ideia de que o colar dos meistres é um grande histórico escolar. Alguns deviam pendurar estrelinhas em seus melhores elos.

The Prophet (Aeron I): Prestando atenção, dá para ver que a pintura do navio Tempestade Dourada, que Aeron comandava antes de sua conversão, ainda retém um pouco da intenção original da carranca.

The Captain of Guards (Areo I): Eu gosto deste capítulo, mas ainda não sei se Areo é um personagem que precisa existir. É bom ter um ponto de vista estrangeira em Westeros, mas acho que um meistre ou um intendente teria até mais potencial. Em última análise, Areo ainda é mais um guerreiro.

Cersei I: É interessante que Cersei não seja acusada de matar o pai. Ela é herdeira de Casterly Rock, não deve ser segredo que estava se recusando a casar novamente e patricídio não seria o primeiro tabu que quebraria. Por outro lado, a essa altura o único que ganharia de fato espalhando essa história seria Stannis, mas isso não é do feitio do homem.

Tyrion I: Primeiro sinal da vantagem de ler AFFC e ADWD juntos: o monólogo interior de Tyrion tem relação direta com o que está acontecendo em Dorne e King’s Landing, algo mais difícil de perceber com 800 páginas de distância entre os capítulos.

Daenerys I: Dany lembra da existência do sobrinho, Aegon, e de que provavelmente teria casado com ele se a dinastia não tivesse caído. Entre as outras explicações e lembretes do capítulo, inevitáveis, no começo do livro, esta parece a menos importante para a história, não a mais.

Brienne I: Uma das figuras históricas citadas pelos cavaleiros é Lucas Lothston, descrito como “the Pander”. O termo significa “alguém que promove os casos amorosos ilícitos alheios; um cafetão”. Ainda não faço a mínima ideia do que isso pode significar, mas se tivesse que jogar diria que Aegon IV estava envolvido.

Jon I: Personagens minúsculos destinados a morrer de maneira inglória: Ser Godry Farring, o Matador de Gigantes. Mas não é uma lista pequena.

Bran I: Quem é Coldhands? Minha melhor resposta é “não Benjen Stark”, mas não sei quais chances eu aceitaria para apostar nisso.

Tyrion II: Não sei como nunca percebi, mas antes de se mudar para Westeros, Varys era Fagin. Pensamos tanto nas inspirações históricas e mitológicas da série que é fácil esquecer das literárias, mas GRRM é um escritor antes de mais nada e uma história sobre príncipes ocultos não está assim tão distante de Oliver Twist.

The Merchant’s Man (Quentyn I): Eu não lembrava que Penny aparecia neste capítulo, tentando ensinar uma nova dupla a fazer o show.

Samwell I: O conhecimento é uma arma, meistre Aemon diz para Jon Snow antes de ir embora. E o que faz o lorde comandante? Manda embora seus dois maiores repositórios de capital humano. Tsc, tsc.

Jon II: Este capítulo é um dos poucos que sofre com a leitura conjunta, e também que faz ela sofrer. O diálogo se repete demais, com menos perspectiva nova do que precisamos tão imediatamente, e ainda estraga o minimistério da troca dos bebês. Feastdance ainda tem mais vantagens do que desvantagens, mas hoje é um daqueles dias em que acho a estrutura melhor para veteranos do que para imaculados.

Arya I: De todas as paisagens e objetos descritos em ASOIAF, nenhum me daria mais vontade de conhecer pessoalmente do que o Titã de Braavos. A Muralha é legal, Harrenhal deve ser uma visita guiada interessante, Dragonstone seria presença constante no Instagram, mas o Titã é imbatível.

Cersei II: Se Kevan tivesse aceitado ser Mão do Rei, duvido que Varys teria matado-o tão rápido. O falso Aegon ainda não tinha aparecido na história, quanto mais decidido cruzar o Mar Estreito. É fácil imaginar uma história alternativa em que Tommen morre em um acidente trágico e Aegon VI se casa com Myrcella, que por sua vez também morre em um acidente trágico eventualmente. Mas não seria uma boa história.

