A Storm of Swords, Capítulo por Capítulo

E agora, minhas anotações da leitura de A Storm of Swords. As mesmas observações iniciais que fiz sobre a leitura de A Game of Thrones e A Clash of Kings se aplicam. O próximo post desta série vai demorar para sair, pois lerei AFFC e ADWD simultaneamente.

Prólogo (Chett): Chett era camponês nas terras de Walder Frey. Tom O’Sevenstreams também, como veremos depois. Dois rebeldes contra a ordem estabelecida, Tom e Chett. Em ASOS, no entanto, quem mais destrói a ordem estabelecida não é Chett com seu motim, Tom com sua revolta ou Daenerys com sua revolução. É Tywin Lannister com sua conspiração, são Roose Bolton e Walder Frey com sua traição. A ordem estabelecida não é substituída por algo melhor em Westeros. GRRM não é conservador politicamente, mas algo me diz que Edmund Burke e alguns colegas entenderiam muito bem a política da série.

Jaime I: Jaime lembra de Cersei reclamando que ele não devia ter atirado Bran pela janela, mas não que ela havia sugerido ou ordenado que o fizesse. É uma omissão que diz muito sobre a relação dos dois, sem falar da confiabilidade da memória dos dois como narradores.

Catelyn I: Catelyn deduz que Lysa estava grávida de um bastardo quando era jovem, mas não quem era o pai. Apesar de pensar naquela época, em Lysa e em Brandon Stark, ela sequer considera Petyr Baelish como personagem da trama. Um ponto cego terrível, mas perfeitamente compreensível.

Arya I: Em seu sonho de lobo, Arya vê quatro membros dos Bravo Companheiros: Iggo e três anônimos que ela supostamente estariam atrás dela ou de suprimentos. Em retrospecto, considerando a posição do capítulo, é mais provável que os quatro já estejam atrás de Brienne e Jaime. Seria mais fácil resolver isso se soubéssemos onde a alcateia de Nymeria está a essa altura da história, se mais perto de Harrenhal ou do Tridente, onde ela vai recuperar o cadáver da futura Lady Stoneheart.

Tyrion I: A busca por Tyrek Lannister volta a ser mencionada. Muita gente acha que ele está sob o poder de Varys, mas é um assunto sobre o qual fico cada vez mais agnóstico.

Davos I: Quando li os livros pela primeira vez, achava que os capítulos de Davos não acabavam mais agora. Agora, acho que são poucos, muito poucos, e quero mais. ASOS tem metade dos capítulos do personagem em toda a série. Pelo menos sei que se um desejo será atendido em TWOW, este será: Mais Davos! Mais Davos! Mais Davos!

Sansa I: Olenna Tyrell menciona que alguém quis casá-la com um Targaryen quando era jovem, mas se recusou. Pela idade, a jovem Olenna Redwyne provavelmente provavelmente teria sido prometida a um dos filhos de Egg ou ao filho de Aerion Brightflame, mais ou menos da sua idade, que foi rejeitado pelo Grande Conselho que escolheu Aegon V. Todas são boas opções. Os filhos de Egg casaram por amor, e um deles abandonou a coroa para fazê-lo, o que apoiaria a ideia de que Lady Olenna foi a rejeitada na história e que o apelido “Rainha de Espinhos” faria referência originalmente a esse episódio; e o filho de Aerion explicaria sua menção gratuita à combinação de beleza e monstruosidade deste, além de sugerir alguma intriga palaciana na época do conselho.

Jon I: Eu não lamento a perda das músicas de ASOIAF tanto quanto as de O Senhor dos Anéis, mas eu queria ouvir Mance Rayder cantando sobre a Mulher do Dornês ou o Último dos Gigantes.

Daenerys I: Balerion morreu durante o reino de Jaehaerys I. Mais um motivo para ficar ansioso por The World of Ice and Fire, especialmente ouvindo este capítulo depois de ler o resumo do capítulo sobre o Oeste.

