Depois de ler a autobiografia do Nabokov, entendi mais dois aspectos da obra dele: a fuga da Rússia e a Lepidopterologia. Por aquele artigo na Salon já tinha entendido as questões referentes ao irmão, que ele pouco elucida aqui. Continua um mistério, no entanto, o xadrez.
Sim, sim, entendo a beleza do balé lógico e a necessidade de profunda reflexão que oferece insights inesperados. Falta algo. Resolvi, então, montar no tabuleiro de xadrez o problema que ele nos oferece no final do capítulo XIV. Em silêncio, fui buscar o tabuleiro, para colocá-lo ao lado da minha namorada sonolenta e alternar o meu objeto de contemplação. Chegando na sala, não encontrei as peças. Apenas o tabuleiro vazio, inclinado sob uma lâmpada.
Eu suponho que poderia substituir as peças por papéis em branco, ou procurar algum programa na web que me permita montar o problema. Não, obrigado. O problema só poderia manter qualquer símile de apelo se eu usasse o velho tabuleiro onde uma vez, estupidamente, abri o jogo avançando em duas casas o peão em frente ao bispo do rei.
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