Jaime I: Um daqueles diálogos que explicam muito mais para o leitor do que para os personagens: Jaime com Rennifer Longwaters. Rennifer explica que as celas estão vazias, com muito mais carcereiros e subcarcereiros do que o necessário, e que a coroa paga salários para mais ainda. Jaime não dá bola. Eu dou: nas partes mal-supervisionadas da burocracia de Westeros, Littlefinger vendeu sinecuras e contratou fantasmas. No Brasil, chamamos isso de apropriação indébita. Em Westeros, provavelmente chamam de traição.

Brienne II: Os Darklyn tiveram ramos com nomes como Dargood, Darke e Darwood, assim como os Lannisters tiveram Lanns e Lansters. O resultado é que eu fico olhando para outros nomes e pensando em possíveis derivação. Serry e Serrett, por exemplo, como outros já apontaram. Mas nunca acho nada. No máximo, Reyne poderia ver de Lann(ister), já que R-L é uma mudança comum, ey-a é um mudança vocálica que ocorreu de fato na língua inglesa e as duas casas usam leões como símbolos. Mas GRRM não é linguista, e tudo vai por água abaixo.

Sansa I: No audiobook, Roy Dotrice chama Ser Lyn Corbray de “mother” do lorde em vez de “brother”. Existem maneiras mais sutis de sugerir a homossexualidade de Ser Lyn.

The Kraken’s Daughter (Asha I): Respostas pelas quais já desisti de esperar: se os Greyjoy são “lordes colhedores de Pyke”, por que são os Harlaw com foices gigantes no salão e nas bandeiras?

Tyrion III: Desconfio que a espada está em um dos baús Duck ergue neste capítulo. *A* espada. Porque Young Griff é um dragão preto.

Davos I: A teoria do bandido estacionário não só descreve a origem do Estado em Westeros, ela ainda é bastante evidente em certas regiões. Juro que podia escrever um épico libertário passado exclusivamente nas Três Irmãs.

Jon III: Minha teoria pessoal sobre Bowen Marsh: se ao menos ele tivesse enfrentado zumbis de gelo em batalha, não selvagens tão recentemente, as facadas não teriam acontecido. Os receios que ele expressa neste capítulo não são absurdos, afinal; mais do que isso, ele expressa esses sentimentos, não se esconde para fomentar tramoias.

Daenerys II: Este é um capítulo que minha ideologia libertária me impede de entender de verdade: críticos em quem confio dizem que reabrir a arena é um erro, mas os argumentos dos gladiadores me convencem. Se querem lutar, que lutem, ora.

Reek I (Theon I): Coisas que achei nunca sentiria: pena de Theon Greyjoy depois de ACOK. É, de longe, a melhor parte de ADWD.

Cersei III: Olá, Aurane Waters, futuro lorde pirata do Mar Estreito, último valyriano na capital. Se não aparecer em um capítulo de Davos ou Victarion em TWOW, vou ficar decepcionado.

The Soiled Knight (Arys): Uma teoria obscura, mas que este capítulo quase me faz acreditar: Daemon Blackfyre não era filho de Aegon IV, mas de Baelor o Abençoado. O Rei Septão, afinal de contas, precisava de mortificações e rituais para conter sua luxúria, e a mãe de Daemon fora sua esposa. Isso ajudaria a explicar por que o próprio Aegon teria espalhado a história de que Daeron II era filho de seu irmão Aemon.

Bran II: “Você nunca vai caminhar novamente, mas vai voar”. Corvo ou dragão, nunca sei o que Bloodraven quer dizer com essa promessa.

Tyrion IV: Não sei se o capítulo fica mais ou menos interessante depois de ler isto. O conhecimento obsessivo quase sempre ajuda o prazer da leitura, mas não quando o mistério é parte tão importante da diversão.