Bran I: Ainda acho que “hodor” significa alguma coisa, mas que o próprio Hodor não lembra mais o que é, por mais que hodoreie.

Davos II: Davos menciona uma Guarda Costeira comandada por Ser Tristimun. Mais tarde, veremos que Stannis realizou missões semelhantes a de uma Guarda Costeira na costa norte do Vale quando era almirante do irmão, mas não da mesma forma permanente. Tudo indica que a instituição desapareceu sob o reino de Robert, mais um sinal da desintegração do reino unido.

Jaime II: Uma fonte eterna de teorias espúrias: como Cersei convenceu Aerys a colocar Jaime na Guarda Real? Algumas delas são, digamos assim, pouco esclarecidas em termos de questões de gênero.

Tyrion II: “Quando o sol se põe, nenhuma vela pode substituí-lo”, possivelmente a melhor frase de Loras na série.

Arya II: Coisas que são difíceis de lembrar até ficarem óbvias e gritantes: Arya tem dez anos de idade a essa altura da história.

Catelyn II: Alguns fãs duvidam da lealdade da rainha de Robb, mas ao que parece todos os irmãos Westerling são leais e honestos, ao contrário da mãe. Ser Raynald morre lutando pelo morte no Casamento Vermelho e Jeyne parece realmente triste quando a vemos de novo nos capítulos de Jaime em AFFC. Rollam e Elenya, mais novos ainda, provavelmente não sabiam de nada. Eu não acredito em teorias bizarras sobre Jeyne ter sido trocada por Elenya quando o Peixe Negro escapou — a famosa discrepância dos quadris pode ser explicada mais facilmente por erro do autor ou fome em um castelo sitiado — mas não sei explicar por que os dois mais novos não são mencionados no quarto livro.

Jon II: Personagens dos quais absolutamente não me canso e creio que nunca me cansarei: Tormund Giantsbane, protolorde Ruddy Hall, possível pai das filhas da Casa de Mormont. Especialmente quando canta The Last of the Giants.

Sansa II: Sansa pensa na história dos irmãos Toyne, a origem da Irmandade da Floresta Real, um dos elos secretos menores da história de Westeros: Jon encontra um sobrevivente na Muralha, Jaime se tornou cavaleiro por participar da luta contra os foras-da-lei, um Toyne liderava a Companhia Dourada em Westeros e o epílogo de ASOS mistura esta com a nova Irmandade. É divertido quando os personagens se cruzam na narrativa, mas acho sempre interessante quando o passado se cruza também.

Arya III: E logo a seguir, Tom O’Sevens compara a nova irmandade com a antiga, estendendo os elos. E Harwin compara Arya com Lyanna sobre a sela, uma dica importante sobre o Cavaleiro da Árvore Risonha. Quando nada acontece, é a hora do leitor arregalar os olhos.

Samwell I: Um mito popular sobre armaduras medievais é que as placas de metal eram pesadas e reduziam a mobilidade, mas a cota de malha era leve e fácil. A ideia até aparece um pouco no primeiro volume, considerando as descrições de Ser Vardis Egen durante o duelo no Eyrie. Este capítulo tem uma descrição mais correta do efeito da cota de malha: um peso enorme pendendo dos ombros, dificultando o movimento incrivelmente. Quanto às placas de metal, elas distribuíam o peso muito melhor e aumentavam consideravelmente a mobilidade. Estou com preguiça de procurar, mas é fácil encontrar vídeos de pessoas fazendo ginástica e correndo com elas no YouTube.

Tyrion III: Receita de Tywin Lannister para desertores voltando aos quartéis: quebrar os joelhos de todos. O que fazer com Mance Rayder, um desertor da Patrulha da Noite condenado à morte pelas leis do Reino? Considerar uma aliança. Grande estadista, Tywin Lannister. Queima um hectare para cada batata que colhe.

Catelyn III: Edmure fica sugerindo que Robb poupe a vida de Rickard Karstark, e não duvido que alguns leitores acreditem que, em retrospecto, ele estava certo. Mas não estava. A discussão entre Robb, Edmure, Brynden e Catelyn é um possivelmente o pior momento do excesso de caridade de Edmure, tentando fechar a porteira depois que toda a boiada dos Karstarks fugiu, sem perceber minimamente que é isso que está fazendo.

Jaime III: Jaime lista Robert Baratheon entre os indivíduos mais fortes do que ele próprio, além dos irmãos Clegane, Stronboar Crakehall e Greatjon Umber entre os vivos, e Gerold Hightower e Arthur Dayne entre os mortos. Uma lista completa dos personagens mais fortes provavelmente incluiria Small Paul, Hodor, Smalljon Umber, Strong Belwas e Archibald Yronwood, entre outros, mas o mais interessante é que essa deve ser a única vez em toda a série que Jaime tem algo de positivo a dizer sobre Robert.

Arya IV: Harwin explica a formação a Irmanadade Sem Bandeiras em células de guerrilha, mas não explica se isso é uma inovação de Lord Beric Dondarrion em Westeros ou se ele está seguindo alguma tradição antiga, como as táticas de Dorne contra os dragões dos Targaryens. Mais um assunto para buscar em TWOIAF.

Daenerys II: Um rei corsário demonstrou interesse por comprar uma centúria de Imaculados em Astapor três dias antes desse capítulo. Euron Greyjoy, com certeza.

Bran II: Nada acontece nos capítulos do Bran… exceto, é claro, o segredo que explica metade da série.

Davos III: Alester Florent é um exemplo perfeito do ditado de que os generais estão sempre preparados para lutar a última guerra, não a próxima. Ele propõe um tratado de paz para os Lannisters acreditando que Stannis luta por terras e glória e honrarias, como um Blackwood querendo uma vila que está nas mãos de um Bracken, como um Bolton querendo controlar um território dos Hornwoods, como um magister de Pentos querendo estender rotas comerciais por território controlado por Norvos. Mas Stannis está lutando uma guerra existencial, não por lucro; suas declarações são ideologia, não propaganda. Alester Florent acha que perdeu a batalha em Passchendaele ou Balaclava, mas Stannis está lutando a em Inchon, Bagdá e Jerusalém.

Jon III: Algo que eu tinha esquecido: o tabu do incesto é muito mais forte entre os Selvagens, já que proíbe a endogamia entre os membros do mesmo clã ou vilarejo. É um fator cultural que impede os clãs de se expandirem e formar entidades políticas mais estáveis e poderosas por si só.

Daenerys III: Sempre acho hilário que Missandei tenha sido um brinde para Daenerys. Uma criança que fala trocentas línguas, interpreta e sabe atenuar as palavras de um lado e outro seria uma funcionária valiosa ainda hoje. Provavelmente a aquisição mais importante de Daenerys em Astapor, acima de qualquer Imaculado.

Sansa III: Antes deste livro ser lançado, GRRM brincou que ele teria quatro casamentos e dois funerais. Lendo o capítulo, é difícil lembrar que este é o casamento mais feliz e tradicional dos quatro, além de o segundo mais duradouro.

Arya V: O capítulo abre com uma descrição da Batalha dos Sinos, durante a rebelião, incluindo o papel de Lorde Jon Connington na batalha. É provavelmente o aspecto da história que mais chama a atenção na releitura, enquanto na primeira vez o leitor só quer saber de Ned Stark e Robert Baratheon e Hoster Tully.

Jon IV: Às vezes, sinceramente não entendo por que tem leitores que ficam debatendo sobre o Berrante de Joramun e o que ele pode ser. Claramente, ou não existe ou é o berrante que Sam e Jon acharam em ACOK. É como se ninguém tivesse assistido Indiana Jones e a Última Cruzada.