Davos II: Um príncipe Targaryen que vestia um macaco com as roupas do filho morto. Hm… Um dos primos ou tios de Egg e Aemon, vou chutar. Em fóruns, já vi sugerirem Rhaegel Targaryen, o que faz sentido.

Brienne III: Eu queria ver Ser Hyle Hunt no seriado. Brienne + Jaime 4EVAH e tudo mais, mas Ser Hyle é uma parte essencial da transformação de Brienne em alguém que teria alguma escolha na vida.

Samwell II: Sam pensa sobre Skagos e seus possíveis canibais, uma daquelas coisas que parece digressão inútil até o último capítulo de Davos; Aemon lembra de Bloodraven, o que também parece inútil até os capítulos de Bran. Ambas as recompensas para o leitor estão em ADWD.

Daenerys III: A Estrada dos Dragões virou a Estrada dos Demônios. Espero que o nome seja literal.

Jon IV: Sem Davos por perto, não sei como Stannis sobrevive. Se eu tivesse que fingir respeitar as opiniões de gente como Clayton Suggs e Godry Farring todos os dias, acabaria enfiando uma faca no próprio pescoço.

Jaime II: Cersei deve ser a pior regente da história de Westeros. Por outro lado, quando ouvi este capítulo, ainda não conhecia os detalhes sobre a regência de Aegon III.

Tyrion V: Coisas que não consigo decidir: Tyrion sabe que fAegon é falso?

Cersei IV: Cersei Lannister, tão alucinada que consegue chocar até seus lambe-botas quando declara sua vontade de torturar uma guriazinha de doze anos até esta implorar pela morte. Eu entendo quem lê os capítulos dela em AFFC como indicando um colapso mental — ela claramente não percebe mais como está sendo vista e não consegue esconder esses absurdos — mas esse é também o capítulo em que ela lembra de ter ameaçado Mya Stone de morte se Robert a trouxesse para a Corte. Há um certo tipo de fã de ASOIAF que, na tentativa de não ser um bad fan defensor da misoginia, só consegue ler Cersei como vítima e todos os seus descalabros como consequência dos abusos de Robert. Com alguma caridade, Mya Stone entra nessa lista, já que o episódio ocorre quando Joffrey já matou seu primeiro gatinho. Mas Melara Hetherspoon veio antes disso tudo, e a pobre Melara é a semente dos desmandos deste capítulo. Cersei é um Victarion de saias, não uma Sansa embrutecida.

Davos III: Depois deste capítulo, só um criminoso não é fã de Davos Seaworth, Almirante do Mar Estreito, Lorde da Floresta das Chuvas e Mão do Rei.

The Iron Captain (Victarion I): Depois deste capítulo, por outro lado, qualquer fã de Victarion enquanto modelo de comportamento precisa de tratamento psicológico.

The Drowned Man (Aeron II): A democracia em ação em Westeros é sempre, sempre hilária, evocando aquela frase do Mencken.

Brienne IV: Um personagem subestimado nas reavaliações de AFFC: Nimble Dick Crabb. É um dos poucos personagens realmente de classe baixa que vemos interagir por bastante tempo com um dos protagonistas. Não é um septão, um sargento ou um pequeno comerciante, mas alguém que realmente merece o título de smallfolk.

The Queenmaker (Arianne I): “Eu pertenço à noite” é uma frase muito ridicularizada de Gerold Dayne, mas em contexto ela é um pouco menos idiota: Myrcella acaba de perguntar se ele é a nova Espada da Manhã, e ele está frisando seu distanciamento do título. Um homem arrogante, ainda, mas um pouco menos idiota.

Arya II: Este é o último capítulo com o nome “Arya” no cabeçalho. Já estou com saudades de ver aquelas quatro letrinhas abrindo um capítulo. Espero que elas sejam uma fonte tão grande de felicidade quanto foi ver “Theon” depois de tantos “Reeks”.