Jaime IV: Quando Jaime chega em Harrenhal, Lorde Bolton está extremamente bem informado sobre o que aconteceu na batalha, incluindo os ferimentos de Tyrion. Um sinal, provavelmente, de que já está se comunicando com Tywin na cidade. O Casamento Vermelho é o melhor tipo de surpresa: aquela que faz a gente dar um tapa na própria testa e gritar “Mas como eu não vi que isso ia acontecer?”

Tyrion IV: Tyrion estima que há quase 200 espadas de aço valiriano nos Sete Reinos entre as milhares que sobraram no mundo todo. É uma boa estimativa da pobreza de Westeros em comparação com Essos. (Diga-se de passagem que Thobo Mott menciona usar feitiços em seu trabalho de ferreiro, algo que Tyrion sequer comenta. E o aço acaba saindo com as cores dos Targaryens, ainda por cima.)

Samwell II: Às vezes, eu descubro o que os fãs originais de ASOIAF pensavam sobre a série antes de eu conhecê-la. Por exemplo, muita gente reclamou dos capítulos do Sam em ASOS por achá-los desnecessários, tanto quanto reclamaram de Quentyn em ADWD. Mais do que isso, reclamaram que os capítulos de Theon em ACOK eram desnecessários para a história e roubavam espaço que poderia ter sido destinado a Robb. Mas quem diabos lê sobre a morte do Outro, o Motim na Fortaleza de Craster, Coldhands e a eleição de Jon Snow e resmunga?

Arya VI: Beric Dondarrion começa a cena sentado entre as raízes de weirwood, misturado a elas. Não sei se GRRM apenas repetiu uma imagem que gostou com o Corvo de Três Olhos ou se Lorde Beric está prefigurando propositalmente Brynden Rivers em sua caverna.

Catelyn IV: Uma das tradições que mais valorizo, pelo menos comparativamente, é a honra de carregar o caixão de um parente em seu enterro. A ideia de Lothar Frey fazendo esse papel enquanto planeja o Casamento Vermelho me é particularmente repugnante.

Davos IV: Entre os traidores históricos que Stannis arrola, o único mistério absoluto é o Grande Meistre Hareth. Preciso saber sobre ele mais do que até sobre os Nove Magos d’Além-Mar que Aegon III trouxe para ressuscitar os dragões.

Jaime V: Quando Roose Bolton diz que sabe que Arya está viva, a ideia é que o leitor acredite que ele está envolvido com a Irmandade Sem Bandeiras, não com os Lannisters, imagino. Mas a pergunta mais interessante é se ele acha isso porque acha que a Arya prometida a Ramsay Snow é genuína ou se está apenas fingindo acreditar na mentira dos Lannisters em causa própria. A terceira opção, de que sobrou alguém em Harrenhal que saiba da verdade e que tenha contado a história de Arry/Weasel/Nym, ou mesmo que ele tivesse percebido que sua criada era uma Stark, não faria o mínimo sentido.

Tyrion V: Oberyn menciona que visitou Casterly Rock com a irmã, a mãe e o consorte desta, sugerindo que a Princesa de Dorne estava casada com um segundo marido na época, não o pai de seus filhos. Por mais complexas que sejam as árvores genealógicas do wiki, é incrível quantas informações ainda temos apenas por inferência.

Arya VII: Entre os Bloody Mummers que morrem no início do capítulo, Arya vê mercenários de Volantis com tatuagens terríveis. Considerando o que aprendemos depois sobre os costumes dos senhores de escravos, isso sugere que eles eram escravos fugitivos reincidentes antes de se juntarem ao bando do Bode.

Bran III: Por causa da estrutura de múltiplos POVs, depois de AGOT, os livros lembram mais um fixup (romance feito unindo contos) ou algo como Winesburg Ohio. Este capítulo e o seguinte são dois dos poucos em que a narrativa retoma o que seria a estrutura tradicional, mantendo-se no mesmo local, tempo e ação consecutivamente. Acredito que isso vai ficar mais frequente em TWOW e ADOS, já que a tendência da série é a reunião dos personagens que estavam separados.