Alayne I (Sansa II): Mais uma menção às tapeçarias que Petyr Baelish pediu de Cersei. Minha teoria favorita: ela apresenta uma sucessão de Baratheons, todos sempre morenos. Ao lado de Mya Stone, seria a prova da bastardia de Tommen e Myrcella.

Cersei V: Cersei desenhou um retrato dela voando com Rhaegar em um dragão. Está aí uma imagem que precisa ser reproduzida mil vezes no Tumblr.

Reek II (Theon II): Acho que o nome “Theon” não aparece uma única vez neste capítulo.

Jon V: O arroubo de feminismo do Jon neste capítulo não costuma ser listado entre seus piores erros, mas é um problema ainda assim. A Patrulha da Noite não está preparada para mudanças tão radicais, e trazer mulher para a instituição é uma mudança enorme. Até parece que ele nunca ouviu Brave Danny Flint.

Tyrion VI: A leitura tradicional é que Tyrion colocou caraminholas na cabeça de fAegon, mas não sei se Griff não teria chegado à mesma conclusão depois da visita a Selhorys e a descoberta de que Dany ainda está em Meereen. Chegando sozinho em Meereen, ele seria apenas um Quentyn mais bonito e, ao contrário do que Ser Barristan acredita, não é apenas a relativa feiura de Quentyn que impede a Daenerys de partir para Westeros.

Daenerys IV: Profecias são palavras e palavras são vento, diz Daenerys. Prólogo para o próximo volume, espero.

The Lost Lord (Jon Connington I): Consenso geral: JonCon era apaixonado por Rhaegar Targaryen e realmente acredita que fAegon é o herdeiro legítimo do trono. Minha opinião minoritária: no exílio, ele namorava Myles “Blackheart” Toyne.

The Windblown (Quentyn II): Um magnífico pastiche de El Cid Campeador em dois ou três parágrafos. Em algum ponto entre o final de ASOS e o planejamento de AFFC/ADWD, Martin decidiu enfiar toda a Idade Média em Westeros. Eu aprovo o impulso.

The Wayward Bride (Asha II): Um dos homens de Asha é chamado de Grimtongue. Parece um Dolorous Edd dos homens de ferro. Agora estou triste de não ter visto umas duas ou três cenas com ele.

Brienne V: Olha só, um capítulo em que nada acontece… exceto um dos melhores discursos de toda a série.

Samwell III: As Ilhas de Verão, possivelmente a etnia menor que mais me chama a atenção durante a leitura. Sempre que aparece um personagem daquelas bandas, acho que ele vai ser interessante. Talvez porque o eixo interpretativo é sempre Essos-Westeros, e os… veraneanos? veranistas?… não são nenhum dos dois.

Jaime III: Ser Bonifer Hasty foi escolhido por alguém para ser castelão de Harrenhal. Jaime acha que foi Merryweather, mas eu chutaria Littlefinger: Hasty certamente não vai tentar assumir o controle do castelo ou coisa que o valha.

Tyrion VII: É engraçado pensar que Jorah Mormont é um dos poucos westerosi que entende o fato de seu país ser, para usar uma terminologia alienígena àquele mundo, o Terceiro Mundo.

Jon VI: Cotter Pyke e Ser Denys Mallister reclamando que os homens que Jon mandou para suas respectivas fortalezas não prestam para nada e também que precisavam de mais: a versão da Patrulha da Noite para o começo de Annie Hall.

Davos IV: Ser Bartimus parece criado para causar debates entre os fãs: um cavaleiro de White Harbor, armado no campo por um feito de bravura, adorador dos velhos deuses. Viola as regras estabelecidas sobre cavalaria em Westeros, mas ser da região dos Manderlys significa que pode ser uma exceção sincretista. Um milhão de posts em fóruns, sem jamais encontrarmos uma solução.

Cersei VI: A parte mais estarrecedora da bobagem que Cersei comete neste capítulo, quando rearma a Fé dos Sete, é que ela conhece a história de Westeros. Várias e várias vezes, ela menciona casos famosos, histórias de reis e lordes, fofocas, etc. Ninguém sabe mais e entende menos do que Cersei Lannister.