Jon V: Jaehaerys I Targaryen e a rainha Alysanne visitaram o norme com toda a corte e seis dragões. Vejamos: o rei, a rainha, dois ou três filhos e talvez um Velaryon com um dragão? A filha Daella, futura ou talvez já atual Lady Arryn? Viserys I voava com Balerion, então o Terror Negro pode ter sido um dos visitantes.

Daenerys IV: Os Segundos Filhos surgem na história. Em ADWD, lemos que um de seus membros foi Rodrik Stark, mas nada mais sobre esse Stark, incluindo quando ele viveu. Na árvore genealógica provisória de TWOIAF, descobrimos que esse Stark era o avô de Ned, pai da Lady Stark de um ramo secundário que casou Lorde Rickard Stark. O sangue de lobo corria forte no outro lado da família.

Arya VIII: Thoros é o único sacerdote vermelho que demonstra tolerância religiosa. A Fantasma de High Heart indica claramente que é adoradora dos deuses antigos, mas Thoros não comenta em nenhum momento sobre sua crença. Ele usa o termo “Seven-besotted” para descrever Westeros, mas nada além disso. Que eu lembre, Moqorro é tão intolerante quanto Melisandre, apesar de disfarçar um pouco melhor do que esta e ter menos oportunidades de exercitar suas opiniões.

Jaime VI: Que desgraça, a falta de flashbacks no seriado. O que eu não daria por cenas passadas durante o Torneio da Falsa Primavera: Aerys escolhendo Jaime para a Guarda Real, Barristan e Brandon dançando com Ashara Dayne, o Cavaleiro da Árvore Sorridente competindo nas listas, Rhaegar coroando Lyanna. A história faz muito mais sentido quando sabemos mais sobre esse evento.

Catelyn V: A narrativa obriga Catelyn a se dirigir às Gêmeas, e a lógica interna da história diz que Robb precisa levar uma comitiva nobre para o casamento do tio, mas o Rei do Norte teria uma desculpa fácil para não levar a mãe ao casamento: ela é prisioneira por cometer traição. Mas, ah, por que não levá-la junto? É só uma festa de casamento, em território amigo, na maior confluência de aliados e protetores possível, enquanto o território que leva a Seagard vai estar repleto de Homens de Ferro voltando para Pyke. Não, não, melhor comer o pão e o sal de Walder Frey. Mais seguro assim.

Samwell III: Coldhands aparece na história. De todos os personagens com identidades misteriosas, esse é o que dou menos credibilidade a qualquer teoria. Benjen Stark não se encaixa nas informações disponíveis, enquanto os outros candidatos — Waymar Royce, o Rei da Noite — fazem ainda menos sentido.

Arya IX: Ideia de fanfic: As ações da Irmandade Sem Bandeiras levam à criação do papel-moeda e do dinheiro por fiat na região do Tridente, seguindo o modelo das ações de Sandor Clegane neste capítulo. Tyrion reconhece o potencial da medida e estabelece uma política monetária contracíclica, resolvendo o problema dos invernos prolongados com a magia do protokeynesianismo. Daria tão certo em Westeros quanto no mundo real.

Jon VI: A escolha do nonagenário Ser Wynton Stout como castelão em Castle Black é interpretada por alguns como sinal de que a suposta meritocracia da Patrulha da Noite é apenas fachada, mas isso é injusto. A organização ainda é fruto da cultura de Westeros e dos homens que a compõem; a simples existência de Qhorin Halfhand e Cotter Pyke é um feito notável para qualquer instituição nesse contexto.

Catelyn VI: Uma das minhas partes favoritas da família Frey é a cronologia dos nomes: Aegon e Aenys entre os mais velhos, Cersei e Robert e Tywin entre os mais novos. Uma pena que não vemos bebês recém-nascidos chamados Brandon ou Eddard.