The Reaver (Victarion II): Burro feito uma porta, Victarion acha que vai dar um golpe no irmão e roubar os dragões. É impossível enganar um homem honesto, mas qualquer um dá rasteira no capitão das lulas.

Daenerys V: Justiça seja feita com Ben Plumm, ele tentou. Várias vezes. Daenerys simplesmente não perecebe que Meereen é uma gigantesca Kobayashi Maru de tijolos.

Melisandre I: Algo que sempre acreditei, mas que muita gente duvidava até este capítulo: Melisandre acredita na própria bullshit.

Jaime IV: Mais uma vez, tapeçarias como possível sinal de lealdade política. Em Darry, são retratos de Targaryens. Um tema menor, mas recorrente.

Brienne VI: Coisas que não entendo: este capítulo é o melhor final feliz possível para Sandor Clegane, mas diversos fãs imaginam que um dos próximos volumes trará o chamado “Cleganebowl”. Como se Sandor Clegane, manco, doente e escondido numa ilha obscura, infame de norte a sul, fosse ser escolhido pela fé para um julgamento por combate. Não faz o menor sentido.

Reek III (Theon III): Minha teoria pessoal sobre jus primae noctis em Westeros: é um dos exemplos mais claros de que o mundo pseudomedieval pretende refletir a Idade Média histórica *e* a Idade Média imaginada. Não, o direito à virgindade dos servos nunca existiu na Europa, e GRRM sabe muito bem disso, mas a ideia existiu e teve consequências. É mais uma maneira de educar o leitor sobre como entender e interpretar o mundo ficcional que está visitando.

Tyrion VIII: Moqorro viu Blackfyres nas chamas, acho, e talvez até Bloodraven. É como interpreto a expressão “dragões claros e escuros”.

Cersei VII: A Filosofia Política de Cersei Lannister: Quem não está comigo 100% do tempo, está contra mim. Obediência é lealdade, crítica é deslealdade. O poder é um objetivo, não um meio. O aliado de hoje é o inimigo de amanhã. O inimigo de hoje é o aliado do meu inimigo amanhã. Eles devem estar tramando algo hoje mesmo. Quem interceptar uma carta provando minha descoberta receberá as terras, castelos e rendas desses traidores.

Jaime V: Lady Genna diz que decepcionou Tywin, mas não explica como ou o porquê. Pelo contexto, não parece ter sido o casamento com Emmon Frey ou a frase sobre “Tyrion ser filho de Tywin”.

Cat of the Canals (Arya III): Eu tinha esquecido que este capítulo explica como Jaqen H’ghar matou Weese em Harrenhal: o sangue de basilisco na carne do cachorro, um veneno que enlouquece animais e causa uma fúria súbita e violenta.

Samwell IV: Aemon também tinha sonhos proféticos, como revelado por sua frase sobre o enigma da Esfinge (Sarella Sand, disfarçada na Cidadela), mas não sei se o fato era conhecido antes deste capítulo. Algo para prestar atenção na próxima releitura.

Cersei VIII: Estabelecer um grande banco Westerosi provavelmente é a única boa ideia que Cersei tem, mas ela não parece fazer ideia do que isso significaria. Aliás, a falta de um sistema financeiro desenvolvido é um dos sinais mais claros de que Westeros é uma sociedade atrasada em relação às cidades do Oeste de Essos.

Brienne VII: Eu podia passar sem a mordida na cara de Brienne.

Jaime VI: Edmure cai em um blefe, mas não é a pior decisão do mundo. Com a rendição, os Tullys vivem para lutar novamente, como os Greyjoys após a rebelião. E o Casamento Vermelho 2.0 não está longe.

Cersei IX: Trilha sonora oficial para o final do capítulo:

(Quando anotei que essa era a trilha, o vídeo estava aberto. Agora, o vídeo está fechado e não consigo mais reconhecer que clipe é esse. Maldito YouTube.)