Arya X: Lorde Smallwood estava presente no Casamento Vermelho. Se antes disso Lady Smallwood já colaborava com a Irmandade, depois dessa passagem tenho certeza que ela é mais uma peça no quebra-cabeças do Casamento Vermelho 2.0.

Catelyn VII: Entre os Freys, todos os homens sabiam o que estava prestes a acontecer. Mas e as mulheres, além de Roslin? Desconfio que Fat Walda sabia.

Arya XI: Outro detalhe que eu não lembrava do evento: as catapultas do castelo foram acionadas para atacar os pavilhões de festas. Os Freys têm todos os defeitos do mundo, mas desperdiçar os recursos do castelo não é um deles.

Tyrion VI: “Nem você me acusaria de dar essa ordem [de estupro]”, diz Lord Tywin para o filho cuja primeira esposa ele ordenou que fosse estuprada. Que Príncipe, esse Tywin Lannister.

Davos V: Uma das partes que me incomoda na série de TV é a falta de senso de humor nas cenas com Stannis. Selyse ajoelhada, agarrada nas pernas do marido enquanto ele tenta enxotá-la, é cena para uma sitcom. Em vez disso, temos um ambiente sem sorrisos. Quem sabe na Muralha, quem sabe na Muralha…

Jon VII: Satin, um ex-prostituto vindo de Oldtown que se torna protegido de Jon Snow é um personagem que parece feito para atrair uma certa fatia da Internet. Perdi a conta de quantas vezes vi usuários do Westeros.org sugerirem que ele é filho bastardo do Robert ou espião de Littlefinger. Não importa que ele tem olhos negros, enquanto todos os bastardos dos Baratheons têm olhos azuis, ou que LF não tem nenhum motivo para mandar um espião para a Muralha ou influência conhecida em Oldtown. Ele veio de um prostíbulo, então ele pertence a LF. Ele tem cabelo preto, então é um dos filhos de Robert. A longa espera entre os livros cria novas vítimas a cada dia que passa.

Bran IV: Este capítulo sobre chegar ao fim do mundo e ir além, sobre passar por um túnel escuro e iniciar uma nova vida, é o capítulo que li no dia em que minha filha Antônia nasceu. Dramática, a menina.

Daenerys V: Da próxima vez que adaptarem ASOIAF para a TV, espero que consigam manter Strong Belwas na história.

Tyrion VII: A autoestima de Tyrion é uma obra de gênio: na hora de escolher um homem digno para Shae, ele escolhe alguém alto.

Sansa IV: Como é que nunca percebi que Pod tem uma queda gigantesca por Sansa? Provavelmente porque ela também nunca notou.

Tyrion VIII: Algo que nunca deixa de impressionar neste capítulo: Ser Garlan sempre parece um homem decente, um cavalheiro além de um cavaleiro, um mensch, enquanto interage com Tyrion. Naturalmente, o debate sobre ele saber do plano da avó, se Tyrion e Sansa sempre foram os bodes expiatórios ou se isso foi apenas sorte e diversos detalhes do tipo segue firme. Como escrevi este parágrafo em um dia ímpar, acho que ele estava envolvido no assassinato e demonstrou cortesia por se sentir culpado.

Sansa V: Que palavra melhor define Petyr Baelish? Grooming.

Jaime VII: Há quem ache que Shae sempre foi espiã, mas este capítulo marca o ponto em que ela foi presa e questionada. Considerando que três capítulos atrás ela estava sonhando em ser Ellaria Sand, não é surpresa que ela abriu o bico. Todo mundo fala.

Davos VI: É uma pena que não vemos mais Edric Storm na narrativa. Um bastardo nobre sendo criado com reconhecimento e honraria, aparentemente sem sentimentos conflituosos em relação ao pai, é um excelente contraste com Jon Snow.