The Princess in the Tower (Arianne II): Arianne é beeem menos esperta do que imagina. O pai coloca livros específicos e estratégicos em sua cela, obviamente nada aleatórios — Doran nunca faz nada por acaso — e ela só consegue achar todos tediosos.

Bran III: Um irmão que odiava, um irmão que amava, diz Bloodraven. Ainda acho que o irmão que ele amava era Daemon, a quem matou no Campo da Grama Vermelha. Mais trágico, mais romântico, mais GRRM.

Jon VII: Intérpretes que falam a língua antiga: uma necessidade urgente da Patrulha da Noite, e algo que Sam Tarly teria reconhecido de imediato. Ele, não Jon, deveria ter sido escolhido. Mas não faria sentido para os personagens, para o mundo ou para a história. Melhor para nós, pior para os personagens ficcionais, eu suponho.

Daenerys VI: Dany acha que os Targaryens não adoecem, pois é isso que Viserys ensinou, mas uma das filhas do Velho Rei morreu de greyscale. Acho que Viserys estava errado, não que greyscale é especial. Mas posso estar errado.

The Prince of Winterfell (Theon IV): Tortas, tortas, tortas! Se tivesse os ingredientes, a paciência ou a habilidade, tentaria fazer minha própria versão da torta. Carne de fuinha deve ser até mais magra do que a de porco.

The Watcher (Areo II): Dorne ainda tem amigos na corte, diz Doran. Imagino que seja Taena Merryweather, considerando os laços entre Sunspear e as Cidades Livres mais próximas. Faria sentido ter espiões entre os Tyrells e que um deles buscasse um alvo mais valioso (no caso, Cersei).

Jon VIII: Mandar barcos para Hardhome é um erro. O risco é muito grande (travessia perigosa, rejeição do salvamento), o benefício potencial é muito pequeno (Cotter Pyke não conseguiria transportar muita gente) e o custo político é alto demais. Jon Snow não sabe que é impossível ganhar todas as batalhas.

Tyrion IX: Acho que essa é a primeira vez que Tyrion encontra o resultado de uma profecia.

The Turncloak (Theon V): Tem alguma coisa de errado com a cronologia de Barbrey Ryswell Dustin. Ela diz que o pai pretendia casá-la com Eddard Stark, mas que Catelyn Tully o roubou também, motivo pelo qual acabou casando com Lorde Dustin; seis meses depois, começou a rebelião. Mas Ned só casou com o começo da rebelião. Minhas opções: (1) ela está mentindo ou confusa e/ou (2) Rickard Stark rejeitou a proposta de Lorde Ryswell pouco antes de ser executado.

The King’s Prize (Asha III): A reflexão de Asha sobre o desconforto do rei em torno de mulheres fez com que algo clicasse na minha cabeça: Stannis é um nerd. Um mega nerd.

Daenerys VII: Eu queria entender melhor o que foram as “liberdades” que Aerys tomou durante a cerimônia de casamento de Tywin e Joanna Lannister. As teorias dos fãs de que ele teria estuprado a noiva nunca fizeram sentido, e fico feliz em saber que TWOIAF elimina qualquer possibilidade de Jaime e Cersei serem filhos de Aerys, mas o modo como Roy Dotrice lê a fala neste capítulo sugere algo particularmente exagerado por parte do Rei Louco.

Alayne II (Sansa III): Sansa, que geralmente entende dessas coisas, acha que Ser Lothor Brune seria um casamento à altura para Mya Stone, filha bastarda não reconhecida de Robert. Nesse caso, qual seria um bom casamento para Edric Storm, nobre dos dois lados e reconhecido pelo pai?

Jon IX: Antes do inverno é absolutamente a época certa para a Patrulha da Noite fazer um empréstimo. No mundo real, uma instituição dessas, em um clima desses, teria uma linha de crédito estabelecida há séculos junto ao Banco de Ferro.