Jon VIII: Um sinal de falta de sofisticação estratégica de Westeros em geral e da Patrulha da Noite em particular: em um exército de dezenas de milhares de pessoas, nenhum deles é um espião. Ao norte, é tudo escuridão, sem nenhuma fonte de inteligência. O melhor ativo da Patrulha entre os selvagens foi Jon Snow, e a organização não faz a mínima ideia de como aproveitá-lo. Desconfio que isso seria verdade mesmo que Jeor Mormont tivesse voltado.

Arya XII: É interessante que o arqueiro que Arya e Sandor encontram pede o presente da misericórdia em vez de se matar, e que o conceito reaparece na série. Que eu saiba, não suicídio não é tabu em Westeros.

Tyrion IX: Um capítulo que eu gostaria de ter lido: Os meistres fazendo a autópsia de Joffrey, refletindo sobre as técnicas de medicina legal em Westeros, talvez com um pouco de consideração sobre as mortes de reis anteriores.

Jaime VIII: Compraria muito e deixaria exposto sobre minha mesa de centro: O Livro Branco, com iluminuras, detalhando a carreira de cada membro da Guarda Real. Teria que comprar uma mesa de centro também, mas valeria a pena.

Sansa VI: Uma leitura com a qual tenho pouca paciência: defensores de Lysa Tully-Arryn. A ideia de que ela é uma pobre vítima que preservou a paz no Vale simplesmente não faz sentido. Tudo que ela faz, como o capítulo deixa evidente, é desestabilizar a região, semear discórdia, educar mal o filho e distribuir crueldade e mesquinharia aleatoriamente. Se o livro tivesse sido lançado hoje, GRRM seria acusado de ter assistido Real Housewives demais na hora de criar a personagem.

Jon IX: Uma das graças das novelas de Dunk & Egg é ver os Sete Reinos funcionando em época de normalidade. Depois de ler este capítulo, fiquei com vontade de ver um episódio em que Dunk finalmente visita a Muralha, para descobrirmos como funcionava a Patrulha da Noite antes de tamanha decadência. Sitiado pelos selvagens, Jon basicamente tem que reinventar técnicas de defesa com base no que seria usado em um castelo tradicional, mas conhecer uma defesa normal contra um cerco deixaria todo esse desespero ainda mais evidente.

Tyrion X: Oberyn acredita que Elia foi morta para dar uma lição em Dorne, por ter roubado a mão do Príncipe Rhaegar, mas sabemos que a obsessão por vingança não é um dos (muitos e muitos) defeitos de Tywin Lannister. Todas as vezes que Tywin se vinga de alguém, é por algum outro ganho: projetar sua imagem, eliminar um inimigo, fortalecer sua reputação. A morte de Elia não faria nada disso, então ele sequer se preocupa com isso durante o saque da capital. Tywin Lannister tem água gelada nas veias. Mas Oberyn tem sangue quente, e sede de vingança, então ele projeta suas próprias motivações. É um erro de psicologia, nada mais, mas esclarecedor ainda assim.

Daenerys VI: Ser Barristan promete histórias de Rhaegar e Aerys, de Jaehaerys e Duncan… e por ora não ganhamos quase nada. É uma das poucas promessas que os leitores realmente estão justificados em reclamar do descumprimento.

Jaime IX: Jeyne Poole, vestida com as cores e joias de Winterfell, ainda é tão obviamente falsa que até Jaime Lannister enxerga a farsa.

Jon X: Depois de ler este capítulo, impossível não apoiar Stannis Baratheon. Impossível.

Arya XIII: Eu não sou de ficar catando sinais de teorias da conspiração nos livros, mas o fato de um corvo estar acompanhando e observando Arya e Sandor me fez pensar imediatamente em Bloodraven em sua caverna.

Samwell IV: Digam o que quiserem sobre as falhas da democracia na Muralha, mas o sistema ainda é sufrágio universal e voto secreto, com auditoria da contagem e sem interferência dos partidos na apuração. Não por coincidência, Aemon está envolvido.