Brienne VIII: “Espada”. A palavra é “espada”.

Cersei X: Eu acho hilário que Qyburn é, de longe, o conselheiro mais competente de Cersei. Ele sabe ler a situação, não tira conclusões precipitadas, não promete mais do que pode cumprir e não oferece mentiras doces quando a situação exige verdades amargas. Se não fosse uma mistura de Herbert West com Josef Mengele, seria um exemplo para toda a corte.

Jaime VII: Jaime não entende nada de história, mas tenho a impressão que leu cada página do Livro Branco dez vezes.

Samwell V: Do hiato de cinco anos abandonado, uma das partes que mais sinto falta é Samwell Tarly, Universitário.

The Blind Girl (Arya IV): Motivo pelo qual este é o ponto certo para ADWD não se misturar mais com AFFC a partir daqui: Arya sabe que está nevando em Riverrun, algo que só acontece no penúltimo capítulo do livro anterior.

A Ghost in Winterfell (Theon VI): Quem é o Homem Encapuzado em Winterfell? Alguém que conhecia Theon, alguém que também estava fora do salão durante a refeição. Não Theon Durden, talvez ninguém importante. Às vezes, alguns mistérios sequer sei se são mistérios de fato.

Tyrion X: Tyrion é um escravo muito lucrativo. Se entendesse melhor a instituição, teria comprado sua liberdade em menos de um mês, e a de Penny e Mormont também.

Jaime VIII: “Eu sei com quem estou lidando. Regicida”. Uma de minhas falas favoritas em todo o livro, mas só funciona em contexto.

Jon X: Selyse Florent Baratheon, se fosse uma pessoa de verdade, teria uma astróloga pessoal, promoveria séances e compraria poções do amor para trazer o marido de volta. Com o mesmo sucesso.

Daenerys VIII: Há quem ache que a paz de Meereen é genuína e que Daenerys teria aproveitado um período de estabilidade se não fosse por Drogon, mas o mercado de escravos que aparece neste capítulo é prova do contrário. O abolicionismo é, felizmente, um meme profundamente desestabilizador em uma sociedade escravocrata.

Theon VII: Questão técnica: se infiltrar no castelo para matar soldados conta como violação do Direito de Hóspede? Ou o fato do castelo estar invadido significa que os Boltons não estão protegidos por esse direito?

Daenerys IX: Acho que Hizdahr estava envolvido com os gafanhotos envenenados. A pista que me convenceu: ele diz que não gosta do tempero forte, mas consome comidas temperadas em outros capítulos.

Jon XI: Jon Snow, promovendo uma revolução sem sequer buscar o consentimento dos revolucionados. Cada frase da conversa neste capítulo afia mais um pouco a adaga de Bowen Marsh.

Cersei XI: O Alto Septão é um porco machista, mas ele articula como poucos o que torna a infidelidade de Cersei especial: quando Robert ainda era vivo, sua infidelidade era alta traição, um ataque à legitimidade dos herdeiros reais e uma fonte de instabilidade política. Os bastardos de Robert, por outro lado, podem ser até uma fonte de estabilidade (“vejam como o rei consegue ter filhos”), desde que corretamente administrados.

The Queensguard (Barristan I): O visual das máscaras de bronze era algo que eu gostaria de ver na TV. Seria uma excelente maneira de comunicar o clima de paranoia na corte de Meereen.

The Iron Suitor (Victarion III): Victarion não para de pensar em quem são ou não são “homens de verdade” e compara os mares traiçoeiros com mulheres. É um dos milhares de toques que me fazem ansiar pelo momento em que ele virará churrasco de lula.

Tyrion XI: Os sininhos no colar são uma excelente paródia dos sinos Dothraki. Eu ia adorar ver na tela, mas é fácil enxergar por que Benioff e Weiss eliminaram esse elemento.

Jon XII: Ideias de Jon Snow que eu acho que não darão certo: encher um castelo de mulheres. O comandante já tem uma amante, como Edd Tollett informa neste capítulo. Parece uma receita para criar um novo Craster.