Jon XI: Salvar o reino para conquistar o trono, diz Stannis, uma atitude que o leitor aplaude. É fácil esquecer o que a segunda metade da oração mal revela: Stannis é um homem ambicioso. Menos que o irmão, e com uma ambição limitada por uma forte crença em justiça, mas ambicioso ainda assim. Se Robert tivesse sobrevivido ou se Joffrey fosse legítimo, não sei se Stannis teria feito lobby para enviar uma força expedicionária para o lorde ou reunido outros cavaleiros para uma aventura independente.

Tyrion XI: Um mistério que nunca quero ver resolvido: onde Tysha foi parar. De todos os personagens misteriosos do passado — Ashara Dayne, Rhaegar Targaryen, Howland Reed — esse é um que ganha mais por ser Ben Parker, eternamente na memória do protagonista, mas nunca presente em cena.

Samwell V: Pela idade e o tempo de comando, Ser Denys Mallister foi para a Muralha durante o reinado de Aegon V. Considerando as referências a seu passado, não duvido que apareça em um D&E publicado lá por 2032. O wiki diz que ele tem no mínimo 55 anos, mas eu chutaria pelo menos 70. O frio preserva, afinal.

Jon XII: O engraçado dessa eleição é que Janos Slynt seria exatamente o Lorde Comandante que Stannis queria: um lambe-botas obediente e incapaz de contrariar seus superiores. Ele teria sido esfaqueado ainda mais rápido do que Jon, claro, mas menos dentes teriam rangido na Torre do Rei.

Sansa VII: Quando a cena que encerra este capítulo passou na televisão, com a última frase alterada, eu escrevi o seguinte comentário (em inglês) em um blog explicando porque eu achava “your sister” uma opção pior do que “only Cat”:

Before “your sister”, Littlefinger uses the word “only” twice in the previous sentence, both referring to the only woman he ever loved, than makes a dramatic pause. “Only Cat” would’ve been an elegant parellelism — think “of the people, by the people, for the people”. “Only your sister”, with the extra syllables, would’ve messed up the rhythm somewhat. But, really, with the look on Kate Dickie’s face, Gillen might’ve inhaled helium before reading that and it still would’ve been a great scene.

Let me give you an example of the opposite, a line change which I think is clearly better in the TV series: In the books, Tyrion says the line “those are some brave men, let’s go kill them” to Balon Swann, in a separate chapter from his speech before the gate. It’s an excellent change. It’s so much better, I’d forgotten it was a book line until re-reading the relevant chapter this week.

And finally, imagine someday someone decides, for whatever reason, to adapt The Sopranos to book form. And it turns out great. Really, there’s 150 pages of Vito Spatafore in the end, you bawl your eyes out when his kid is basically kidnapped and taken to asshole school, Tony’s last conversation with his mother works better without the crappy CGI. It’s great. Right there in the first chapter, though, AJ says: “what, no fucking gnocchi then?” The hypothetical reader will probably still laugh out loud, and the change in pasta means nothing. Some readers might even think it sounds better, that gnocchi is a funnier-sounding word than ziti. But if you know or believe there’s a funnier line right at the writer’s disposal, mentioning it isn’t book-purism, it’s valid criticism of a minor point of adaptation.

(And now I want to read this damned book I just made up.)

Epílogo (Merrett): A questão não era importante quando GRRM escreveu este capítulo, mas eu gosto de pensar que ele imaginou Merrett como um jogador aposentado da NFL. A descrição das dores de cabeça após uma concussão grave lembra as inúmeras histórias sobre jogadores de futebol americano nos últimos dez anos.

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One Response to A Storm of Swords, Capítulo por Capítulo

  1. Adorei seu Post! Muito bem explicado, e a forma que você aborda esse tema foi espetacular. Parabéns!

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