The Discarded Knight (Barristan II): Eu adoro a história de como Ser Barristan ganhou seu apelido. Me faz imaginar uma mistura de Arya Stark com Jaime Lannister, um futuro monstro arrogante se não fosse pela derrota.

The Spurned Suitor (Quentyn III): O termo em inglês que descreve este capítulo é table-setting. Faz sentido que boa parte ocorra durante o que é, na prática, um jantar de negócios.

The Griffin Reborn (Jon Connington II): Connington não quer Ser Rolly Duckfield na Guarda Real de fAegon porque esta deve ser composta apenas por guerreiros renomadas, para dar prestígio à instituição e atrair novos membros, mas está errado. Ser membro da guarda dá a Duck muito prestígio, sem grande prejuízo ao próprio se o cavaleiro não fizer algo de errado. A coroa faz o rei tanto quanto o rei faz a coroa.

The Sacrifice (Asha IV): Se a história de Theon tivesse terminado aqui, com a chegada no acampamento e o reencontro com Asha, eu já me daria por satisfeito. Daí lembro o que vem a seguir e penso “yay!”

Victarion IV: Victarion costumava ser um de meus POVs menos favoritos, mas aprendi que são capítulos de comédia. Agora, tenho que me controlar para não soltar gargalhadas com cada pronunciamento do Capitão da Frota de Ferro.

The Ugly Little Girl (Arya V): Arya escolhe a mesma técnica de assassinato que Jaqen no começo de Feast/Dance. Não é mistério, não é mágica, é só literatura.

Cersei XII: Cersei diz que os cavaleiros da Fé dos Sete estão todos usando cilícios sob suas armaduras. Se alguém quiser um para seu cosplay, tem para vender em lojas ultracatólicas. Ou talvez sejam sexshops muito bem disfarçados, ainda não decidi.

Tyrion XII: Um dos membros históricos dos Segundos Filhos foi Rodrik Stark, The Wandering Wolf. Graças a TWOIAF, agora sabemos que Rodrik era um sétimo filho e que é avô de Ned Stark — foi ele que casou com uma Flynt das montanhas e teve uma filha que casou com Rickard Stark, primo de segundo grau da noiva.

The Kingbreaker (Barristan III): Na TV, um arakh parece uma foice, mas já ouvi falar que uma espada curva mais tradicional, como o kilij, faria mais sentido e se encaixa melhor com as descrições. Se ao menos eu soubesse alguma coisa sobre armas brancas, poderia ter uma opinião.

The Dragontamer (Quentyn IV): Qual foi o erro de Quentyn, além de tentar se meter com um dragão e presumir demais sobre as intenções de Daenerys? Achar que uma leva de comida seria suficiente para domar Viserion ou Rhaegal. Cento e setenta anos antes, Nettle precisou de vários dias para estabelecer uma relação com Sheepstealer.

Jon XIII: Estava ouvindo este capítulo na rua e quando começou a descrição de Gerrick Kingsblood, avistei uma menina ruiva na fila. “Beijada pelo fogo”, pensei. “Sorte”.

The Queen’s Hand (Barristan IV): É interessante que o conselho que Ser Barristan reúne não possui ninguém parecido com um meistre. Em retrospecto, acho que não encontramos ninguém com essas características em todos os capítulos passados na região. Mais um sinal de que a região é subdesenvolvida até em relação a Westeros.

Daenerys X: Dany sofre um aborto espontâneo neste capítulo: menstruação estava atrasada, mas ela passa mal e vem um fluxo forte. Tendo crescido sem mulheres mais velhas em sua vida, ela nem percebe. Melhor assim, é literatura melhor.

Epílogo (Kevan): Ser Boros Blount está morrendo envenenado, mas não sei se Tommen também está. Ser Boros está mal, mas Tommen parece alegre e contente. A intriga nos capítulos em KL será particularmente divertida.

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